Carla Louro: “Foi a poesia que me aproximou da dança e da arquitetura”

Carla Louro acaba de receber o Prémio de Poesia Nuno Júdice 2025 com o seu primeiro livro. Uma estreia auspiciosa que nos traz uma poesia de uma beleza intensa. Uma boa surpresa. E ficamos desde já à espera do próximo livro que mora em algumas gavetas da autora.
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P-“Entra-se na Casa pelo Pátio” é o seu livro de estreia: como espera poder olhar para ele daqui a 20 anos?
R-Com o mesmo olhar poético e emotivo. É um livro especial, por ser o primeiro, por ser o vencedor da primeira edição do Prémio de Poesia Nuno Júdice e por reunir um conjunto de poemas que gostei muito de escrever e que, a cada leitura, trazem todos eles de formas diferentes, memórias especiais. Entre elas, memórias da minha filha que, pequenina, me fazia perguntas em forma de poema, que tanto me inspiraram.
P-O que significa para si receber o Prémio Nuno Júdice?
R-Significa claramente uma responsabilidade, pelo prémio que é, e pelo facto de ser a primeira edição do prémio. Mas recebê-lo foi também uma enorme alegria e uma grande motivação e incentivo.
P-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Não houve propriamente uma ideia. Houve a intenção de reunir um conjunto de poemas, que no seu todo pudessem ter uma certa coerência e uma uniformidade, suficientes para construir um livro e concorrer ao prémio.
P-É arquitecta de profissão e quis ser bailarina: como chegou à poesia?
R-Acho que foi a poesia que me aproximou da dança e da arquitetura. Ou pelo menos, uma certa forma poética de olhar os espaços, o movimento da luz, o movimento do corpo. Isso sempre me fascinou. Essa poesia que acontece com o movimento das coisas, ou o não movimento. As palavras foram ligando tudo isso.
P-Publica o seu primeiro livro com quase 60 anos de idade: as suas gavetas estão repletas de outros poemas e de outros livros?
R-As minhas gavetas têm alguns cadernos, mas não sei se vou conseguir decifrar tudo o que está escrito. Alguns textos tornaram-se poemas visuais que eu gosto muito e que podem vir a ganhar uma outra vida. Mas tenho alguns projetos em mente à espera de uma oportunidade, e estou muito motivada para trabalhar neles. Ao ritmo dos dias.
P-pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Neste momento a escrita acompanha o ritmo das pausas, que não têm sido muitas. Mas é poesia o que estou a escrever. Sempre poesia.
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Carla Louro
Entra-se na Casa pelo Pátio
D. Quixote 13,90€

