Ensaio

1-Qual a ideia que esteve na origem deste livro «Eleições: Campanhas Eleitorais e Decisões de Voto em Portugal»?

R- A ideia principal foi analisar os factores que influenciam a escolha de voto dos portugueses. Há um paradoxo particularmente interessante que emerge quando analisarmos o caso português. Por um lado, considera-se que os eleitores são condicionados fortemente pelo contexto da campanha eleitoral. Por outro, o sistema partidário em Portugal manteve-se muito mais estável do que outras democracias europeias, apesar do forte impacto da crise económica a nível social e político.

2-Como analisa os traços essenciais da evolução do comportamento eleitoral dos portugueses nos mais de 40 anos de democracia?

R- Um dos objectivos do livro é examinar se houve mudanças no comportamento eleitoral ao longo do século XXI, pois os dados analisados só começam a partir das eleições de 2002. Ao longo deste período não houve mudanças significativas, no sentido em que a ideologia, a identificação partidária e os factores de curto prazo (avaliação do governo e da economia, simpatia em relação aos líderes) emergem como os principais factores que orientam o voto em Portugal. Apesar disso, não existe um perfil único do ‘eleitor português’, mas sim múltiplas trajectórias que levam a um determinada escolha. A heterogeneidade do eleitorado é ainda maior se considerarmos que cada eleição apresenta um contexto muito específico que também influencia o comportamento eleitoral. Finalmente, existem também diferenças nas bases eleitorais dos diferentes partidos, por exemplo em termos etários, sentimento religioso ou nível de educação.

3-Em vários países europeus, houve alterações estruturais e significativas nas escolhas dos eleitores com o desaparecimento de partidos históricos e o aparecimento de novos actores: porque será que, em Portugal, apesar de tudo, só agora entraram três novos partidos na Assembleia da República (e, mesmo assim, com apenas um deputado cada)?

R- É verdade que o processo de transformação do sistema partidário português tem sido mais gradual e mais limitado do que noutros países europeus. Este facto prende-se com múltiplos factores, dentro dos quais destacaria os seguintes: em primeiro lugar, o sistema eleitoral na prática só permite que os pequenos ou novos partidos obtenham assentos nos círculos de maior dimensão (Lisboa e Porto); em segundo lugar, é difícil para os novos partidos obterem visibilidade mediática, sobretudo através da televisão; em terceiro lugar, houve um aumento da abstenção eleitoral que desmobilizou potenciais eleitores no apoio a novos partidos (ou partidos anti-sistema); finalmente, os partidos com representação parlamentar têm ocupado um espaço ideológico muito vasto e têm alternado no governo, permitindo o funcionamento da responsabilização eleitoral.
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Marco Lisi
Campanhas Eleitorais e Decisão de Voto em Portugal
Edições Sílabo  15,50€

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“O melhor de mim,
devo-o aos livros.”

Máximo Gorki

 

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