Paulo Drumond Braga | D. Filipa de Bragança

 1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «D. Filipa de Bragança»?
R-Em 2017 publiquei uma biografia de D. Duarte Nuno (1907-1976), duque de Bragança, e apercebi-me então da importância de uma de suas irmãs, a infanta D. Filipa (1905-1990). Mulher decidida, determinada, voluntariosa, empenhou-se na luta pela restauração da Monarquia e para isso aproximou-se de Salazar. Por isso considerei que seria interessante biografá-la.
 
2-Primeiro António Salazar e, depois, Marcelo Caetano: com o mesmo objectivo de restauração da monarquia, podemos dizer que a abordagem de D. Filipa de Bragança foi diferente?
R- D. Filipa visitava Salazar, escrevia-lhe e telefonava-lhe. Acreditou que se a Monarquia voltasse a Portugal seria pela mão do ditador. Com Marcelo Caetano tudo mudou: embora tenha escrito algumas cartas ao sucessor de Salazar, o contacto rapidamente cessou e D. Filipa passou a ver Marcelo Caetano como um traidor à obra de Salazar.
 
3-Na sua pesquisa, que factos novos (ou inesperados) encontrou e que podem conhecer melhor a história portuguesa do século XX?
R-Consegui sobretudo aperceber-me do papel desta mulher extraordinária junto do irmão, D. Duarte Nuno, dos monárquicos e de Salazar. Procurou que houvesse sempre união no campo monárquico e que nunca se pusesse em causa Salazar, pois considerou que só através do mesmo seria possível a restauração da monarquia. Tornou-se próxima do ditador e é possível que por ele tenha desenvolvido sentimentos que iam para além de uma grande amizade, os quais, muito provavelmente, não foram correspondidos.
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Paulo Drumond Braga
D. Filipa de Bragança: Lutar pela Restauração da Monarquia no Tempo e Salazar
Esfera dos Livros  20€