João Nuno Azambuja | Autópsia

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Autópsia»?
R-Representa mais um passo na minha vida. Vou caminhando lentamente, porque gosto de saber onde ponho o pé. Em «Autópsia» descobri dois mundos opostos, o da corrupção humana e o da pureza mais simples.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R-Apresentei um desafio a mim mesmo: como reage a sociedade perante uma catástrofe que se anuncia claramente? A metáfora da ilha sobrepovoada que se afunda no meio do mar imenso enquanto os seus habitantes apenas se preocupam em manter inalterado o quotidiano usei-a para representar a nossa sociedade tecnológica, a mesma que deixa os vizinhos solitários da porta do lado esquecidos durante anos, a apodrecer em casa depois da morte. A outra ilha (porque no livro existem somente duas) representa a nossa faceta inocente, pura, instintiva, que age por impulso para continuar a construir o futuro.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Estou a escrever um romance histórico. Passa-se no tempo de Séneca, que foi preceptor e conselheiro do imperador romano Nero. As investigações aprofundadas tanto à personalidade de Nero como ao seu governo e ao contexto em que viveu despertaram em mim inúmeras perguntas. Vou desenvolvendo respostas neste romance em que procuro fazer a análise psicológica, e até psicanalítica, das personagens. O certo é que Nero não foi aquele monstro que muitos ainda imaginam, nem sequer os cristãos foram os mártires que a Igreja inculcou na nossa mente. Foi a partir daqui que imaginei uma aventura humana.
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João Nuno Azambuja
Autópsia
Guerra e Paz

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