Cláudia Custódio: “O riso resulta da diferença entre uma expectativa e a sua realização”

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu novo livro “Riso, Humor e Matemática”?
R- O livro começou por ser um conjunto de reflexões soltas e muito gerais sobre o riso e o humor, que foi um tema que sempre achei fascinante. A curiosidade de descobrir o que nos faz rir levou-me a investigar de forma mais sistemática estes temas. Foi quando descobri a ligação do raciocínio humorístico à matemática, e a escassa literatura sobre o assunto – uma rara excepção é um livro de um autor chamado John Allen Paulos – que achei que talvez valesse a pena organizar as minhas notas de uma forma mais estruturada e escrever um livro.
2-Na sua pesquisa, conseguiu obter uma resposta cabal para a interrogação “o que nos faz rir”? Qual?
R- Era uma tarefa demasiado ambiciosa, o que se veio a provar. Encontrei algumas respostas parciais. Por exemplo, tenho bastante simpatia pela teoria da incongruência, que diz que rimos do que nos surpreende porque é desconexo ou inesperado. Ainda assim, a incongruência parece ser uma condição necessária mas não suficiente para que o riso aconteça. Uma outra forma de enunciar esta teoria é dizer que o riso resulta da diferença entre uma expectativa e a sua realização. Quanto maior for esta distância, ou desconexão, mais fácil será provocar o riso. Uma outra condição que parece necessária é a capacidade de formular essa expectativa (eventualmente, com a ajuda do humorista) e de a confrontar com a realização que se lhe opõe. Se pensarmos num humorista que diz uma piada, tem de haver uma base de entendimento comum ente humorista e público. Esta é uma segunda condição necessária mas não suficiente. Em resumo, e dando uma resposta directa à pergunta, não. Não consegui obter uma resposta cabal para a interrogação “o que nos faz rir”
R- Era uma tarefa demasiado ambiciosa, o que se veio a provar. Encontrei algumas respostas parciais. Por exemplo, tenho bastante simpatia pela teoria da incongruência, que diz que rimos do que nos surpreende porque é desconexo ou inesperado. Ainda assim, a incongruência parece ser uma condição necessária mas não suficiente para que o riso aconteça. Uma outra forma de enunciar esta teoria é dizer que o riso resulta da diferença entre uma expectativa e a sua realização. Quanto maior for esta distância, ou desconexão, mais fácil será provocar o riso. Uma outra condição que parece necessária é a capacidade de formular essa expectativa (eventualmente, com a ajuda do humorista) e de a confrontar com a realização que se lhe opõe. Se pensarmos num humorista que diz uma piada, tem de haver uma base de entendimento comum ente humorista e público. Esta é uma segunda condição necessária mas não suficiente. Em resumo, e dando uma resposta directa à pergunta, não. Não consegui obter uma resposta cabal para a interrogação “o que nos faz rir”
3-O título do livro junta a “riso” e “humor” uma terceira palavra a que muitas pessoas não acham grande piada: “matemática”: porquê?
R- A ideia era exactamente tentar fazer uma piada juntado ao riso e ao humor um terceiro elemento que não estamos habituados a associar aos dois primeiros. Na comédia há uma ‘regra’ comum chamada a “regra dos três” em que os dois primeiros elementos de uma sequência estabelecem um padrão e o terceiro elemento o desvirtua. Foi essa a regra que tentei usar no título. As reticências seriam o equivalente a uma pausa cómica. Mas aqui estou eu a explicar uma piada, o que normalmente é sinónimo de que a coisa não correu pelo melhor. Por outro lado, o livro é sobre explicar humor portanto, talvez tudo faça sentido no final das contas.
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Cláudia Custódio
Riso, Humor e Matemática
Fundação Francisco Manuel dos Santos 10€
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Cláudia Custódio
Riso, Humor e Matemática
Fundação Francisco Manuel dos Santos 10€

