Bruno Vieira Amaral: os primeiros contos


P-Apesar de já escrever há vários anos, só agora surge um livro de contos: porquê?

R- Porque os contos que escrevi antes não tinham uma unidade, temática e de dimensão, que justificasse a publicação de um livro.

P-O universo das histórias é muito seu e dos seus bairros que povoaram os dois romances anteriores: há um fio condutor nestes 30 contos.
R- Não há propriamente um fio condutor, mas um interesse idêntico em explorar os mundos, interiores e exteriores, das personagens.

P-As personagens que circulam nas histórias são criativamente inventadas ou têm forte ligação com pessoas que conheceu ou contactou?
R- Mesmo aquelas que são inspiradas em pessoas que conheci são criações, ou recriações, da minha imaginação. Como acontece com quase todas as personagens, vêm de muitos sítios, da experiência, da memória, dos livros, dos jornais.

P-Apesar de serem histórias de vidas difíceis e complicadas, nem por isso podemos dizer que o tom é pessimista: concorda?
R- Eu diria que, analisadas superficialmente, não há vidas complicadas. É a análise próxima, o esquadrinhar das vidas, que revela a complexidade. O tom nunca é pessimista porque há uma espécie de exaltação na descoberta e revelação das personagens.

P-Escrever as histórias ao ritmo semanal para o jornal «Expresso» (onde foram inicialmente publicadas) levou-o a alterar o seu processo de escrita?
R- Foi um processo diferente do da escrita dos romances e é claro que determinou, em parte, o tipo de narrativa. Escrever uma peça de ficção a um ritmo semanal é muito desgastante, mas esse era o desafio: captar instantes e desenvolvê-los de forma coerente.

P-Pensando no futuro: o que está a escrever agora?
R-Estou ocupado com a biografia de José Cardoso Pires, que espero terminar até final do ano.
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Bruno Vieira Amaral
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