António Canêdo Berenguel | Histórias da Justiça

1-Qual ideia que esteve na origem deste seu livro «Histórias da Justiça»?

R- A minha experiência profissional, aguçou-me o apetite pela busca de situações que narrassem histórias de vida invulgares. Como era do meu conhecimento que os processos judiciais, uma vez findos e após alguns anos de “pousio” nos Tribunais, eram remetidos para os Arquivos Distritais, de alguns anos a esta parte, passei a deslocar-me aos mesmos e ali, passei a consultar processos antigos, com mais de 75 anos, pelo menos, e aqueles que, por alguma razão não eram comuns, passei a narrá-los por escrito, respeitando escrupulosamente a verdade material contida em cada processo.

2-Com a experiência e conhecimento que possui, podemos dizer que os casos da Justiça são um bom espelho da nossa sociedade?
R- Efectivamente, a justiça não escapa à realidade social e retrata-a com fidelidade; tenho constatado, pelas consultas que faço, que a justiça reflecte a sociedade do seu tempo, a economia do seu tempo, a ideologia dominante no tempo em que é exercida, a religião subjacente, a poítica dominante, etc.

3-Algumas das histórias são mesmo muito insólitas, rocambolescas e absurdas: a realidade, por vezes, ultrapassa a ficção?
R- Com frequência, depáro-me com bizarrias, nos pedidos processuais ou nas queixas processuais. Quem ler o livro, pode deparar-se com a história do noivo cujo casamento desfez antes de pôr o pé no altar e que reclamou da noiva, judicialmente, em virtude de não se ter realizado o casamento, os sabonetes que lhe havia dado… quando li o processo, fiquei sem chão. Um homem nu a arder é uma invulgaridade. Um oficial de justiça apaixonado não é comum, uma mulher a espreitar pela fechadura de uma porta para apanhar em flagrante o vizinho com a vizinha… já é mais comum (veja-se todos os programas televisivos que têm a ver com a coscovilhice nacional). Às vezes dou por mim a pensar que sou um coscovilheiro judicial de 1800 e do início de 1900…
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António Canêdo Berenguel
Histórias da Justiça
Guerra e Paz  14,90€
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