Miguel Duarte: “Como que desapareci da face da Terra durante dois anos”

1-O que representa no contexto da sua obra literária o livro “A Música do Amolador”?
R-Sinto que há um antes e um depois deste livro. E quando falo de um livro, falo de tudo o que este envolve, desde a escrita à publicação. Eu estava completamente consumido pela dimensão da poesia. Como que desapareci da face da Terra durante dois anos. Não queria deixar nada por dizer, nada por fazer, no que estivesse ao meu alcance. Não podia dar o trabalho por terminado sem que o livro sorvesse de mim tudo o que havia para sorver e me deixasse por morto, por assim dizer. Tinha que ir até ao fim desse caminho, ver o que me esperava do outro lado. E o que nos espera do outro lado pode ser assustador. Pode não ser um arco-íris, mas a destruição pura e dura. Eu tinha a convicção de ter criado um ser autónomo, capaz de se manter de pé, mas os outros pensariam o mesmo? Felizmente, as pessoas a quem mostrei o manuscrito, à procura de uma opinião, tranquilizaram-me a esse respeito. E depois veio a Guerra & Paz, que não é uma editora qualquer. Nesse momento senti-me amparado. Por isso, o que este livro me trouxe, mais do que o primeiro, foi pacificar-me com as escolhas que fiz ao longo da vida. Não deixa de ser um livro imperfeito. Mas só se acham perfeitos os livros escritos com a cabeça, aqueles que nunca se arriscam para lá dos salões nobres da razão. Eu não quero escrever poemas com a cabeça. Quero escrevê-los com um coração louco e sonhador.
2-Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R-Uma ideia muito simples: escrever os poemas como queria, sem atalhos, escrevê-los para meu contentamento, espremendo todo o sumo das imagens, deixando que os versos me guiassem e se desenlaçassem por si próprios.
3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Estou a começar a escrever um novo conjunto de poemas, entre outras coisas.
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Miguel Duarte
A Música do Amolador
Guerra & Paz 14€

