Arnaldo Madureira: “Conhecer as circunstâncias que motivaram a criação e permanência do nosso atraso ao longo de séculos”

1-Qual a ideia que esteve na origem do seu livro “Portugal Adiado-Origens e Persistências do Atraso Económico Português”?
R-A razão que esteve na génese deste livro radica na necessidade de se conhecerem as circunstâncias que motivaram a criação e permanência do nosso atraso ao longo de séculos, causas que, no essencial, se mantêm.

2 -Depois da pesquisa para a escrita deste livro, que razões lhe surgem como mais fortes para a explicação do atraso económico português?
R-Como factores relevantes desse atraso sumariamente podemos apontar os seguintes: Salvo as devidas excepções, a ausência de lideranças políticas e empresariais, fortes e esclarecidas, que assegurassem estratégias de modernização e crescimento da vida nacional. A influência de um sentimento religioso oposto à promoção das novas ideias, sobretudo quando implicavam rupturas radicais, como sucedeu com o aparecimento do protestantismo, do iluminismo, das revoluções francesa e liberal e de outros acontecimentos semelhantes. O desgoverno das finanças públicas face à realidade da nossa economia, agravado com a ideia de que o Estado tinha de pagar tudo, o que constituiu uma forte razão para que a partir do século XVI e durante vários séculos o juízo que se fazia de Portugal estivesse longe de ser o melhor. Uma elevada corrupção e a manutenção de um contrabando que lesava as finanças públicas e a actividade produtiva. O desejo do lazer, o trabalhar o menos possível, por parte de todas as classes sociais. A incapacidade para enfrentar imposições externas, no plano político, militar e económico. O facto do país em momentos de grave perturbação internacional, com violações flagrantes de tratados e de alianças tradicionais, sempre se encontrar desguarnecido. Como escreveu alguém: um país indefeso é um país sem futuro. As disputas pessoais que favoreceram também a manutenção de um quadro pouco favorável ao desenvolvimento económico e social.

3-Pensando no futuro. Como poderemos contrariar as persistências: nova visão, novas ideias, novas decisões, novos protagonistas?
R-Torna-se necessário adoptar as seguintes medidas: Face aos desafios impostos, o momento exige ação prática, execução de projetos, de reformas. A existência de um sistema educativo exigente, capaz de formar, com as habilitações necessárias, os quadros e os técnicos indispensáveis ao desenvolvimento económico, social e cultural. Debate nacional no sentido de se rever a postura tradicional do país face aos novos desafios geopolíticos. A necessidade de se fazer um plano estratégico que defina caminhos para o futuro e incentive o aproveitamento de recursos mal aproveitados no território nacional. A modernização das nossas estruturas económicas e sociais, de modo, ajustada às realidades tecnológicas e de mercado das actividades que se pretende promover. Acentuado empenhamento na economia da cultura e das indústrias criativas a exemplo do que sucede noutros países. Solução dos problemas que afectam a nossa defesa e segurança, fixando-se objectivos de correcção a médio e longo prazo.
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Arnaldo Madureira
Portugal Adiado-Origens e Persistências do Atraso Económico Português
Clube do Autor  19,90€

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