João Pedro Mésseder: “Perante o genocídio, fui forçado pelas circunstâncias a continuar a reagir a essa tragédia”

1-O que representa no contexto da sua obra literária o livro “Diário Palestino (Poemas e Afins)”?
R-“Diário Palestino (Poemas e Afins)” vem na sequência duma outra recolha de poemas editada, em 2020, pela Página a Página, com expressivos desenhos de Ana Biscaia. Intitula-se este outro livro “A Quem Pertence a Linha do Horizonte?”. São ambos centrados nessa tragédia de décadas que é a colonização e ocupação da Palestina por Israel. Esperançado na paz e no respeito pela independência e soberania do estado palestino, a partir de 2021, quis acreditar, durante algum tempo, que não mais escreveria sobre o tema da Palestina colonizada. Não queria mesmo. Mas cedo me desiludi. Perante o genocídio, fui forçado pelas circunstâncias a continuar a reagir a essa tragédia que uma parte do mundo parece ignorar, ou melhor, dir-se-á querer ignorar. E vi-me, como quase sempre, a exprimir tal reacção sob a forma de poemas. “Diário Palestino” (bela edição do ponto de vista gráfico, com uma capa vermelha indiciadora de sentidos, e com um desenho a cores de Ana Biscaia) foi quase todo escrito a partir de outubro de 2023.

2-Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R-Além do ponto de partida temático, que acabo de referir – reagir poeticamente a uma tragédia da qual, desgraçadamente, sou, somos todos contemporâneo(s) –, há outra ideia que é a de ordenar os poemas em função da data da composição, colocá-los pela ordem cronológica. Como se fosse um diário. Dato tudo o que escrevo, e esse enraizamento no tempo, na História, é para mim questão fundamental. A literatura e a História vivem num diálogo permanente. A minha concepção de poesia, porventura distinta da de alguns poetas, passa sempre por aí.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Neste momento, preparo um novo livro de poemas escolhidos, incluindo textos publicados e outros inéditos. E escrevo um novo livro de poesia para a infância. Tenho estado a ultimar livros que tenciono ver editados, nomeadamente dois de aforismos poéticos, se assim lhes posso chamar. E mantenho um projecto de tradução de poesia estrangeira, com poetas de vários continentes ou quase. Já vou em cerca de 160 páginas. É um trabalho que me dá imenso prazer, o de pôr esses poemas a funcionar como tal em língua portuguesa, o que não é fácil. E trata-se, claro está, dum exercício de aprendizagem.
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João Pedro Mésseder (desenho de Ana Biscaia)
Diário Palestino (Poemas e Afins)
Poética Edições  14€

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