Diga não ao cruel comércio da morte.

Beja: Soror Mariana Alcoforado e Cartas Portuguesas

A Câmara Municipal de Beja vai organizar o FESTIVAL B 2019 dedicado à celebração de Mariana Alcoforado e comemoração dos 350 anos das Cartas Portuguesas.
O FESTIVAL B, decorrerá (27 a 30 de Junho de 2019) no Centro Histórico de Beja, unindo através de quatro palcos um roteiro que destaca também o património da cidade. Ao longo de 4 dias cerca de 40 artistas/grupos criarão propositadamente para o FESTIVAL B mais de 20 espectáculos de diferentes disciplinas artísticas e géneros, através de fusões entre si e de identificação com o universo de Mariana Alcoforado.
Um dos aspetos inovadores do FESTIVAL B é a realização de residências artísticas e de conceção de espectáculos próprios criando novas dimensões de promoção e valorização da figura histórica de Soror Mariana Alcoforado, a sua dimensão e reconhecimento internacionais.

Paulo Magalhães | O Condomínio da Terra

1-Qual a ideia que esteve na origem do seu livro «Condomínio da Terra: Das Alterações Climáticas a uma Nova Concepção Jurídica do Planeta»?
R-Em Novembro de 2002, o acidente do petroleiro Prestige na costa da Galiza, perto da fronteira portuguesa, provocou uma enorme maré negra, que se estendeu do norte de Portugal até Vendée, na França. Eu participei na operação de limpeza e reabilitação de aves oleadas nas praias portuguesas afetadas. Depois de um longo dia de trabalho voluntário, cheguei a casa e deparei-me com uma conta que atingia os milhares de euros, para obras de reabilitação do meu condomínio. Percebi que a maior parte desse valor era para a restauração de janelas que não faziam parte do meu apartamento. Totalmente confuso, comecei a estudar a estrutura jurídica de um condomínio. Quanto mais eu estudava, mais ficava evidente que as janelas em questão eram copropriedade de todos os meus vizinhos que habitam o condomínio. Todos nós tivemos uma conta semelhante e uma responsabilidade compartilhada. Este foi o momento em que tudo se tornou evidente: a perspetiva de construir um sistema global num contexto pessoal literalmente à minha porta. Lidar com os efeitos nacionais de uma maré negra transfronteiriça e minhas responsabilidades vivendo numa propriedade simultaneamente privada e compartilhada, trouxe clareza em perceber o Planeta Terra como o condomínio da humanidade. Foi o momento que redefiniu o conceito de propriedade privada, que pode coexistir com a propriedade comum de forma simbiótica e harmoniosa; a complexidade e as leis de viver num condomínio possuem um poderoso potencial para reenquadrar a compreensão da propriedade e da responsabilidade. Essa clareza poderia tornar possível, o diálogo ambiental global, ainda hoje um desafio considerável e quase "impossível". Este momento marcou o futuro nascimento da Casa Comum da Humanidade em 2018.

2-Em poucas palavras, quais os objectivos e quais os principais resultados já alcançados pelo Projecto Condomínio da Terra?
R- O Condómino da Terra é o modelo jurídico da Casa comum da Humanidade, que tem 2 objetivos estatutários, na sua missão: (1) Reconhecer juridicamente o "Espaço de Operação Segura para a Humanidade", como um novo objeto jurídico de direito internacional – um Património Comum da Humanidade. (2) Promover e apoiar a implementação de um novo sistema de contabilidade dos impactos positivos e negativos no estado do Sistema Terrestre, com vista à proteção do seu estado favorável e promoção da sua governação. O objetivo principal já alcançado, foi a construção de uma equipe multidisciplinar internacional, que junta alguns dos melhores cientistas do Sistema Terrestre a juristas e outros especialistas das ciências sociais.

3-Neste momento, quais são os principais eixos de acção do projecto e como podem os cidadãos portugueses participar e/ou apoiar?
R-No âmbito do reconhecimento do novo património da Humanidade, estamos a participar nas reuniões preparatória do Pacto Global do Ambiente, que estão neste momento a ter lugar em Nairobi na sede da UNEP. Quanto ao segundo objetivo, estamos a trabalhar para fazer um teste piloto do ESAF – Earth System Accouting Framework – em 4 países. A forma de os portugueses poderem participar é poderem tornar-se sócios e acompanharem este projeto em, http://www.commonhomeofhumanity.org/
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Paulo Magalhães
O Condomínio da Terra-Das Alterações Climáticas a uma Nova Concepção Jurídica do Planeta 
Almedina  13,90€

Prémio Livro do Ano | Bertrand


A Bertrand promove, pelo terceiro ano consecutivo, o Prémio “Livro do Ano”. Esta iniciativa tem a particularidade de ser o primeiro prémio literário português atribuído exclusivamente por livreiros e leitores.
Na edição de 2019,  estarão a concurso 149 obras repartidas por quatro categorias: Melhor livro de ficção lusófona; Melhor livro de ficção de autores estrangeiros, Melhor reedição de obras essenciais e Melhor Livro de Poesia (nova categoria que não estava presente nos anos anteriores).
Os 149 finalistas são o resultado da pré-selecção que “procurou distinguir os livros, em prosa e poesia, que marcaram o último ano editorial, e contou com o precioso contributo dos jornalistas Inês Fonseca Santos e Sérgio Almeida”, segundo os organizadores.
O Prémio está, agora, numa fase de decisão e leitores e livreiros poderão votar nos seus livros preferidos. A seguir, a lista dos vinte livros finalistas (sendo cinco em cada categoria), será anunciada ainda em Março. Finalmente, em abril, será divulgado o vencedor de cada categoria do “Prémio Livro do Ano”.
Em 2018, foram 119 as obras concorrentes e a votação mobilizou dezenas de milhares de leitores.
Os vencedores foram:
-Melhor Livro de Ficção Lusófona: Até Que As Pedras Se Tornem Mais Leves Que A Água (António Lobo Antunes, Dom Quixote)
-Melhor Livro de Ficção de Autores Estrangeiros: Homens sem Mulheres (Haruki Murakami, Casa das Letras)
-Melhor Reedição de Obras Essenciais. Os Miseráveis (Victor Hugo, Relógio D’Água) 
A lista das obras a concursos está disponível aqui AQUI

Pedro Castro Henriques | Diabruras

Caro editor de novoslivros.pt. Agradeço-lhe desde já a amabilidade de me interrogar sobre o Diabruras. Julgo que o ‘outro autor’ das mesmas está em condições de lhe responder salvo na questão de uma possível influência da Guidinha (Luís de Sttau Monteiro, de que sou leitor) que, creia-me, não existiu. Estive agora a relê-lo por força da sua segunda pergunta e concluo haver apenas um certo parentesco a nível da escrita, já que a temática mais ampla de Sttau Monteiro não se confunde com o ‘casa/escola’ do Diabruras.   
Abraço amigo do Pedro Castro Henriques
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1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Diabruras»?
R-pergunta número um
perguntei ao senhor que a setôra de ciências conhecia que faz textos parecidos com os meus e que escreveu o fim do diabruras se ele fazia outros livros e ele respondeu-me por e-mail que sim que já fez coisas muito diferentes mas que não sabe se aquilo que escreveu tem a ver com o princípio dos vasos comunicantes coisa que não percebo bem e perguntei à setôra de ciências que me respondeu que ela não era um arquimedes para inventar uma resposta para uma pergunta difícil como esta mas o que vale é que o senhor me mandou uma lista dos livros que fez e quem perceber de vasos junte os livros todos e veja se comunicam 

2-Ao lê-lo, é impossível não pensar nas «Redacções» da Guidinha, escritas por Luís Sttau Monteiro: foi essa uma das suas inspirações?
R-pergunta número dois
o senhor que escreveu o fim do diabruras lembrava-se de o ver ao perto e de longe do senhor luís de sttau monteiro que escreveu a guidinha mas eu nunca o li porque ainda não tinha nascido e a estante lá de casa só tem uns romances da minha mãe que ela diz que são cor-de-rosa mais uns livros de culinária e a enciclopédia que era do meu avô e que nunca ninguém leu mas o senhor que escreveu o fim do diabruras já não se lembrava bem da guidinha porque foi no século passado e disse que o senhor monteiro gostava de escrever como eu mas que talvez escrevesse um pouco melhor porque era escritor e eu não

3-O que pretendeu retratar nestas suas 150 histórias?
R-pergunta número três
não sei responder a esta pergunta porque escrevi as histórias só porque gosto de escrever sobre as coisas que me acontecem e por isso pedi ao senhor que escreveu o fim do diabruras que explicasse a coisa por mim e ele disse que sem o saber o autor dos textos que sou eu estava a falar das muitas contravoltas que o mundo deu de há uns tempos para cá e das contravoltas que as contravoltas do mundo provocaram na cabeça das pessoas que ficaram um pouco baralhadas no meio de tudo isto e é o que se passa lá em minha casa e na minha escola e por isso estou de acordo com o que o senhor escreveu no fim do meu livro
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Pedro Castro Henriques
Diabruras
By The Book  15€

Fernando Cavaleiro Ângelo | Os Falcões do Biafra

1-De que trata este seu livro «Os Falcões do Biafra»?
R-Durante o período de colonização, os britânicos deram a supremacia a um dos grupos étnicos contendores, os IGBO, promovendo-os a representantes da coroa britânica. Daqui surge uma elite IGBO que entra em confronto com uma aliança formada pelos outros dois grupos étnicos maioritários: os YORUBA e os HAUSA. Os condimentos para a explosão estavam reunidos, pelo que só foi necessário acender o rastilho. Depois da primeira tentativa falhada de secessão ocorrida no Catanga, na República Democrática do Congo, em 11 de Julho de 1960, a independência da República do Biafra poderia impor um processo irreversível de “balcanização” dos países africanos que a Conferência de Berlim de 1884 dividira a régua e esquadro. Os golpes militares de 14 de janeiro e de 29 de julho de 1966, o primeiro desencadeado por oficias IGBO para quebrar a influência HAUSA e o segundo para derrubar os IGBO do controlo militar, acabou por ser a espoleta para o barril de pólvora que era a República Federal da Nigéria. Daí até à guerra civil foi uma questão de dias. Dois oficiais do exército nigeriano, com formação académica e militar superior, passando ambos nas melhores escolas e academias militares na Grã-Bretanha, com percursos militares muito idênticos, despoletaram um conflito armado sangrento que envolveu grande parte da população e também muitos atores internacionais. O tenente-coronel Chukwuemeka Ojukwu rompeu com o domínio do governo federal alegando que os povos do Norte, os maioritariamente muçulmanos, dominavam com intuito de exterminar os povos cristãos do Leste. Por outro lado, o tenente-coronel Yakubu Gowon defendia o conceito de “One Nigeria”, lutando contra a independência unilateral do Biafra. A motivação dos apoiantes externos poderia enquadrar-se na manutenção ou criação de poder de influência, destacando-se aqui a Grã-Bretanha, a França e a União Soviética, e outros para mostrar ao mundo que os recém-independentes Estados africanos não dispunham das condições para se governarem sozinhos, tal como Portugal, África do Sul e Rodésia. Estes últimos países lutavam domesticamente com grupos independentistas que aclamavam a libertação dos colonizadores. Com a ofensiva das tropas federais, a 06 de julho de 1967, a recém-criada República do Biafra respondeu de forma decidida e com bravia, mesmo com uma enorme desvantagem em termos de contingente militar e de armamento. Mas rapidamente o comandante supremo das tropas federais percebeu que o centro de gravidade do Biafra, atendendo a sua localização geográfica, seria o apoio logístico da sua população e das operações militares de contenção que estavam em curso. As tropas federais possuíam uma vantagem considerável nas três dimensões: naval, terrestre e aérea. Tal como tinha aprendido na aula de arte da guerra na academia militar britânica, o embargo total era a única forma de asfixiar as ambições secessionistas do alegadamente megalómano e sequioso por poder tenente-coronel Ojukwu. Pelo que é a partir de aqui que surgem os falcões do Biafra para tentar inverter os efeitos asfixiantes do embargo. Através dos parcos meios aéreos adstritos à Força Aérea Biafrense, um conjunto de pilotos, contratados pelo tenente-coronel Ojukwu, começaram a voar de forma decidida e corajosa para anular as ofensivas terrestres das tropas federais, aniquilar a supremacia aérea nigeriana representada pelos temíveis caças-bombardeiros soviéticos MIG-17F, e permitir que a ajuda humanitária e fornecimento de armamento chegassem aos dois únicos aeroportos improvisados no Biafra: Uli e Uga. A aventura perpetrada pelos dois caças-bombardeiros T6-G, tripulados por dois antigos pilotos da Força Aérea Portuguesa, o Artur Alves Pereira e o José Pignatelli, ao serviço do Biafra, foi deveras fulcral para a sustentação do Biafra até ao seu último dia: 08 de Janeiro de 1970. As missões que estes dois jovens pilotos efetuaram, com resultados desastrosos para as forças armadas nigerianas, podiam roçar a loucura que só a irreverência de um jovem consegue proporcionar. Tinham adquirido a experiência e as perícias a tripular esta aeronave nas guerras de Angola e Guiné. Ao final do dia, a luta entre um jovem oficial sequioso de poder que utilizou a questão étnica e religiosa para inflamar a situação, e outro jovem oficial que foi investido pelos grupos étnicos rivais, o HAUSA e os YORUBA, para defender a união da Nigéria com a bênção das potências colonizadoras sequiosas por petróleo, resultou na morte de milhões de pessoas, na maioria crianças e idosos, e centenas de crianças que ficaram perdidas dos seus pais.

2-Como podemos interpretar os objectivos de Salazar para intervenção de Portugal na guerra civil da Nigéria? 
R-Em primeiro lugar, Portugal não se podia expor tendo em conta a perseguição que estava a ser alvo pela Comunidade Internacional face aos desenvolvimentos nas guerras de Angola, Moçambique e Guiné. Pelo que o envolvimento nos bastidores, de forma secreta, era essencial para as políticas do regime salazarista. A estratégia milenar de dividir para reinar, através da intensificação da confusão, acabava por mostrar ao mundo e às organizações internacionais, que na verdade a vida dos africanos sob a governação portuguesa não era assim tão ruim. Esta retórica política do regime servia, outrossim, para contrariar as vozes anticolonialistas. Por outro lado, a maioria das províncias ultramarinas portuguesas possuíam “pequenos Biafras”, como por exemplo Cabinda, que podia incorrer num quadro de conflitualidade semelhante ao que se estava a assistir na Nigéria. Pelo que Portugal tinha que se manter no anonimato para não despertar intenções secessionistas dentro das suas próprias fronteiras. O esforço no tabuleiro da diplomacia internacional em persuadir outros países a apoiar a causa do Biafra, para desta forma influenciar a ONU a decretar uma resolução para mediar o conflito e conseguir alguma forma de sufrágio para legitimar a independência biafrense, era uma ação que trazia muitos ganhos a Lisboa nas questões que estavam relacionados com os três campos de batalha: Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. E, finalmente, o facto de alegadamente a França requerer o apoio de Portugal, mesmo que de forma discreta através da cedência do seu espaço aéreo e aeroportuário para de forma livre os mercenários e os traficantes de armas poderem fazer escoar os abastecimentos às tropas biafrenses, a troco de fornecimento de armamento e munições às forças armadas portuguesas para “alimentar” o esforço de guerra nas suas três frentes de combate. Aparentemente toda as movimentações e esquemas clandestinos e encobertos eram efectuados através dos serviços secretos franceses, o SDECE, liderado pelo conde Alexandre de Marenches, que era muito amigo do subdiretor da PIDE, o Dr. Barbieri Cardoso. Múltiplos relatos fidedignos confirmam que a PIDE tinha um canal privilegiado com a SDECE, mormente para alguns assuntos que envolviam África. Portugal não conseguiu evitar a exposição mediática em termos de cumplicidade no transporte de armamento através dos entrepostos logísticos de Lisboa, Faro, Bissau e São Tomé. O apoio humanitário trazia a oportunidade de misturar o armamento no meio dos alimentos e medicamentos. O ruído nos órgãos de comunicação social por todo o mundo não se fez esperar; contudo, não havia provas concretas que as autoridades apoiavam efetivamente e formalmente a República do Biafra. Lisboa era o “nó” central em todas as atividades financeiras, militares, informacionais e de coordenação no que ao conflito do Biafra diz respeito.

3-Na investigação realizada para escrita deste livro, que novos factos relevantes (ou surpreendentes) encontrou?
R-A utilização dos serviços secretos permitia aos países envolvidos desenvolver as atividades encobertas e clandestinas, negando ou dissimulando desta forma todas as suas manobras, manipulações e conspirações. Esta atuação acabava por facilitar a estratégia de “dividir para reinar” em apoio a uma das partes, conservando, no entanto, a possibilidade de não ficar formalmente colado à parte apoiada, pois em caso de um revés, o seu Estado acaba por não ser prejudicado pelas autoridades vitoriosas. A utilização de “proxys” era essencial nesta atividade que se desenvolvia na clandestinidade, pois caso fossem expostos, os países naturalmente não assumiam qualquer responsabilidade, ficando sempre a dúvida de quem é que esteve por detrás de tal manobra maquiavélica. Este tipo de atuação desenvolve-se desta forma há muitos séculos, reconhecendo que as grandes potências possuem um tremendo know-how de como manipular, dissimular, enganar, conspirar e subtrair segredos fruto da sua larga experiência em conflitos de larga escala e intensidade por este mundo fora. Pese embora a guerra civil da Nigéria não ter uma ampla divulgação em Portugal, limitando-se só a alguns artigos de jornal e revistas, esta é a primeira obra no nosso país que investiga profundamente o nosso envolvimento secreto num conflito em África, ao mesmo tempo que conduzia uma guerra simultânea em Angola, Moçambique e Guiné, a par com a atuação secreta de uns pilotos portugueses ao serviço das autoridades do Biafra. As manobras arriscadas destes jovens pilotos, que acabaram por defender e acreditar na causa biafrense, eram dignas de um filme de Hollywood. A juventude, irreverência e espírito de aventura foram alguns dos factores que os impulsionaram a arriscar a vida por um país que não era o seu, acabando por ficar afectados pelo drama humano que aquele povo IGBO sofria. As manobras ardilosas das potências colonizadoras, as artimanhas e negócios clandestinos dos traficantes internacionais de armamento, a realpolitik do petróleo, são abordados com recurso a factos apurados em testemunhos na primeira pessoa e documentos secretos depositados em diversos arquivos nacionais. A fusão de todas estas fontes bibliográficas, seguindo uma metodologia assente de sobremaneira em testemunhos de fontes primárias, resulta numa obra consistente sob o ponto de vista histórico. O que é que esta obra não tem? Qualquer enviesamento provocado por ideias pré-concebidas sobre uma das facções, qualquer colagem a ideologias políticas de que natureza for, e nenhum posicionamento tendencioso sobre quem é que tinha a razão do seu lado. Em guerras não existe razão. As mortes provocadas ou colaterais nunca poderão sustentar o argumento da razão.
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Fernando Cavaleiro Ângelo
Os Falcões do Biafra
Casa das Letras  17,90€

Fernando Cavaleiro Ângelo na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

José Eduardo Franco | Os Leitores Perguntam, Padre António Vieira Responde

Foto: José Manuel Fernandes
1-Qual a ideia que esteve na base deste vosso livro «Os Leitores Perguntam, Padre António Vieira Responde»?
R-Quisemos preparar, a partir dos 30 volumes da Obra Completa de Vieira, um livro, pensando no grande público e em todas as idades, com as grandes ideias e sábios pensamentos deste escritor maior da nossa literatura. Imaginámos perguntas e procurámos as respostas extraídas dos seus textos que chegaram até nós.

2-Este pode ser o livro que abre as portas da obra do Padre António Vieira a muitos novos leitores?
R-Sim, este livro pode ser lido por jovens e adultos de qualquer formação, acedendo aos mais inspiradas e inspiradoras afirmações do Padre António Vieira em forma de pergunta-resposta. Encontramos neste livro os mais variados temas argutamente pensados por Vieira, entre os quais, o Amor, a Amizade, o Ódio, a Inveja, os Inimigos, o Poder, a Vida, a Fé, a Verdade, a Vaidade, a Glória, a Esperança, a Justiça, a Nobreza, a Ação, a Salvação,  Deus, etc.

3-O livro pode ser lido como uma grande entrevista sobre imensos temas: esta opção formal torna a leitura mais viva e interessante?
R-Esta grande entrevista que imaginámos fazer a Vieira em duas centenas de página resume de algum modo a sua obra completa de 30 volumes e oferece, em forma de diálogo vivo, reflexões sobre temas que preocupam as pessoas do século XXI e que Vieira já tinha pensado no seu tempo. Essa é grande virtualidade deste livro que demonstra a atualidade do Padre António Vieira, aliás como acontece com os grandes pensadores clássicos. Os clássicos são intemporais. Nunca perdem a atualidade. São do seu tempo, mas deixaram uma mensagem com pertinência e capaz de interessar os homens de todos os tempos. Vieira é um desses eloquentes exemplos de um génio que pensou a condição humana nas suas grandezas e limites e que, no essencial, continua a mesma. Portanto, esta obra é de algum modo um guia para nos entendermos melhor como seres humanos.
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José Eduardo Franco/Aida Sampaio Lemos/Joana Balsa de Pinho/Porfírio Pinto (orgs.)
Os Leitores Perguntam, Padre António Vieira Responde
Temas e Debates  16,60€

Marisa Pedrosa | Frágil: Abrir Delicadamente

1-«Frágil: Abrir Delicadamente» é o seu primeiro livro: como espera poder olhar para ele daqui a 20 anos?
R-Frágil: Abrir Delicadamente será sempre o início do meu percurso literário. Daqui a 20 anos continuará actual, uma vez que, à semelhança do dizia o nosso querido Almada Negreiros, "Até hoje fui sempre futuro".  A existência do Soundcloud dirigido aos alunos digitais faz com que continue preparado para uma dimensão futura. Foi o livro que tem servido de palco para o debate sobre a violência no namoro e violência doméstica, bem como, trabalhar questões relacionadas com liderança pessoal

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R-A ideia original foi mergulhar na vulnerabilidade humana. Revelar aos leitores que sentir é precioso, é importante e faz parte da nossa humanidade. Por isso se chama Frágil: Abrir Delicadamente para que, perante o outro humano, tão humano quanto nós, o possamos descobrir com todo o cuidado que merece. A arquitectura, a natureza e o corpo veículos perfeitos de beleza e sensibilidade.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Estou a escrever uma colectânea de contos e mais poemas. Ainda estou a tentar perceber também o que os meus leitores esperam num próximo livro para que a edição também cumpra essas expectativas.  Como também sou palestrante, neste momento, a área da liderança pessoal também me ocupa bastante e poderá ser nesta dimensão. Quem sabe o próximo livro é sobre Mulheres e Homens que correm com Lobos?
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Marisa Pedrosa
Frágil: Abrir Delicadamente
Edições Matrioska  10€

J.-M. Nobre-Correia | Média, Informação e Democracia

1-O que o motivou a reunir, agora, estes textos que estavam dispersos e foram escritos ao longo de mais de 20 anos?
R- A primeira razão é porque, enquanto fui professor universitário no ativo, com uma média anual de uns 900 alunos nas cinco cadeiras de que era titular, não dispus verdadeiramente de tempo para traduzir estes textos quase sempre escritos na origem em francês! E agora que disponho desse tempo, achei por bem propor aos leitores portugueses uma visão panorâmica da evolução tecnológica, económica e sociológica dos média na Europa, e do que isso implicou como mutação do jornalismo e das formas de tratamento da informação. Com as consequências que tal mutação tem no funcionamento da sociedade democrática.

2-Depois de reler e de rever os textos, quais as principais ideias que este livro apresenta aos seus leitores?
R- A partir dos anos 1960-70 assistimos a uma proliferação de média (muito particularmente em imprensa magazine, em rádio e em televisão) que se acentuou de maneira inimaginável com a digitalização das imagens e dos sons e com o aparecimento da internet nos anos 1990. Só que esta proliferação, que parecia anunciar um pluralismo nunca visto, veio redundar numa grande fragilização dos média e provocar uma enorme concentração da sua propriedade, assim como um largo empobrecimento da informação jornalística, no sentido forte do termo. Com a multiplicação das derrapagens e das instrumentalizações a que assistimos nestes últimos anos e que têm tomado por vezes dimensões preocupantes no que diz respeito ao futuro das nossas democracias…

3-Uma tendência habitual é procurarmos sempre as mudanças ocorridas na realidade. Mas, neste caso, perguntamos: no mundo dos media que tão bem conhece, o que persiste?
R- Há três clivagens que atravessam a história dos média de informação. A primeira é a que, na Europa Ocidental, separa claramente o mundo de cultura protestante daquele de cultura católica, sendo atualmente a taxa de penetração dos jornais nos países do Norte 8 a 9 superior à dos países do Sul (o mais pobre sendo precisamente Portugal). A segunda é que nos países de tradição protestante, os jornais são concebidos de maneira claramente “diferencialista” em função dos públicos-alvo a que se destinam, esta distinção da forma como do conteúdo sendo menos evidente no mundo católico. A terceira é a que consiste no facto que, desde o aparecimento da imprensa periódica em fins do século XVI-começo do XVII e de maneira mais evidente ainda desde a industrialização da imprensa no século XIX, a informação de qualidade nos planos fatual, interpretativo e analítico destina-se a um público com elevado poder de compra. A produção desta informação de qualidade, de referência, tem custos elevados, mas os meios dirigentes precisam dela e, desde logo, há sempre quem esteja disposto a pagar caro para ter acesso a ela, porque lhes é indispensável…
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J. M. Nobre-Correia
Média, Informação e Democracia
Almedina  22,90€

J.-M. Nobre Correia na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

Contra o politicamente correcto

Num tempo como o nosso em que prevalece o politicamente correcto, sabe bem recordar um conjunto muito alargado de piropos. Ainda bem que podemos ler um livro como este. Em primeiro lugar, porque os piropos também fazem parte do nosso património e é bom que haja um registo escrito e impresso que o guarde para memória futura. Depois porque muitos dos piropos aqui reunidos têm, de facto, imensa piada. 
O que mais surpreende neste livro é a quantidade de expressões reunidas nas treze categorias estabelecidas: desde "Piropos galantes, a delicadeza na língua" até "Piropos: faça você mesmo". 
Podemos dizer que há piropos para todos os gostos e para todas as ocasiões. Uns serão demasiado datados, outros ousados. Alguns podem fazer corar alguns. Mas, temos de reconhecer que a equipa que recolheu e organizou as dezenas de piropos nacionais aqui fez um trabalho sério e completo. Além de alguns mais brejeiros, podemos ler muitos outros que nasceram em filmes ou em livros.
Como aperitivo, aqui ficam três. Victor Hugo, o admirável escritor, escreveu em "Os Miseráveis": "É adorável, senhorita. Eu estudo os seus pés com um microscópio e a sua alma com um telescópio!". Ou ainda, neste caso no filme Casablanca, Ingrid Bergman afirma para Humphrey Bogart: "Aquilo foi o ribombar de um canhão ou é o meu coração a bater?". Finalmente um bem sugestivo: "Queres barrar a tua manteiga na minha torrada?".
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O Piropo Nacional
Guerra e Paz, 10€

José Alberto Salgado | O Cais das Incertezas

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «O Cais das Incertezas»?
R- O livro «O cais das Incertezas» é, para mim, o romance que eu gostaria de ler e que não encontrei nas livrarias. Fui lendo-o ao escrevê-lo e gostei. No fim, voltei a relê-lo, e mesmo sabendo o que acontecia na página seguinte, não podia evitar uma lágrima no canto do olho.

2-Qual a ideia que esteve na origem desta obra: apenas uma história de amor improvável ou algo mais tendo por cenário a Lisboa do tempo da 2ª grande guerra?
R- Quis contar uma história que fosse de amor, que é indispensável para que fosse um romance, e situei-a naquele período, porque queria falar da Lisboa dos anos trinta: da noite do Cais do Sodré, do clima pesado que se vivia naquela altura; dos refugiados judeus - a quem Salazar abriu as portas – que esperavam por um visto que nunca chegava, etc. O resultado foi uma história de amor, cujo final espero que agrade aos leitores.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Ainda é um embrião e não posso prometer nada, mas estou a trabalhar no próximo, que terá como cenário a cidade luz, dos anos oitenta, do século passado.
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José Alberto Salgado
O Cais das Incertezas
Guerra e Paz  17€

Filipe Homem Fonseca | A Imortal da Graça

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «A Imortal da Graça»?
R- Não consigo pensar nesses termos. Sei dizer que tentei tratar a questão da identidade de um ângulo diferente dos romances anteriores.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- A ideia de memória, de território, de hierarquia; a de que a perda de identidade não é necessária ao crescimento, antes pelo contrário.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Uma série de TV, uma longa-metragem, uma peça de teatro e um livro que não sei ainda se será um romance.
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Filipe Homem Fonseca
A Imortal da Graça
Quetzal  17,70€

Fátima Vivas | Transparências do Meu Olhar

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro “Transparências do Meu Olhar”
R-“Transparências do meu olhar” vem na senda do primeiro livro que eu publiquei: “Chuva de Poemas”. Comparando ambos, tem-se uma continuidade, natural. Seguem o mesmo rumo. São fruto de uma coerência, que é visível. Contextualizá-lo naquilo que é o conjunto do que crio, apresenta uma maior dificuldade. Tenho dezenas de cadernos manuscritos. Milhares de poemas estão ali guardados, esquecidos. Provavelmente nunca serão editados. Serão reserva minha e nada mais. Imagine-se uma barragem, alimentada por um nascente, que não seca nem no verão mais tórrido. A descarga de fundo, não dará vazão, na proporção em que a água chega. No caso da barragem seria dramático, ruiria. No caso da minha escrita, é só iniciar novo caderno. É tranquilo. Há quem pague a outrem para lhe escrever um livro. Há quem publique e o que publicou seja tudo o que escreveu. E depois há os outros, que escrevem de forma contínua. Porque escrever não é uma torneira que se feche, e acima de tudo fazemo-lo por nós, e para nós. Dar o que criamos a ler, é um outro passo às vezes difícil. Há naquilo que escrevo, uma coerência abrangente, que bebe do que é a própria coerência da pessoa que sou e da vida que vivo. Não uso de artifícios, nem produzo confinada a objetivos. Apenas me conduz a emoção.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R-Curiosamente, eu tinha decidido afastar-me. Não frequentaria as pequenas reuniões de poetas. Não iria a lançamentos de livros. Não mostraria o meu trabalho. Até desisti de uma entrevista numa rádio local. Achei que não tinha nada a dizer. Aconteceu que me convenceram a entrar num concurso de uma editora. Antes de enviar-lhes o livro, registei-o na DGAC. Não ganhei o concurso. Mas, registado como estava, tinha de aparecer. Foi por isso que o editei agora. Estou contente com o resultado.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Estou a escrever poesia, como sempre. Ando também às voltas com um tema que me é muito caro: A vida das esposas dos militares, quando eles se ausentam em missão. Não sei até onde irá. Vamos ver.
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Fátima Vivas
Transparências do Meu Olhar
Edição de Autor

HUGO VIEIRA COSTA


Hugo Vieira Costa iniciou a sua carreira profissional como jornalista (Diário Económico e Jornal de Notícias). Mais tarde dedicou-se à escrita de teor comercial ou promocional (no AICEP no Turismo de Portugal) e trabalhou na área de comunicação de um banco. Como músico, deixou a sua marca em bandas como os Líderes da Nova Mensagem e os Dr. Estranho Amor.
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1. O que é para si a felicidade absoluta?
R- Até agora, não faço ideia.
2. Qual considera ser o seu maior feito?
R- Não ter ganho nenhuma Bola de Ouro.
3. Qual a sua maior extravagância?
R- Ser modesto com quem não merece.
4. Que palavra ou frase mais utiliza?
R- Vaissandando - evita ter de me explicar a correr.
5. Qual o traço principal do seu carácter?
R- Não ter falta de.
6. O seu pior defeito?
R- Ser surdo quando rola uma bola na minha direcção e ouço os miúdos, ao fundo, a pedir que chute.
7. Qual a sua maior mágoa?
R- Não ter lido os sinais.
8. Qual o seu maior sonho?
R- Lerem-me.
9. Qual o dia mais feliz da sua vida?
R- Todos os dias antes do dia mais triste da minha vida. E mesmo esse dia, até cerca das três da tarde.
10. Qual a sua máxima preferida? 
R- "We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars" Oscar Wilde.
11. Onde (e como) gostaria de viver?
R- Uma casa numa árvore, do outro lado da montanha de uma grande cidade. Com transportes.
12. Qual a sua cor preferida?
R- Branco-infinitas-possibilidades.
13. Qual a sua flor preferida?
R- Não penso nessas coisas.
14. O animal que mais simpatia lhe merece?
R- Sr. Gato.
15. Que compositores prefere?
R- Originais.
16. Pintores de eleição?
R- William Blake, ignorado no seu tempo.
17. Quais são os seus escritores favoritos?
R- F. Scott Fitzgerald. Depois o Salinger, o Easton Ellis e os contos do Alexei Sayle e do Miguel Torga. Michael Lewis, também.
18. Quais os poetas da sua eleição?
R- Dylan Thomas. Pessoa.
19. O que mais aprecia nos seus amigos?
R- Aparentemente, não serem meus inimigos.
20. Quais são os seus heróis?
R- Mulheres com dois empregos e que ainda estudam à noite. As mulheres africanas que eu via apanhar transportes públicos em Londres às seis da manhã ou que apanham o primeiro cacilheiro. O mundo está cheio de heróis não cantados.
21. Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- Gente perfeita carregando um terrível segredo.
22. Qual a sua personagem histórica favorita?
R- Jesus Cristo, ainda hoje controverso.
23. E qual é a sua personagem favorita na vida real?
R- Tantas. A vida real é só personagens.
24. Que qualidade(s) mais aprecia num homem?
R- Honestidade.
25. E numa mulher?
R- Ter o dom de transformar, em si, os defeitos em qualidades e, nos outros, as qualidades em defeitos.
26. Que dom da natureza gostaria de possuir?
R- O dom da infinita beleza.
27. Qual é para si a maior virtude?
R- Justiça.
28. Como gostaria de morrer?
R- Sem me aperceber. Se me apetecer.
29. Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser? 
R- O gato de uma mulher bonita.
30. Qual é o seu lema de vida?
R- Um dia da caça, outro do caçador.

Hugo Vieira Costa na "Novoss Livros" | ENTREVISTAS

Alexandra Santos | Cão Educado, Dono Feliz

 
1-Para os donos de cães, qual a utilidade deste seu livro “Cão Educado, Dono Feliz"?
R- Terem acesso a soluções para os problemas mais comuns com que se deparam; a informação ser esquematizada, pormenorizada e de fácil leitura; poderem ler o livro todo, ou consultarem só os capítulos que lhes interessam.

2-Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- Senti que muita da informação que existe sobre treino é generalista e padronizada, falhando na abordagem a problemas concretos. Também me apercebi que muitos donos são mal orientados, ou procuram ajuda nos sítios errados e acabam por ser mal informados e cometer erros. Outra ideia que esteve na origem deste livro foi querer comunicar com o leitor e passar-lhe informação de forma intimista, como se o tivesse à minha frente e lhe conseguisse transmitir que entendo todas as suas dificuldades e frustrações.

3-Consegue escolher os 3 melhores conselhos a dar a um dono de um cão?
R- Ensiná-lo pela positiva, pois as punições estão na origem de vários problemas de agressividade; ser previsível e coerente; ter como critério de escolha (antes da aquisição) a compatibilidade entre o seu estilo de vida e as necessidades físicas e emocionais do cão, e não a aparência física do cão.
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Alexandra Santos
Cão Educado, Dono Feliz
Esfera dos Livros  14€

Pedro Oliveira Leite | Estava Morto Mas Não Estou

1-Qual a ideia que esteve na origem da escrita destes livro?
R- Uma questão muito pertinente. A minha recuperação possível foi muito longa: quatro anos. Internamentos hospitalares, sucessivas consultas médicas de diversas especialidades, entre muitos outros.  E é aqui que encontramos muitos doentes e familiares, em consultórios médicos ou em corredores hospitalares, com problemas semelhantes ao meu, ou diferentes. Baixando os braços, resignando-se, desistindo.  Não posso mudar o mundo, mas posso escrever na primeira pessoa que muitas vezes é possível fazer algo. É normal por vezes estarmos mais em baixo... Não podemos é deixar de acreditar em nós, nem nunca desistir. E por isso resolvi relatar a minha história de vida em livro, para poder chegar ao maior número possível de seres humanos, com o objetivo de os inspirar em tudo na vida.  

2-As circunstâncias relatadas testaram, certamente, todos os seus limites de resistência: em algum momento admitiu desistir?
R – Sim. Sou um ser comum mortal, e claro que algumas vezes pensei em desistir, tal era o desespero instalado na minha mente. Quando caímos “no fundo do poço” e demoramos muito tempo a sair, por norma as pessoas afastam-se ou vão-se afastando. Quando estamos a ficar conscientes e nos apercebemos, é uma dor indescritível. Valeu-me a minha resiliência, aceitação, familiares mais próximos, e um ou outro amigo, que se manteve fiel. 

3-Do que viveu e da forma como lutou, que lições de vida mais úteis podemos reter? 
R- Ter a noção que podemos ter uma presença muito mindful no nosso dia a dia. Como seres humanos, sabermos que podemos ver a vida com os horizontes muito mais abertos, familiarmente estar muito mais presente e desfrutar do crescimento dos nossos filhos. E Gostar de nós como somos independentemente das sequelas que ficaram.
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Pedro Oliveira Leite
Estava Morto Mas Não estou
Contraponto  15,50€

José Viale Moutinho | Literatura Tradicional Portuguesa. Uma Antologia

1-Qual a ideia que esteve na origem desta antologia, «Literatura Tradicional Portuguesa»?
R-Há mais de trinta anos que tenho vindo a trabalhar na tradição oral portuguesa, de que vou publicando alguns volumes – Adivinhas Populares Portuguesas, Contos Populares Portugueses, O Grande Livro das Tradições Populares Portuguesas, O Grande Livro das Lengalengas, A Alma aos pés de Baco, O Comer e o Beber na boca dos Portugueses, À Lareira, etc. Inclusive em 2017 saiu em Espanha, na excelente editorial Siruela, um livro meu de contos populares portugueses que, curiosamente, foi a primeira obra portuguesa do género publicada no estado vizinho. No entanto, por cá foi o silêncio absoluto, apesar de lançada na feira do livro de Madrid dedicada a Portugal. Com este novo livro interessava-me disponibilizar às novas gerações uma antologia suficientemente abrangente com amostragens dos diversos campos da expressão popular. Aqui podem ser encontrados cancioneiro, romanceiro, provérbios, contos, adivinhas, peças de teatro, orações, lengalengas, etc. E também uma ampla bibliografia que é como que um guia para exploração. 

2-O campo de partida da literatura tradicional portuguesa é imenso: que critérios usou para depurar a escolha e chegar a este texto?
R-O critério foi apenas um: o movimentar-me entre as mais fidedignas peças da literatura tradicional portuguesa, quer bibliograficamente quer valendo-me das recolhas que sempre fui fazendo. Recordo, no entanto, que este tipo de trabalho tem como uma das suas regras aquela de quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto! Infelizmente, há quem esqueça isto como se a tradição fosse algo petrificado.

3-De tudo o que leu e escolheu, consegue indicar aos leitores algum texto que ainda hoje o surpreenda?
R-Diria que o que me surpreende é a ignorância que subsiste em torno destes temas como se fosse possível restringi-los a trabalhos académicos ou reduzi-los a materiais para crianças, ficando de fora toda sociedade remanescente. Esta sim, surpreende-se com um provérbio, uma adivinha ou a lenda de uma moura encantada.  Bem eu disse que que essa gente me surpreende, não foi? Na verdade, deixa-me perplexo!
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José Viale Moutinho
Literatura Tradicional Portuguesa. Uma Antologia
Temas e Debates. 24,40€
José Viale Moutinho na "Novos Livros" | Entrevistas

Vergílio Alberto Vieira | Cleptopsydra

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro Cleptopsydra?
R-Tomando à letra o (pre)conceito de que não há poetas sem obra, é provável que este livro (des)Oriente os leitores de Camilo Pessanha, com a atenuante de que apenas acrescenta um ponto à edição de Todo o trabalho toda a pena (2016), título de recorte camoniano,  encontrado para servir de capa & espada aos livros por mim dados à estampa entre 1980 (A idade do fogo) e 2015 (Halo y tangência). Trocando a letra pelo espírito, poder-se-á dizer que Cleptopsydra não passa de expediente para fazer subir ao palco o fingidor – com direito a palco depois de cair o pano. Dito de outro modo, Pessanha teria boas razões para desdenhar 

que alguém o homenageasse: por um lado, re-escrevendo o livro que, à distância de um século, continua a ser obra maior da poesia portuguesa; por outro,  recorrendo a  qualquer tipo de louvação (comemorativa ou não) que, em nome da seriedade e da beleza de que Hamlet falava a Ofélia, sequer exaltasse o engenho da arte poética que lhe custou: “lágrimas sete vezes salgadas”. Nessa ordem de ideias, e porque a essencialidade de Clepsydra não deixou de ser nascente de que emana a água viva que anima o caminhante, é que me habilitei a demandar a obra de Pessanha, levando ao limite a transtextualidade, ou transcendência textual genettiana, referida no prefácio de Ernesto Rodrigues, sem perder de vista a tentativa de aportar ao Oriente em busca daquele Oriente de nós, que os aztecas descobriram, lendo o destino numa folha de figueira.

2-Qual a ideia que teve na origem este livro?
R-Lido na adolescência, altura em que, por tudo (e por nada) nos sangra o coração, Pessanha passou a ser alguém cujo rosto não pára de nos olhar, seja pelo facto de a Clepsydra ter nascido sob o signo da estrela que leva os poetas a ver a luz em “um país perdido”, seja por vir a tornar-se libro de arena de um poeta que, a bem dizer, nunca soube “nada” da sua poesia a não ser, como reconheceu Nemésio ”o que nela disse”. Por tudo isto, dar curso ao impulso criador desta Cleptopsydra – pre-texto textual já em Crescente Branco (2004) revisitado - não foi apenas insistir na redescoberta de Clepsydra com a intenção de decifrar que “indício claro” respondera, há um século, pelo homem e pela obra, mas interiorizar um outro modo de ler Pessanha, e qual a finalidade da errância do nómada, que fez de Macau o oriente de quantos orientes se procuram, colhendo amargamente a flor do ópio, em campo, não menos aberto que o dos Fuzilamentos de Goya.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Em boa verdade, neste momento estou a assinar o livro de bordo do veleiro a que foi dado o nome de Novos Livros. A pensar no futuro, e atendendo a que o futuro é já amanhã, quando muito depois de amanhã, como anotou Iosif Brodskii (1940-1996), tenho vindo a reincidir na diarística, enquanto pela foz do Cávado vou sondando a possibilidade de vir a semear vento em terra alheia.
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Vergílio Alberto Vieira
Cleptopsydra
Crescente Branco

Vergílio Alberto Vieira na "Novos Livros" | Entrevistas