Joaquim Fialho: “A solução não passa por rejeitar a tecnologia, mas por recuperar o equilíbrio”

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu novo livro “Sociedade Sem Ecrãs”?
R-Pretendo contribuir para a reflexão sobre a forma como a presença constante de smartphones, computadores e outras plataformas digitais está a alterar a maneira como trabalhamos, comunicamos, nos informamos, nos relacionamos e ocupamos o tempo. A proposta não é uma rejeição da tecnologia nem uma visão “anti-digital”, mas uma análise crítica dos efeitos menos visíveis da hiperconectividade: a fragmentação da atenção, novas formas de dependência, a solidão e o possível empobrecimento dos vínculos sociais.
Em termos simples, a pergunta de partida do livro pode resumir-se assim: como recuperar presença, autonomia e relações humanas significativas num mundo cada vez mais organizado através de ecrãs? O título funciona, portanto, menos como um apelo para eliminar a tecnologia e mais como um convite a imaginar uma sociedade onde os ecrãs ocupem um lugar equilibrado, em vez de dominarem a experiência quotidiana.

2-Refere que vivemos “dentro dos ecrãs”: quais os principais efeitos nocivos para a nossa sociedade?
R-Viver “dentro dos ecrãs” pode ter vários efeitos negativos na sociedade: pode diminuir a capacidade de concentração, criar dependência digital, tornar as relações humanas mais superficiais e aumentar sentimentos de isolamento e solidão. No livro alerto que, ao deixarmos a tecnologia ocupar demasiado espaço na nossa vida, podemos perder momentos de contacto direto, reflexão e presença no mundo real. A ideia principal não é rejeitar os ecrãs, mas encontrar um equilíbrio, usando a tecnologia como ferramenta sem permitir que ela controle a forma como vivemos e nos relacionamos.

3-Enquanto cidadão e enquanto investigador, considera que ainda estamos a tempo de alterar a situação de asfixiante hiperconectividade em que vivemos? Como?
R-Ainda é possível alterar esta situação de hiperconectividade, mas isso exige uma mudança de hábitos individuais e coletivos. Defendo uma utilização mais consciente da tecnologia, com maior controlo sobre o tempo passado nos ecrãs, valorização das relações presenciais e recuperação de momentos de pausa e reflexão. A solução não passa por rejeitar a tecnologia, mas por recuperar o equilíbrio e garantir que os ecrãs continuam a ser ferramentas ao serviço das pessoas, e não o contrário.
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Joaquim Fialho
Sociedade sem Ecrãs
Edições Sílabo  17,50€

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