Frederico Pedreira: A Lição do Sonâmbulo


1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «A Lição do Sonâmbulo»?

R- Um exercício de síntese e de explicitação de rumos que foram esboçados noutros livros que escrevi em prosa e verso. A explicitação tem que ver com o meu interesse talvez um pouco mórbido pelos caminhos mais ou menos transitáveis da memória. Ainda assim, não sei bem como encaixá-lo no meio dos outros. É demasiado livre e “para comigo”, como diz o título do último livro de Joaquim Manuel Magalhães. Terá sido aquele em que fiz menos cedências para com um hipotético leitor (cada vez mais hipotético), até porque o encarei mais como uma investigação em nome próprio, um gesto inquiridor que ao invés de apontar para o mundo aponta para o coração.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Não digo uma ideia, antes uma inquietação que com o passar do tempo foi exigindo modos de expressão. É que eu não escrevo a não ser quando é estritamente necessário, quando preciso de sossegar interrogações, inquietações e obsessões, que podem ter várias faces: neste caso, a pergunta insistente terá sido qualquer coisa do género “o que é que aconteceu?”, referindo-me à espécie de vida que levei até agora e às marcas de um rosto ao espelho.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Ando a saltitar entre contos e um livro de ensaios sobre as noções de intimidade e teatralidade em arte, em constante referência a poetas portugueses que muito admiro.
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Frederico Pedreira
A Lição do Sonâmbulo
Companhia das Ilhas  15€
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