Salvador Coutinho: “A originalidade da vida da Rua da Liberdade onde vivi a minha adolescência”

1-O que representa, no contexto da sua obra literária o seu novo livro
R-De repente deparo com a originalidade da vida da Rua da Liberdade onde vivi a minha adolescência. Recordei quanto feliz aí havia sido, quanto feliz ela me fizera. Um desejo irreprimível começou a determinar que recordasse casario, dias de corridas e outras brincadeiras, profissões, comércios, indústria e sobretudo pessoas. Pessoas, principalmente no aspeto de entender como um miúdo de 10/11 anos começava a viver. Onde e como sentia o que ia vendo e ouvindo. Penso que o livro é um êxito que aceito com naturalidade mas deu-me uma inspiração para que o miúdo que teve 6/7/8 e 9 anos em Espinho, às esquinas das Ruas 7, 11, 16, 18, 20 e 62 tem na memória que foi capaz de viver.
R-Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R-Exatamente o que narro na resposta à pergunta anterior: dizer que a Rua da Liberdade na freguesia do Calendário, concelho de Vila Nova de Famalicão, existiu e quer resistir à sua completa descaracterização.
R-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Neste momento, com vontade de acabar em breve um romance cujo título provisório é: “Por desobediência ilegítima…” a história de um trabalhador que é suspenso com perda de remuneração e ao fim de 62 dias recebe uma carta da entidade patronal a dizer-lhe que não cometeu qualquer falta que justificasse a suspensão e que deve apresentar-se no seu local de trabalho na segunda-feira seguinte sendo lhe pagas todas as remunerações em atraso. O trabalhador não se apresentou e por sua vez escreveu uma carta à empresa em que rescindiu o contrato de trabalho invocando justa causa de rescisão provocada pela entidade patronal. Não prescindia de indemnização. No que teve êxito judicial. Este romance já comporta 110 páginas e ficará completo com mais 40 páginas; “O Andarilho” outro romance, vai nas 50 páginas, está suspenso. Na poesia vai se acumulando um novo livro nos moldes habituais, título provisório: “Por Ti”, já tem 12 estrofes de 17 versos cada (manchas, como lhe chamo).
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Salvador Coutinho
Era uma vez uma história que não sabia contar-se
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Salvador Coutinho na “Novos Livros” | Entrevistas

