Carla Coelho: “Talvez ter uma excelente memória. Há dias em que não dá jeito nenhum.”

Carla Coelho surpreende com o primeiro romance: “Branco”.Vive em Lisboa e estudou Direito r Filosofia. Começou o seu trajecto como escritora com um livro de contos: Flores na Abissínia (2020). Reflectindo sobre si própria e sobre os outros recorda uma frase de Marguerite Yourcenar que é todo um guia para a vida: “é no momento em que nos afastamos dos princípios que convém munirmo-nos de escrúpulos”.
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O que é para si a felicidade absoluta?
Viver num mundo onde todos os seres humanos têm acesso a meios de desenvolvimento das suas aptidões e gostos.

Qual considera ser o seu maior feito?
Manter o otimismo, apesar de tudo.

Qual a sua maior extravagância?
Comprar livros e viajar.

Que palavra ou frase mais utiliza?
Talvez “Vamos tentar ser construtivos”.

 Qual o traço principal do seu carácter?
Tanto quanto consigo vislumbrar, a persistência.

O seu pior defeito?
Talvez ter uma excelente memória. Há dias em que não dá jeito nenhum.

Qual a sua maior mágoa?
A morte, mesmo sendo um facto natural.

Qual o seu maior sonho?
Viver num mundo em que todos os seres sencientes sejam respeitados.

Qual o dia mais feliz da sua vida?
Já tive vários dias felizes na minha vida, mas não me recordo de um que possa catalogar como o mais feliz. Talvez isso signifique que ainda não vivi esse dia.

Qual a sua máxima preferida?
Uma frase que li há muitos anos no livro de Marguerite Yourcenar Alexis ou o Tratado do Vão Combate “é no momento em que nos afastamos dos princípios que convém munirmo-nos de escrúpulos”.

Onde (e como) gostaria de viver?
No campo com uma porta que desse entrada para o centro da cidade e com vista para o mar.

Qual a sua cor preferida?
Laranja.

Qual a sua flor preferida?
Tulipas.

O animal que mais simpatia lhe merece?
Todos. Da formiga ao elefante, passando também pela hiena e o abutre. Todos têm o seu lugar e direito à vida.

Que compositores prefere?
Mozart, Debussy, Leokadiya Kashperova, Ibriam Malouf, Joana Gama, Júlio Rezende e Maria Theresia Von Paradis, esta última uma descoberta recente para mim.

Pintores de eleição?
Bosch, Caravaggio, Artemisia Gentilishi, Elisabeth Vigée Lebrun, Chagall, Menez, Irma Stern, Maluda e Ruben Zacarias.

Quais são os seus escritores favoritos?
Balzac, Eça de Queirós, Tchekov,Marguerite Duras, Marguerite Yourcenar, Vergílio Ferreira, Clarice Lispector, Machado de Assis, Virginia Woolf, Yanick Lahens, Isabel Allende, Paulina Chiziane, Ondjaki, Ana Teresa Pereira, Maria Gabriela Llansol.

Quais os poetas da sua eleição?
Manoel de Barros, Adília Lopes, Ana Luísa Amaral, Ana Luísa Amaral, Luís Filipe Castro Mendes, Adonis, Narwan Darwish, Nuno Júdice, Andreia C. Faria, Shahd Wadi, Sebastião Alba.

O que mais aprecia nos seus amigos?
A lealdade.

Quais são os seus heróis?
Todas as pessoas que, apesar de tudo o que a vida nos atira, resistem e continuam a acreditar na beleza.

Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
A Sra Sesemann , avó da Clara, amiga da Heidi, a Sara Crewe, Miss Marple, Carmen Morales, Palomar, Zorba.

Qual a sua personagem histórica favorita?
Hassan al-Wazzan também conhecido como Jean-Léon de Médicis e Leão, o Africano.

E qual é a sua personagem favorita na vida real?
Todas as pessoas que agem por um mundo melhor.

Que qualidade(s) mais aprecia num homem?
A bondade.

E numa mulher?
A bondade.

Que dom da natureza gostaria de possuir?
Conversar com os animas como o Dr. Dolittle.

O que é para si o cúmulo da miséria?
A falta de empatia.

Quais as falhas para que tem maior indulgência?
A preguiça e a autocomiseração.

Qual é para si a maior virtude?
A bondade.

Como gostaria de morrer?
Não gostaria. Mas se tem de ser que seja com a convicção de que me cumpri.

Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?
Eu, com memória de tudo o que foi aprendido nesta vida.

Qual é o seu lema de vida?
Tudo passa.
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Carla Coelho na “Novos Livros” | Entrevistas