António de Castro Caeiro: “O pior sentimento é o de não conseguir sentir nada”

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro “Sobre os Sentimentos”?
R-Os sentimentos têm uma “má imprensa” ou pró ou contra. Quis mostrar 1) como os sentimentos nos dão a compreender qualquer coisa quando se fazem sentir; 2) que há sentimentos racionais e irracionais; 3) que a razão pode ser sentimental.
2-Como filósofo que critérios adoptou ao escolher os 9 sentimentos que aborda no livro (onde eventualmente coubessem outros como a raiva ou o ódio)?
R-Há um capítulo só sobre sentimentos em geral. Os três primeiros capítulos são sobre sentimentos fundacionais: espanto, ira e desejo. Depois, a nostalgia e a melancolia são próximos um do outro, mas diferentes. A nostalgia pode ser melancólica, mas a melancolia não é necessariamente nostálgica. O sublime é um sentimento de charneira e antecipa a liberdade e o amor. Para último capítulo, escolhi a esperança, pois os tempos são de um desespero exasperante. A raiva e o ódio foram tratados no capítulo sobre a ira. Há tantos sentimentos ainda por tratar. Fica para uma próxima oportunidade: admiração, gratidão, serenidade, ternura, vergonha, culpa, coragem, confiança, desespero, resignação, tédio, curiosidade, compaixão, solidariedade, ressentimento, vulnerabilidade, paz, plenitude, reverência, veneração, reconhecimento, tranquilidade, calma, carinho, afeição, embaraço, constrangimento, remorso, arrependimento, desalento, desânimo, saturação, insegurança, lealdade, compromisso, empatia, indignação, revolta, interesse, fascínio, orgulho, autoestima, vaidade, alívio, consolo, ousadia.
3-O que acontece aos nossos sentimentos quando vivemos num mundo em que a pressa comanda, a rapidez condiciona e a ansiedade se apodera de muitos de nós: neste turbilhão ainda conseguimos sentir?
R-O pior sentimento é o de não conseguir sentir nada.
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António de Castro Caeiro
Sobre os Sentimentos
Tinta-da-China 18,90€
António de Castro Caeiro na “Novos Livros” | Entrevistas

