Desidério Murcho | Todos os Sonhos do Mundo e Outros Ensaios


1- Qual a motivação que está na base deste seu livro "Todos os Sonhos do Mundo e Outros Ensaios"?
R- Trata-se de uma colecção de alguns ensaios mais substanciais que fui publicando ao longo de vários anos, e de outros mais ligeiros, que têm em comum inserirem-se nesse género de escrita muito cultivada por David Hume e outros intelectuais escoceses: o ensaio. A principal motivação foi dar aos leitores de língua portuguesa a oportunidade de conhecer algumas ideias filosóficas que considero importantes e esclarecedoras: ideias sobre o sentido da vida, a relatividade (ou não) dos valores, a filosofia académia, a legitimidade epistémica da fé, e alguns outros.

2- Quais as principais ideias que espera conseguir transmitir aos seus leitores?
R- Uma das ideias importantes que surge em vários ensaios é o impacto imenso que uma completa banalidade tem nos nossos métodos de reflexão. A banalidade é que somos falíveis. O impacto é que isso significa que temos de estar sempre a introduzir controlos e ajustes, para que erremos o menos possível. Esta mesma ideia surgia já no meu livro anterior, Filosofia em Directo, e pensei que seria interessante os meus leitores verem a mesma ideia de outros pontos de vista e aplicada a outras perplexidades filosóficas.

3- Como é que a filosofia nos pode ajudar, sobretudo em tempos tão conturbados como os que hoje vivemos?
R- Um dos ensaios do livro tornou-se entretanto ainda mais urgente do que o era quando o escrevi, pois tem como pano de fundo a importância imensa da responsabilidade doxástica — isto é, não ter opiniões sem um estudo adequado das coisas. Esta é uma das coisas que a filosofia pode fazer por nós: mostrar a importância de estudar adequadamente as coisas. De algum modo as pessoas sabem da importância do estudo adequado das coisas quando estão em questão decisões médicas ou de engenharia; mas depois, em questões políticas, pensa-se que é só uma questão de ter fortes convicções ideológicas. Talvez a filosofia possa ajudar algumas pessoas a ver imensa ilusão, e o perigo, de formar opiniões irresponsavelmente, sem qualquer estudo adequado das coisas. Talvez.
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Desidério Murcho
Todos os Sonhos do Mundo e Outros Ensaios
Edições 70, 16,90€



Manuel Jorge Marmelo | Macaco Infinito

1-0 que representa, no contexto da sua obra, o livro "Macaco infinito"?
R- Não é muito fácil responder a essa pergunta. No essencial, é só mais um livro. Tem, todavia, uma importância simbólica, já que assinala os vinte anos da minha actividade literária, e, por outro lado, tenta desenvolver e aprofundar algumas questões que têm sido recorrentes nos romances anteriores.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Quis escrever um livro com um enredo confuso e desvairado como o tempo que vivemos e, por isso, também um pouco cru, arisco e doloroso como a imagem de uma criança refugiada morta na praia. E quis também explorar a ideia segundo a qual a imensa capacidade evolutiva do homem, as enormes capacidades que temos, nem sempre é orientada de um modo que pareça racional e humano. No fundo, somos um macaco infinito que frequentemente se perde no caminho e que, acossado, é tomado pela fúria e pela perversidade. Em  vez de criar laços e pontes, ocupámo-nos na construção de muro e de cercas.

3-Pensando no futuro, o que está a escrever neste momento?
R-Nada. O tempo para escrever é cada vez mais escasso, a disponibilidade mental também.
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Manuel Jorge Marmelo
Macaco Infinito
Queixal, 16,60€

Leonor Xavier | Portugueses do Brasil & Brasileiros de Portugal

1-Qual a ideia que esteve na origem deste livro “Portugueses do Brasil & Brasileiros de Portugal”?
R- O registo das verdadeiras relações entre Portugal e o Brasil. Em discurso direto, as circunstâncias, os comentários, as viagens interiores, os encontros de vida.

2-De Agostinho da Silva a Zélia Gattai: como foi a escolha dos seus entrevistados?
R- Conheci bem os meus entrevistados, durante anos convivemos, aqui e lá. Deveria ter incluído a entrevista de António Houaiss, que não descobri a tempo, entre mas muitas que tenho guardadas. Escolhi os entrevistados pela variedade, personalidade, histórias contadas. 

3-Na introdução deste livro escreveu: “Temos tanto a aprender uns com os outros, portugueses e brasileiros, sobre o que nos aproxima e nos separa.” Quer partilhar o que aprendeu durante a construção deste livro e no contacto com estes seus parceiros de conversas?
R- Aprendi porque sou portuguesa e brasileira, tenho as duas nacionalidades e diariamente fala e escrevo e conversa entre aqui e lá. Sou brasilianista. Na minha escrita está o que conheço.
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Leonor Xavier
Portugueses do Brasil & Brasileiros de Portugal
Oficina do Livro, 13,90€

Ana Gil Campos | Quando Ruiu a Ponte sobre o Tamisa

1- O que representa, no contexto da sua obra o livro “Quando Ruiu a Ponte sobre o Tamisa”?
R- “Quando ruiu a ponte sobre o Tamisa” é o meu segundo romance. Conta a história de uma princesa indiana que guarda um segredo que veio abalar a sua estrutura como pessoa. Confrontada com uma realidade que não é a sua, começa a ver o mundo por outro prisma e a posicionar-se nele de outra maneira também. Ao longo do livro, a protagonista vai conversando com um amigo, que quase todos nós gostaríamos de ter como amigo, a quem conta aquilo que tem de mais íntimo. Além disso, apesar de ter um casamento tranquilo e aparentemente feliz, é surpreendida por uma paixão que não sabe explicar nem controlar. Entrega-se a essa paixão sem saber o que deve fazer, pois vê-se numa posição de ter de decidir entre dois amores distintos, apesar de aparentemente iguais. Este livro também é um ensaio sobre a essência do amor, o casamento, a infidelidade e a moralidade da sociedade relativamente às relações amorosas.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- A curiosidade em querer saber mais sobre a Índia e a sua realidade. Para escrever este livro, fiz uma pesquisa sobre a realidade política, social e económica da Índia. No livro abordo o sistema de castas, o dote, o genocídio de meninas, os casamentos arranjados, a emigração clandestina, a corrupção política, os conflitos religiosos, entre outros assuntos. Normalmente, quando visitamos um país, só temos tempo para conhecermos os pontos turísticos e tudo nos parece maravilhoso. Talvez seja interessante lermos, para além dos guias turísticos, um romance que se passa num determinado local que iremos visitar para estarmos mais atentos a alguns aspetos que de outra forma nos escapariam. Por vezes, um romance, apesar de ficcional, permite-nos ter uma visão mais realista de um país do que quando o visitamos fisicamente.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Neste momento estou a trabalhar num novo livro que diferente bastante no estilo dos últimos dois livros publicados. Prefiro não falar de novos trabalhos e apresentar trabalho feito, porque uma ideia por concretizar tem tanto valor como não ter qualquer ideia. Isto é, uma ideia só pode vir a ter valor depois de concretizada, até lá é apenas uma ideia.
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Ana Gil Campos
Quando Ruiu a Ponte sobre o Tamisa
Editorial Novembro 

Regina Ferro | Uma Viagem em Ti


1- “Uma Viagem em Ti" é uma obra de estreia: como espera poder olhar para este livro daqui a 20 anos?
R- Como primeira obra, “Uma viagem em ti” é e será sempre especial nos meus olhos. É o meu primeiro livro a ser publicado e como tudo na vida, sempre que conseguimos atingir um sonho, sentimo-nos muito felizes e orgulhosos. A primeira impressão quando se tem a obra acabada na mão, sentir ainda o cheiro das folhas frescas imprimidas, o sorriso e a emoção forte que surgiu do meu interior, nunca serão esquecidas. “Uma viagem em ti” foi a minha primeira história que está a ser exposta ao público e este passo motiva-me muito a continuar a escrever outros livros. Daqui a 20 anos, não interessando quantos livros eu editarei no futuro e se tenho sucesso ou não, esta obra terá sempre um lugar especial na minha estante.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Quando pensei escrever “Uma viagem em ti” tive a vontade de destacar através das minhas observações e da minha experiência assuntos, aspetos, temas, sobre os quais as pessoas falam pouco, dos quais não estão ainda muito conscientes e, última razão, relembrá-las como é e fazê-las refletir. Ao escrever este romance erótico tive o objetivo de realçar um sentimento - como o amor - que envolve todos os leitores e com Uma viagem em ti, tentei destacar a descoberta, a aceitação e o medo que nos envolve quando temos a impressão que alguém se torna importante para nós (a nível amoroso) e receamos a entrega total da nossa pessoa. Por outro lado tento destacar no meu livro também um aspeto importante na nossa vida, que é o fato de nós estarmos às vezes cansados de fazermos o mesmo durante muitos anos e sentirmo-nos numa só vez deprimidos por nos faltar novos incentivos, novas ideias, novas experiências. Por esta razão, sente-se muita gente deprimida, precisamente por não experimentar o suficiente e estar sempre rodeado pelo tédio do dia a dia. Esta segunda mensagem da minha história é precisamente o destaque de uma descoberta que nos pode tirar da nossa rotina e dar-nos uma nova luz para novas experiências que nos possam significar mais tarde muito.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Um novo romance-erótico vai surgir nos mercados português e brasileiro depois do verão. Eu sigo a minha linha como no meu primeiro livro - um romance com algumas cenas eróticas, humor, emoção e mensagens morais. O objetivo do meu estilo literário é fazer com que os leitores leiam uma história fictícia, com uma linguagem leve que os faça relaxar, a divertirem-se e a sentirem-se ao mesmo tempo como se estivessem a viver a história como os protagonistas. Não se trata só de uma história romântica, mas sim também da convivência diária com uma criança, que perdeu a mãe muito cedo e que precisa de ser vista e respeitada como tal. Por outro lado, esta história aborda também a autoestima de uma pessoa por si própria, não interessando a sua origem social, apesar de ser vitima da arrogância e maldade de uma terceira. Tento mostrar através dos olhos falantes que com naturalidade e sinceridade na nossa maneira de ser se pode cativar mais depressa o respeito e os sentimentos dos outros e que tudo o resto só pode trazer complicações indesejáveis.
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Regina Ferro
Uma Viagem em Ti
Chiado Editora

Projecto: DOAR LIVROS A BIBLIOTECAS

Liliana Carvalho desenvolveu uma iniciativa para facilitar a doação de livros a bibliotecas partindo da sua própria experiência. Entretanto, criou um blogue para divulgar a ideia e conta-nos aqui como tudo aconteceu.
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1-Como surgiu esta ideia de apoiar a doação de livros a bibliotecas?
R-A iniciativa surgiu porque desde pequena que sou muito apegada aos livros e às bibliotecas. Não só as bibliotecas para mim são "santuários" de livros e cultura, como há uns tempos atrás numa fase mesmo muito má fui isolar-me na minha biblioteca, e por acaso calhou um livro chamar-me a atenção, e esse livro ser precisamente o que eu precisava de ler e me deu muita força e vontade de continuar a lutar.... Esse livro tinha um carimbo "doado por...", e se não tivesse sido essa senhora a doar aquele livro aquela biblioteca, eu não o teria requisitado, e não teria sido a ajuda que eu estava mesmo a precisar para me distrair e me inspirar a continuar. Decidi divulgar a importância da doação de livros às bibliotecas depois dessa experiência, através de um blog e página de facebook e depois disso fui pensando em mais ideias para tornar o blog interessante e original e que seja um ponto de referência e informações para todos os apaixonados por bibliotecas, livros, cultura, literatura e Portugal.

2-Como funciona?
R-O meu blog é um blog literário, mas também um blog cultural e patriota, além de ser uma homenagem a todas as bibliotecas de Portugal. Nele divulgo cultura, literatura, autores, bibliotecas, história, lendas... A questão da doação de livros a bibliotecas varia de biblioteca para biblioteca, e eu falo de todas um pouco: bibliotecas dos hospitais, presídios, orfanatos, casas de correcção, de famílias carecidas, bibliotecas municipais, de freguesias, de centros culturais/casas do povo, etc, etc...

3-Podemos doar livros de qualquer género e a qualquer biblioteca ou há limitações?
R-Tenho uma entrevista já preparada para cada uma, que eu envio por email para as diversas bibliotecas para que quando cada uma responde à mesma, publico no meu blog e dou a conhecer mais a fundo essa respectiva biblioteca e o sistema de doações e também o que a biblioteca tem para oferecer.

RITA CANAS MENDES | Como publicar o seu Livro

Rita Canas Mendes tem 32 anos e, entre outras coisas, é consultora editorial. 
Acaba de lançar um excelente manual para novos autores num momento em que há dezenas (ou centenas...) de pessoas a publicar (ou a desejar publicar...) os seus primeiros livros.
Este guia é muito útil pois, ao longo das suas páginas, "ficarão com uma noção muito clara das opções ao dispor e dos erros a evitar".
Para já, um primeiro e decisivo conselho: "O único factor que,  sem margem para dúvidas, fará uma editora dar atenção a um manuscrito é a sua qualidade". Está dito, palavras de especialista.
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P-Num tempo em que tanta gente escreve livros, um livro como o seu faz todo o sentido. Foi essa a sua motivação inicial: escrever um guia para novos autores ou mesmo autores já com obra publicada?
R- Foi, precisamente. Há muitas pessoas a escrever livros, mas, fora do meio editorial, quase ninguém sabe como funciona ao certo a edição. Tenham o livro apenas idealizado, o manuscrito na gaveta ou já tenham obra publicada, o meu guia vem revelar como tudo se processa e dar a todos as ferramentas necessárias para publicar bem. Quando lerem o livro, ficarão com uma noção muito clara das opções ao dispor e dos erros a evitar.

P-Andando um pouco para trás: na sua opinião, porque razão se escreve um livro?
R- As motivações são tão variadas como as pessoas. Em geral, escreve-se um livro quando se crê ter algo a partilhar. O objectivo pode ser ambicioso, como deixar uma marca para a posteridade, ou singelo, como dar forma a um mero desabafo.

P-Dantes parecia que só alguns seriam capazes de ser autores. A capacidade de escrita deu um salto qualitativo ou existe apenas a ilusão de que todos nós poderemos ser escritores? E escritores publicados como tantos actores, políticos, vedetas televisivas ou desportistas...
R- Nas últimas décadas, os níveis de escolaridade aumentaram, tal como aumentou o tempo para o lazer. As pessoas leem mais e têm mais disponibilidade para a expressão escrita. É um óptimo sinal que haja tanta gente a escrever. Todavia, como sucede desde sempre, há autores com maior e menor qualidade, uns que investem mais no aperfeiçoamento da sua arte e outros que ficam satisfeitos com o pouco que fazem. Estamos num ponto em que a edição se democratizou – qualquer pessoa pode publicar um livro –, levando a que haja obras de menor qualidade em circulação – já que as editoras tradicionais não servem sempre de filtro. Abriram-se as comportas. Mas creio que, com o tempo, os leitores se tornarão cada vez mais exigentes. Em geral, porém, o cenário é positivo, e penso que o nível médio de qualidade continuará a subir.

P-Visto de fora, escrever um livro parece ser fácil. Já publicar numa editora, diz-se, pode ser uma aventura de loucos. Será verdade?
R- Visto de fora, pode parecer fácil escrever um livro. Mas - se for bem escrito - está longe de o ser. A escrita – em qualquer área, das mais técnicas às mais literárias, passando pelo livro infantil – exige muita bagagem, longas horas de dedicação. Em comparação com esse esforço, publicar uma obra através de uma editora tradicional não dá trabalho algum. No caso das editoras tradicionais, estamos perante aliados do autor que se encarregam de tudo. O autor negoceia condições e participa no processo, mas quase não tem mais trabalho – nada que se compare com o labor de escrever um livro, pelo menos. No caso da autoedição – em autonomia ou com uma «vanity press» (editoras em que o autor paga para ser publicado) –, o autor já terá mais trabalho, sim. Quanto mais resultados quiser obter, mais terá de se esforçar. Aí, podemos dizer que dá tanto trabalho escrever um livro como publicá-lo. No entanto, há que ressalvar que são dois processos bastante distintivos um do outro, que exigem aptidões muito diferentes.

P-Como consultora, pode dar alguns conselhos a um autor para conquistar uma editora?
R- Os meus melhores conselhos estão ao longo de todo o livro. O principal, diria, é apresentar um original com qualidade. O único factor que, sem margem para dúvidas, fará uma editora dar atenção a um manuscrito é a sua qualidade. Depois, claro, se a obra for pertinente, se o autor se mostrar sensato, se a abordagem à editora for pensada (e não massificada), as suas hipóteses melhoram muito – embora nunca estejam garantidas.

P-E para conquistar leitores?
R-  No caso dos leitores, a qualidade volta a ser o factor decisivo. Independentemente do género e do tema da obra, os leitores só comprarão e recomendarão o livro se ele cumprir critérios mínimos de qualidade. Depois, quanto mais o livro der resposta a uma qualquer procura por parte dos leitores, maior sucesso terá.

P-Para os novos autores, vale a pena esperar por uma oportunidade numa editora ou a autopublicação é o caminho certo?
R- Diria que, se acreditam que o original tem qualidade e terá procura junto do público, vale sempre a pena tentar uma abordagem às editoras primeiro. A autoedição tem muitas vantagens, mas também tem desvantagens. Cada autor terá de ver o que prefere, no seu caso.

P-Em Portugal, edita-se bem ou edita-se mal? Ou, como em muitos outras atividades, há de tudo?
R- Há de tudo, como sempre houve. Por um lado, edita-se melhor do que nunca: temos profissionais mais habilitados, mais acesso à tecnologia, e assim por diante. Por outro lado, como o acesso à edição está tão facilitado, e como há muito quem pense apenas no lucro imediato, vemos por aí livros muito fracos enquanto objetos.

P-Se lhe pedir dois bons exemplos de uma muito boa edição de livros publicados em Portugal, quais lhe surgem imediatamente?
R- A Tinta-da-China tem feito um trabalho notável, tanto na orientação editorial do seu catálogo como no aspecto gráfico. Outra editora que desenvolve um trabalho irrepreensível, pelos mesmos motivos, é a Cotovia. São ambas editoras muito exigentes e com um público específico também muito exigente.

P-Voltando ao seu livro: pode também ser catalogado com um manual "faça você mesmo" a edição do seu livro?
R- Sim. Podemos olhar para ele como um mapa, pois fica-se a conhecer todo o panorama editorial, e como um estojo de ferramentas: os leitores – quer já tenham publicado livros ou sejam estreantes – encontram ali tudo o que precisam de saber caso queiram publicar um livro, seja com um editor parceiro, seja em total autonomia.

P-Há vários anos que se fala no fim do livro em papel e na massificação do livro digital. O que pensa sobre isso?
R- Há muito que se fala nisso, mas já se percebeu que uma coisa não vai acabar com a outra. O livro é um suporte quase perfeito, muito eficaz, e não irá desaparecer nos próximos séculos. No entanto, o livro digital veio para ficar e, em muitos casos, é mesmo a opção que tem mais sentido. Os dois formatos podem conviver perfeitamente, e creio que é o que continuará a acontecer.

P-Para finalizar, ainda é verdadeiro e importante o lema de vida: "escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho"?
R- Esse lema continua a ter cabimento. Um filho, uma árvore e um livro são marcas que deixamos no mundo. Não há nada mais humano – e legítimo – do que a vontade de deixar algo positivo nesta nossa passagem pela vida.
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Rita Canas Mendes
Como Publicar o seu Livro
Bertrand, 16,60€

José Casado Alberto | Segundo a Lei da Arma

1- “Segundo a Lei da Arma” é uma obra de estreia: como espera poder olhar para este livro daqui a 20 anos?
R- Espero considerá-lo como o meu pior trabalho de sempre, um primeiro degrau na evolução da minha arte literária.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Sempre gostei de westerns, especialmente os filmes de Sergio Leone ou tudo o que envolvesse Clint Eastwood no papel principal. Sou, também, fã de musica country antiga, sendo que "Big Iron" de Martin Robbins foi a minha principal inspiração (uma inspiração até demasiado óbvia) na construção do meu primeiro trabalho.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Escrevi o meu segundo livro ainda antes de ver o primeiro editado, uma espécie de Alice no País das Maravilhas (um dos meus livros predilectos) vs John Carpenter; se esse será o meu próximo trabalho a ver a luz da edição, apenas o futuro poderá dizer.
Quanto ao livro que estou a concretizar de momento, diria que já completei cerca de 70% da escrita bruta. Um livro de ficção científica, na veia de Robert Heinlein/Philip K Dick, passado numa Europa do Futuro próximo, no qual pretendo, na minha limitada compreensão da sociedade moderna e da sua direcção futura, avaliar os potenciais perigos da ubiquidade tecnológica e da nossa dependência, como colectivo, dessa mesma tecnologia para reger as nossas vidas e políticas humanas.
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José Casado Alberto
Segundo a Lei da Arma
Chiado Editora, 10€

Histórias Solidárias: Testemunhos da Hepatite C


"Fintar a morte, Celebrar a vida", um trabalho da jornalista Ana Paula Almeida, revela importantes testemunhos na primeira pessoa de doentes que viveram a aventura de ver a sua vida devolvida e a esperança de futuro renascer.
São pessoas diferentes em tudo, desde a faixa etária à classe social e cultural em que se encontram. Mas, em comum, têm o facto de durante anos terem lutado contra a doença, contra o estigma de serem portadores do vírus da Hepatite C e contra a falta de tratamentos eficazes.
Felizmente, há precisamente um ano, novos fármacos vieram em boa hora revolucionar o panorama e alterar drasticamente a realidade para melhor.  Tivemos como que uma "democratização" dos medicamentos necessários à cura que já não são apenas reservados a casos especiais e a doentes terminais mas acessíveis a todos os doentes. Segundo estatísticas oficiais, até ao primeiro trimestre de 2016, estão já em tratamento 9100 pessoas das quais 2050 foram declaradas curadas.
A jornalista Ana Paula Almeida ouviu, registou, editou e compilou as entrevistas que denunciam histórias com rostos que o fotógrafo Alexandre Bordalo captou com a câmara, sem retoques nem coloridos que não combinariam com o preto e branco dos percursos destas pessoas.
Um primeiro objetivo desta obra: alertar outros para que façam o rastreio. É urgente e imperioso que se saiba que a Hepatite C não é doença exclusiva de prostitutas, bêbados e drogados. Basta uma transfusão ou o contacto com sangue contaminado, pode ser por via sexual, através de partilha de seringas, escovas de dentes, até numa simples sessão de manicura ou pedicura pode acontecer e ninguém está livre disso. 
E, como se pode ler no livro, "o vírus já não mata mas mói" e se se descobrir atempadamente maior eficácia e celeridade terá o tratamento.
Sem tabus nem medos, sem filtros, estas são pois narrativas puras e duras de quem sobreviveu ao Inferno e resgatou uma nova oportunidade na vida, reconquistando o direito de ser feliz, afastando uma ideia de morte precoce que a doença, até há pouco tempo, prognosticava e quase impunha como verdade.
"Fintar a morte, Celebrar a vida" é um livo que repira o optimismo de quem conseguiu sobreviver por um triz e agora sorri de novo à vida.
Um livro solidário pois, por cada exemplar vendido, reverterá 1 euro a favor da Associação SOS Hepatites.
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Ana Paula Almeida
Fintar a Morte, Celebrar a Vida
Dream Editora, 12€

Nuno Costa Santos | Céu Nublado com Boas Abertas

1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro "Céu Nublado com Boas Abertas"?
R- Representa um passo em direcção à disciplina do romance. É um livro em que me jogo quase que direi por inteiro. A seguir virá mais um. Não vou ser romancista de filho único.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- A ideia foi: dialogar com um livro que um avô meu deixou sobre a sua experiência de tuberculoso na estância do Caramulo, nos anos 40 do século passado e fazer uma viagem imaginária aos Açores fundada em muitas histórias reais. Criar um diálogo entre um neto e um avô a partir da mesma matéria: a vida e a literatura.

3- Pensando no futuro, o que está a escrever neste momento?
R-Já comecei a escrever um livro sobre a minha relação com a cidade onde vivo: Lisboa. Uma relação que quero pesquisar. O livro parte de uma pergunta: será que é bom viver em Lisboa
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Nuno Costa Santos
Céu Nublado com Boas Abertas
Quetzal, 16,60€

Uma companhia ideal

Peter Drucker é, sem dúvida, um dos mais importantes pensadores da gestão do século XX. Autor de inúmeras obras que já são clássicos, Peter Drucker dedicou especial atenção às organizações empresariais (mas não só). 
Além de uma componente teórica sólida, uma das vantagens dos livros de Drucker é a sua constante preocupação em apoiar decisores (empresários, gestores, dirigentes) e colaboradores a melhorarem as suas competências através de sugestões e de conselhos.
Nas livrarias portugueses acaba de surgir uma obra de (Um Ano com Peter Drucker) que é uma antologia de textos com as principais ideias do pensador e, ao mesmo tempo, um guia para a acção. Está organizado para ser lido e... absorvido devagar (tal a riqueza do conteúdo) ao longo de 52 semana. 
Portanto, ao longo de 52 capítulos, (re)descobrimos as ideias, as sugestões e as recomendações de Peter Drucker sobre a vida das organizações (empresariais e do terceiro sector), gestão, liderança, gestão de equipas, eficácia pessoal, sucessão familiar e muito mais.
Um livro de cabeceira: para empresários, gestores, empreendedores, professores e estudantes de gestão. Para ler todos os dias.
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Joseph A. Maciarello
Um Ano com Peter Drucker
Gestão Plus, 18,80€

Américo Baptista | O Futuro da Psicoterapia

1- De que trata este seu livro “O Futuro da Psicoterapia"?
R- Em primeiro lugar, é feita uma apresentação histórica das principais escolas de psicoterapia, nomeadamente, as psicoterapias baseadas na linguagem, no comportamento, no pensamento, designadas por psicoterapias cognitivas, que foram desenvolvidas tendo por base os seus modelos teóricos específicos, e as psicoterapias tendo como foco a resolução dos problemas conjugais e sexuais. Depois são apresentados os desenvolvimentos posteriores na psicoterapia. Primeiro as psicoterapias empiricamente suportadas, que põe a enfâse não num modelo teórico, mas nos testes de eficácia de cada tratamento psicológico para determinadas perturbações e que deram origem ao movimento atualmente em curso designado por "Melhorar o Acesso aos Tratamentos Psicológicos". Nesta perspetiva o aspeto principal é a eficácia demonstrada pelos tratamentos psicológicos para determinadas perturbações específicas. São depois apresentadas a psicologia da saúde e a psicologia positiva. A psicologia da saúde é a aplicação da ciência psicológica ao tratamento das doenças físicas e do estilo de vida e como este conhecimento pode ser utilizado para, por exemplo, aumentar a longevidade e vai ao encontro da definição de saúde proposta pela Organização Mundial de Saúde em 1948, como estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de enfermidade ou de doença. A psicologia positiva pode modificar os tratamentos existentes incluindo componentes de modo a aumentar a afetividade positiva ou a felicidade, como já foi feito com sucesso na cardiologia. A psicologia positiva pode ainda alterar as práticas atualmente vigentes, nomeadamente, a passagem de um modelo de tratamento das doenças para um modelo em que se previnem as doenças e que está atualmente a ser testado nos militares do exército dos Estados Unidos, uma amostra sem precedentes na história da psicologia composta por 1,1 milhões de pessoas. A psicologia positiva desenvolveu ainda metodologias que se propõem a aumentar a felicidade na população em geral. Um outro aspeto abordado são os processos psicológicos que estão subjacentes às perturbações emocionais, nomeadamente a atenção, a interpretação e a memória que se encontram enviesados tanto nas perturbações ansiosas e depressivas, como nas pessoas otimistas. Um conhecimento melhorado da modificação destes processos pode dar origem a novos tratamentos psicológicos. Interessante é que estes mesmos mecanismos estão, igualmente, presentes em animais e podem ser modificados. Um outro capítulo, que já antecipa o futuro, relaciona-se com o conhecimento atualmente em franco desenvolvimento sobre o funcionamento do cérebro. São descritos os procedimentos em que se baseiam dando origem às Interfaces Cérebro-Computador ou Interfaces Cérebro-Cérebro que permitem extrair os sinais elétricos de um cérebro, conduzi-los a um sistema informático que por sua vez movimenta uma prótese mecânica: Com estes tipos de sistemas é possível que pessoas paralisadas, por exemplo, tenham maior mobilidade, escrevam cartas em computador ou que dois cérebros comuniquem diretamente entre si. Finalmente é antecipado o futuro que se apresenta como a disponibilização deste conhecimento nos cuidados primários de saúde, para crianças e adolescentes, para adultos, para idosos, para além da utilização destes tratamentos em populações especiais, como nas situações de exclusão social. Para além dos argumentos acerca da eficácia dos tratamentos psicológicos são apresentados argumentos económicos que justificam a sua utilização generalizada. O livro termina com descrições das más práticas em psicoterapia no capítulo Os Efeitos Negativos da Psicoterapia.

2- De forma resumida, qual a principal ideia que espera conseguir transmitir aos seus leitores?
R-Que os tratamentos psicológicos são particularmente eficazes, têm menor taxa de recaídas e serão, no futuro, a primeira escolha nas perturbações da ansiedade, da depressão, nos problemas conjugais e sexuais e no desenvolvimento de recursos e competências que ajudem a lidar com sucesso com as dificuldades do dia-a-dia ou com acontecimentos traumáticos.

3-Num contexto de crise continuada e de acordo com a sua experiência, como pode a psicoterapia ser útil no futuro (ou já hoje)?
R-No contexto de crise é já útil hoje e, com a divulgação deste conhecimento, será ainda mais útil no futuro. Em primeiro lugar pelo combate à desmoralização e a apatia que apenas ajudam a manter um ciclo vicioso de mais apatia e desmoralização. Depois pelo encorajamento da adoção de estilo de vida de confronto que leve a encontrar alternativas de vida. Ainda particularmente relevante o desenvolvimento de um clima otimista e positivo nas empresas e seus funcionários demonstrou que a produtividade aumenta à volta de 12%. Que disciplina do conhecimento pode dar uma ajuda decisiva a efetuar isto? Penso que o futuro da psicoterapia irá florescer e todos deviam saber isto.
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Américo Baptista
O Futuro da Psicoterapia|
Pergaminho, 15,50€

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.