Francisco Moita Flores: “Nesse tempo – 1969 – vivemos uma farsa política”

1-O que representa no contexto da sua obra literária o livro “Sangue e Silêncio no Poço dos Negros”?
R-Considero-o mais um retrato da Lisboa com a qual partilhei as minhas primeiras memórias. Cheguei à capital por essa época. Um tempo fecundo, de despertares que viriam a culminar no 25 de abril. Resolvi dar aos meus leitores o testemunho desses dias, com este romance policial
2-Qual a ideia que esteve na origem deste romance?
R-Nesse tempo – 1969 – vivemos uma farsa política. A queda da cadeira e um avc atiraram Salazar para a inutilidade. Governava Marcelo Caetano. As nossas elites políticas mantiveram a ideia de que Salazar continuava a ser o Presidente do Conselho de Ministros. Vivíamos com dois primeiros ministros, coisa nunca vista em qualquer outra parte do Mundo. O que era e o outro que, por fragilidade mental, julgava ser. Uma farsa que só se explica com o papel da censura e da polícia política.
3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Vou escolher um de dois projetos que tenho em cima da secretária. Mas ainda é cedo. Neste momento estou envolvido no lançamento do Sangue e Silêncio no Poço dos Negros.
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Francisco Moita Flores
Sangue e Silêncio no Poço dos Negros
Casa das Letras 18,90€
Francisco Moita Flores na “Novos Livros” | Entrevistas

