Hélder Teixeira Aguiar: “Espero que o romance envelheça bem”

1-O agora premiado “Na Tua Mão” é o seu romance de estreia: como espera poder olhar para ele daqui a 20 anos?
R-Espero que o romance envelheça bem. Que daqui a vinte anos, agora que Darién começa a desaparecer das notícias, alguém abra este romance e perceba como era estar lá. O que se sentia, o que se perdia, o que se encontrava, que possa ser um testemunho de uma das mais sombrias travessias migratórias da humanidade neste século.

2-Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R-Foi sobretudo uma reportagem de Nadja Drost sobre Darién (vencedora do prémio Pulitzer em 2021), a Selva da Morte, e com ela, as imagens. Crianças agarradas aos corpos irredutíveis das mães, crianças e jovens com um olhar adulto para a câmara, uma amostra cultural de todo o hemisfério sul naquele lugar sombrio e violento. A história veio ter comigo, e quanto mais lia sobre a selva e a Venezuela, a origem da maioria daquela gente, mais me assomava a ideia de que eles eram um espelho de nós próprios, de gerações e gerações que têm perpetuado este movimento imparável por todo o tipo de razões.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Interessa-me a fricção entre o coloquial e o literário, explorando-a na transição para a idade adulta. Personagens jovens nas quais os jovens se identifiquem e os adultos encontrem lugar para a reflexão. Explorar temas contemporâneos e pontes literárias entre gerações. Posso dizer que o próximo romance manterá essa linha.
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Hélder Teixeira Aguiar
Na tua Mão
Gradiva  19€
(Prémio Literário de Revelação Agustina Bessa Luís (2025)

Hélder Teixeira Aguiar na “Novos Livros” | Entrevistas

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