Ângelo Delgado: “Este livro é um conjunto de episódios, todos eles reais”

1- Qual a ideia que esteve na origem deste seu novo romance “Foi o Preto”?
R-Este livro é um conjunto de episódios, todos eles reais, que foram acontecendo com várias pessoas à minha volta, a mim e à minha família. O romance é, no fundo, a junção de todas estas ocorrências que envolvem injustiça e racismo: uni-as de forma a criar uma história que fizesse sentido para quem a fosse ler — tendo sempre como pano de fundo a veracidade do que é narrado.
2 – O romance passa-se nos anos 1990: no toca ao racismo, o Portugal de hoje é muito diferente ou os indícios do presente já lá estavam?
R-Acredito que não haverá uma resposta fechada. Os anos 1990 ficaram marcados por um movimento migratório bastante robusto oriundo das ex-colónias. Essa maior presença africana provocou em muitos setores da sociedade sentimentos de repulsa. Havia (e há) ainda questões por resolver decorrentes da descolonização e aí ficaram bem expostos. Hoje, novo movimento migratório sucede, agora oriundo de uma nova geografia. E o que se verifica é um ressurgimento desse mesmo sentimento observado na década em que o romance é narrado, embora com uma diferença evidente: a existência de diversos atores políticos que, com um megafone, difundem mensagens de ódio através dos meios de comunicação social e redes sociais numa base diária.
3 – Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Neste momento, nada. Continuarei a escrever, é certo, e tenho já várias ideias na gaveta, muito provavelmente fora deste tema, ainda que abordando sempre questões de injustiça social ou até de decadência humana. Mas, por agora, o que escrevo está apenas ligado à minha atividade profissional: a publicidade.
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Ângelo Delgado
Foi o preto
Oficina do Livro 15,90€

