Diga não ao cruel comércio da morte.

Nobel para Saramago: 20 anos depois


A Fundação José Saramago tem um programa completo para assinalar os 20 anos da atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao autor de Memorial do Convento.
Lisboa, Lanzarote e Azinhaga são três espaços privilegiados para acolher diversas iniciativas. Será ainda lançado um livro inédito: o Último Caderno de Lanzarote, o diário de José Saramago no ano que se seguiu ao Nobel.
Além disso, esta efeméride pode e deve servir para servir de estímulo à leitura dos livros de José Saramago que pode encomendar aqui.
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WEB: Fundação José Saramago

Richard Zimler | Os Dez Espelhos de Benjamim Zarco (primeira página)

Como começa o novo romance de Richard Zimler? Não sabíamos. E por isso aqui fica a página um do novo romance que o autor acaba de publicar: Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco.

Richard Zimler | Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco»?
R- É uma oportunidade de entrar mais uma vez no mundo paralelo dos Zarco – que comecei a construir com o meu primeiro romance – e contar uma história que me parece fascinante e comovente.  Mais do que qualquer outro livro meu, é também uma oportunidade para o leitor preencher a história com a sua própria sensibilidade e inteligência, uma vez que é contada de cinco perspectivas diferentes. 

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
A ideia de explorar como é que transmitimos os nossos traumas à nossa família, particularmente aos nossos filhos, sem o querer. Ou seja, os sobreviventes do Holocausto – como os dois protagonistas deste livro – tentam evitar que os filhos sejam sobrecarregados com as suas fragilidades e medos provocados pelo sofrimento durante a Segunda Guerra Mundial, mas nem sempre têm sucesso. No fundo, queria explorar como é que ultrapassamos os nossos traumas.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Estou a escrever mais um romance sobre uma geração dos Zarco.  Os personagens do livro vivem em Portugal durante o século XVII.
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Richard Zimler
Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco
Porto Editora, 17,70€
WEB

Filipa Fonseca Silva | Odeio o Meu Chefe

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Odeio o Meu Chefe»?
R- Não foi bem uma ideia, foi mais a constatação de que ,tal como eu a da da altura, muita gente estava a sofrer ou já tinha sofrido com maus chefes. Quanto mais falava do assunto, mais histórias surreais me contavam, ao ponto de começar a coleciona-las e decidir mostrá-las na forma de um cartoon.

2-Este livro pode ser considerado um livro de auto-ajuda em contexto empresarial?
R- Pode ser de auto-ajuda se considerarmos que rir é uma maneira de lidar com os abusos de certas chefias. Ou se nos consolarmos com o facto de não estarmos sozinhos nesse sofrimento. Também poderia servir de auto-ajuda para muitos maus chefes, se estes tivessem a capacidade de se ver ao espelho neste personagem que criei e que não é mais do que uma caricatura com um pouco de todos os maus chefes que protagonizaram as histórias (absolutamente reais) descritas no livro.

3-Enquanto não desaparecem, como podemos lidar com chefes que odiamos: quais os seus 3 melhores conselhos?
R- Há três estratégias que podem ajudar muito: (1) dizer que sim a tudo o que ele diz, como se faz com os malucos, e depois fazer o que achamos correcto, até porque na maioria das vezes ele não sabe o que andamos efectivamente a fazer; (2) apresentar-lhe ideias ou soluções de forma a que ele ache que foi ele que as teve e assim aprovar o trabalho; (3) fugir. Sei que não é fácil e nem sempre é possível, mas ele não vai melhorar, acreditem.
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Filipa Fonseca Silva
Odeio o Meu Chefe
Bertrand  15,50€

Filipa Fonseca Silva na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

500 MIL visitantes

A nossa revista começou a publicar-se online em Junho de 2001 e, em Maio de 2008, adoptou a plataforma do Blogger e assumiu o formato de um blogue. 
Foi um percurso lento, com os nossos leitores, com os autores e com os editores. 
Ontem, 27 de Setembro de 2018, chegámos a um número de visitantes que nos deixa muito felizes e que, em 2001, não imaginávamos ser possível alcançar. 
Temos vindo a crescer de uma forma lenta mas segura e a conquistar novos leitores, sendo já mais de 20 mil os que, mensalmente, visitam a página da revista.
Ontem, ultrapassámos os 500 mil visitantes contabilizados desde 2008. 
Obrigado a todos os que ajudam a fazer o projecto Novos Livros.

Grandes Clássicos da Língua Portuguesa

1-Como surgiu a ideia de organizar esta antologia de pequenas histórias dos grandes clássicos?
R- Sempre gostei muito de literatura, e embora tenha formação em Filosofia, sempre me interessei pelas duas coisas, que procuro conciliar. Dentro da literatura, gosto especialmente de histórias, que me façam sonhar e criar mundos de imaginação. Por falta de tempo não poderia ler todos os romances destes escritores, mas as pequenas histórias são uma forma de aceder a esses escritores. Por outro lado, tenho tido uma certa experiência com a aorganização de antologias, por isso pensei em fazer também uma de pequenas histórias de autores portugueses. Atualmente as pessoas andam muito entretidas com autores que estão na moda, autores mediáticos, e que certamete não ficarão na História da Literatura, e considero uma lacuna no conhecimento das novas gerações, o conhecimento dos autores clássicos. Penso que é importante conhecer também os clássicos, pois é uma forma de tomarmos maior consciência da nossa identidade cultural e de  mergulharmos um pouco mais nas nossas raízes.

2-Quais os critérios que presidiram à escolha dos 25 autores e dos seus contos?
R- O principal critério já foi referido na resposta anterior, isto é, tinham que ser autores clássicos. Esta forma de texto literário (que geralmente se denomina "conto", mas que, conforme eu explico no prefácio do livro, não é exactamente a mesma coisa), só surgiu no século XIX, e foi a partir daí, até mais ou menos à primeira metade do século XX que eu procurei as histórias escritas por esses autores. De entre os clássicos, e dado que não é sobre autores contemporâneos, não havia muitos autores, pois houve muitos autores que escreveram apenas poesia ou romances, e não pequenas histórias. Mas dentro das pequenas histórias seleccionadas, o critério foi também o considerar que essas histórias tinham qualidade literária. Há também a referir que procurei como critério que algumas dessas pequenas histórias fossem das mais conhecidas e populares desses escritores, como por exemplo "O suave milagre", de Eça de Queirós. Finalmente, é de referir o critério da variedade, isto é, procurei diversos temas, e em vez de serem por exemplo histórias de Natal, de amor, de  terror, etc, houve a preocupação de procurar e seleccionar uma variedade de temas. Através deste livro não apenas a variedade de temas, como também literária e estilística.

3-Pensando no futuro: tem em preparação mais antologias ou obras pessoais?
R- Estou a aguardar a publicação de um novo livro, uma obra de ensaio que escrevi, sobre a dicotomia público-privado, e que vai ser publicado ainda este ano, na editora Almedina. Estou a preparar mais dois livros. Um deles é sobre a política em Fernando Pessoa (autor pelo qual me interesso em todas as suas várias facetas, e pretendo no futuro investigar outros temas em Fernando Pessoa). Estou a preparar outro livro, que está a ser muito interessante e absorvente (que interrompi apenas para responder a estas perguntas, e na qual vou pegar de novo assim que acabar de responder a estas perguntas). Trata-se de uma tradução que estou a fazer de poemas satíricos do Cancioneiro Medieval Galaico Português. Estão publicado, mas em Galaico-Português, um português arcaico, misturado com Galego, e portanto ainda não estão traduzidos  em Português, que é o que eu estou a fazer (uma selecção de entre os poemas satíricos). O tema é muito interessante, e vai ser uma grande revelação para o público português, ao descobrir que a Idade Média afinal não é tão "santa" como se pensa. É uma sensação muito interessante esta viagem até à Idade Média, ao estar a traduzir poemas do século XIII, e o seu carácter satírico tem-me causado boa disposição, assim como causará em quem os ler.
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Vários Autores, Pequenas Histórias dos Grandes Clássicos da Língua Portuguesa
(Organização: Victor Correia)
Guerra e Paz  16,50€

Lucília Galha | Mãe, Porque Não Gostas de Mim?

1 - Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro “Mãe, Porque Não Gostas de Mim?”?
R-A premissa que está na base deste livro tem a ver com o alegado incondicional amor de mãe, com a desconstrução de uma visão muito romântica da maternidade que ainda existe na nossa sociedade. A ideia era encontrar histórias em que este amor de mãe pode não existir e tentar explicar as razões pelas quais isto pode acontecer. Não é tão simples como existirem “boas” ou “más” mães. Quisemos, eu em conjunto com o editor, fazê-lo da perspectiva dos filhos para perceber que impacto e que consequências é que este “vazio” pode provocar na vida de uma pessoa. 

2 - Como jornalista, o que aprendeu com os testemunhos que integram este livro?
R-Que a realidade não é linear e que a bipolarização entre o “bom” e o “mau” nem sempre faz sentido. Que estas mães retratadas na terceira pessoa, pelos seus filhos, se calhar não tiveram condições para fazer melhor, para dar mais, pelas circunstâncias da sua vida. Que há mulheres que não nasceram para ser mães e não deviam ser pressionadas pela sociedade, ou pelos terceiros, para o fazerem. Que é possível ultrapassar, apesar de com muita mágoa, este vazio provocado pela falta do amor de mãe através de apoio profissional e de outras figuras importantes e que ajudem a colmatar essa lacuna.

3 - Sendo mãe, como espera que a sua filha venha a ler este livro daqui a uns anos?
R-Gosto de escrever e de reflectir sobre temas difíceis, duros, alguns mesmo tabus, porque me dão mundo, ajudam-me a pôr as coisas em perspectiva, me enriquecem enquanto pessoa e enquanto profissional. Espero que, quando tiver maturidade, a minha filha leia este livro com esta mesma visão e que a ajude também a ser e a fazer melhor. 
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Lucília Galha
Mãe, Porque Não Gostas de Mim?
Esfera dos Livros  12€

Luís Osório | Mãe, Promete-me que Lês (primeira página)

Há quem diga que um romance se define pela sua primeira frase, pela sua entrada. Pode ser discutível, mas é uma ideia tentadora. Aqui fica, em primeira mão, a página um do novo romance que Luís Osório acaba de editar na Guerra & Paz: Mãe, Promete-me que Lês.

Luís Osório | Mãe, Promete-me que Lês

1-O que representa no contexto da sua obra, o livro «Mãe, promete-me que lês»?
R- É um livro em que, depois de “A Queda de um Homem”, continuo a ir ao encontro de uma ideia em mim essencial, a ideia de que a literatura/criação é o único lugar possível, como diria Borges o único lugar capaz de oferecer uma ordem ao mundo. É o meu livro mais literário, que mais pretende radicalmente marcar uma fronteira entre um antes e um depois daqui. É também um livro que, à semelhança do meu primeiro romance, aposta na ideia de que não há interesse numa literatura de onde se sai exatamente igual ao que se entrou. No contexto dos livros que publiquei, esta carta a minha mãe é também uma carta ao que em nós (eu e leitores) é vontade de mergulho, abismo e luz.  

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- A minha mãe morreu há dez anos. E a ideia foi crescendo ao longo dos últimos anos. Quis a providência (ou alguém por ela), que me fosse parar às mãos a carta à Mãe escrita por George Simenon. Li-a depois do entusiasmo com os seis volumes de Knausgaard (A Minha Luta) e, claro, com a importância na minha adolescência  da carta ao pai, de Kafka. Foi como se sentisse que tinha de ser, este livro tinha de nascer – assim como a urgência de fundir a literatura com a realidade, de contaminar uma com a outra, de baralhar as contas e provocar o leitor para uma dança arriscada.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- No próximo ano será editado um livro de entrevistas, “30 Portugueses, 1 País”, resultado de 30 conversas com figuras portuguesas fundamentais. O livro será também editado pela Guerra e Paz e assinala os 20 anos da publicação do meu primeiro livro, 25 Portugueses (também um livro de entrevistas). E começarei brevemente a escrever o meu próximo romance que, muito provavelmente, será editado em 2020.
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Luís Osório
Mãe, Promete-me que Lês
Guerra e Paz   14,90€
Luís Osório na "Novos Livros"|ENTREVISTAS

Relembrar Augusto Abelaira (1926-2003)

“Augusto Abelaira, um amigo também”: este é o mote da sessão que decorrerá no Auditório da Biblioteca Nacional (Lisboa), no dia 19 de Setembro, pelas 18h.
Este encontro decorre no âmbito da exposição “Augusto Abelaira e o continuum narrativo”, patente na BNP até 29 de Setembro, e contará com as intervenções da jornalista Maria Antónia Palla (“Augusto Abelaira, um amigo também”) e do professor da Universidade de Aveiro Paulo Alexandre Pereira (“Outrora, agora. Ler Augusto Abelaira hoje”).

SOBRE A EXPOSIÇÃO

Esta exposição evocativa de Augusto Abelaira (1926-2003) pretende mostrar ao público em geral o seu espólio incorporado na BNP, entre 2004 e 2015, por doação da sua filha, Ana Sílvia Abelaira.
A exposição é composta por cinco núcleos. Num primeiro, situa-se o escritor no quadro familiar, mostram-se os escritos da sua infância e juventude, designadamente os jornais autógrafos que o jovem Abelaira preparava e fazia circular em família.
O segundo, que cobre um período que vai dos anos 40 a 1959, mostra, por um lado, os interesses culturais e as sociabilidades de Augusto Abelaira e, por outro, as suas primeiras obras, inéditas, os primeiros textos publicados (poesia e ensaio), os registos dos seus percursos académico e profissional, bem como do seu envolvimento cívico e político. 
O terceiro núcleo, cujas balizas cronológicas vão de 1959 até 1974, abre com a primeira obra publicada, em edição de autor, A Cidade das Flores, ao mesmo tempo que mostra os processos de trabalho subjacentes a algumas das reedições. Apresentam-se também as primeiras edições da sua ficção (romance e teatro), publicada nesse período. 
Ainda neste núcleo, expõem-se aspetos da atividade cívica do escritor, tais como a participação no júri que atribuiu o 1.º prémio a Luuanda, de Luandino Vieira, e que levou ao encerramento compulsivo da Sociedade Portuguesa de Escritores, a sua passagem pela direção da revista Seara Nova e os trabalhos para a edição das Obras completas de António Sérgio. 
No quarto núcleo, a partir de 1974, assinala-se o Abelaira cronista a par do ficcionista. Sublinha-se ainda a sua passagem pela redação do jornal O Século, pela direção da revista Vida Mundial, bem como a participação em O Jornal e no JL. Jornal de Letras, Artes e Ideias. 
Completa-se a exposição com as suas traduções, prefácios e revisões técnicas, e uma seleção de teses académicas sobre a sua obra literária. Por último, evocam-se os cafés, locais de trabalho e de tertúlia de eleição para Augusto Abelaira. (Texto da Biblioteca Nacional; desenho de João Abel Manta.)
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Biblioteca Nacional
Campo Grande, 83
Lisboa. Portugal

HERNÂNI CARVALHO

Hernâni Carvalho nasceu em 1960. A sua formação é Psicologia mas a carreira que abraçou foi a de jornalista. Destacou-se, na RTP, pelas suas peças sobre as reportagens de guerra no Afeganistão, Bósnia, Gana, Honduras, Paquistão e Timor. Outras presenças na televisão (SIC e TVI) também fazem parte do seu percurso. Na imprensa escreveu no Correio da Manhã, no Independente, na Sábado e na TV Mais. Recentemente publicou o O Índice de Maldade.   Anteriormente já tinha publicado um romance (Azul Suai) e três livros de não-ficção (Madie 129, Terroristas e Morrer em Times Square).
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1. O que é para si a felicidade absoluta?
R- Um dogma
2. Qual considera ser o seu maior feito? 
R- Sobreviver
3. Qual a sua maior extravagância? 
R- Um relógio
4.Que palavra ou frase mais utiliza? 
R- Vamos com calma
5. Qual o traço principal do seu carácter? 
R- Lealdade
6. O seu pior defeito? 
R- Não me esqueço!
7. Qual a sua maior mágoa?
R- Pagar impostos injustos
8. Qual o seu maior sonho? 
R-Não precisar de trabalhar 
9. Qual o dia mais feliz da sua vida? 
R-A minha Vida ainda não terminou…
10. Qual a sua máxima preferida? 
R- Olho por olho…
11. Onde (e como) gostaria de viver? 
R- No campo, sem ter de trabalhar
12. Qual a sua cor preferida? 
R- Azul
13. Qual a sua flor preferida? 
R- Lírios
14. O animal que mais simpatia lhe merece?
R- Coruja
15. Que compositores prefere? 
R- De Wagner a Tchaykovsky, de Emerson Lake & Palmer a Procol Harim, de a Elton John a Queen…
16. Pintores de eleição? 
R-Salvador Dali
17. Quais são os seus escritores favoritos? 
R- John Steinbeck
18. Quais os poetas da sua eleição? 
R- Não tenho
19. O que mais aprecia nos seus amigos? 
R- Amizade
20. Quais são os seus heróis? 
R- O meu pai, Bernardo de Claraval, Santo Condestável
21. Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- Não tenho
22. Qual a sua personagem histórica favorita?
R- D. Diniz e D. João II
23. E qual é a sua personagem favorita na vida real? 
R- O meu pai
24. Que qualidade(s) mais aprecia num homem? 
R- Amizade
25. E numa mulher? 
R- Amizade
26. Que dom da natureza gostaria de possuir? 
R- Não tenho a pretensão de me igualar à Natureza
27. Qual é para si a maior virtude? 
R-  Lealdade
28. Como gostaria de morrer? 
R- Com um inopinado ataque de coração. Rápido!
29. Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?
R- Não me apanham cá outra vez
30. Qual é o seu lema de vida? 
R- Quercus Robur Salus Patria
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Hernâni Carvalho na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

Joana Bértholo | Ecologia

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Ecologia»?
R- O livro mais recente é sempre o mais importante, porque representa um avanço em relação às investigações e aprendizagens conseguidas com os livros anteriores. Só podia ter escrito o «Ecologia» depois de «O Lago Avesso» e, de outra forma, depois do «Inventário do Pó». No entanto, sinto que, com este livro, volto ao início. Talvez, quem sabe, fechando assim um ciclo. Isso não sei ainda. O que é certo é que, com o «Ecologia», retomo a inquietação que me levou a escrever os «Diálogos para o Fim do Mundo», o meu primeiro romance, publicado na já longínqua década do ano de 2009. Já vivia com imensa perturbação o tema das alterações climáticas, nessa altura, e hoje, quase 10 anos depois, não só nada mudou, como me parece tudo pior. Em termos de consciência, e de negligência. Noutro dia, numa entrevista, dei por mim e dizer uma coisa que, ainda que surpreendente, me pareceu certa: o «Ecologia» é o livro que eu queria ter escrito em 2009 mas não era capaz. Levou-me 10 anos e tantos outros livros, mas algo se cumpre agora.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Desde que me lembro que me inquietam estes fenómenos que normalmente agrupamos como aquecimento global. Além da ciência que quantifica (as espécies que se extinguem, as calotes glaciares que derretem, etc) interessam-me e fascinam-me os processos cognitivos, sociais, culturais, que levam indivíduos em tudo o resto sãos, a desligar-se do seu próprio entorno material, daquilo que lhes dá sustento, chão, casa. Uma neurose que, a meu ver, não está longe de um longo e silencioso suicídio colectivo.  Há uns anos, acompanhei a luta dos agricultores e activistas ambientais contra os grandes laboratórios (Monsanto, Du Pont, Syngenta, Bayer) que querem patentear as sementes agrícolas. Querem ser os donos de uma semente específica, que existe na terra há milhares de anos como património comum, que sempre foi grátis, e quem a queira usar tem de lhes pagar a eles para poder usar uma coisa que, milenarmente, é de todos. Já se vê que é daqui - deste absurdo - que nasce o «Ecologia». É a mesma lógica. O que também quer dizer que aquilo que acontece na minha distopia fantasista, já acontece no nosso mundo, é muitíssimo real. Além de tudo isto, sabia que tinha de falar de dinheiro. Nalgum momento das minhas leituras e reflexões, entendi que não há pensamento ecológico sem se encarar plenamente a questão da usura, da corrupção, do lucro. Todos os crimes ecológicos que possamos aqui debater giram em torno de interesses económicos. É o pináculo da nossa hierarquia de valores, e a própria terra vem depois, como recurso para gerar dinheiro, e não como lar, como casa, como mãe primordial. É absurdo. E é esta, para mim, a principal inversão da nossa sociedade (nisto) doente. E é de tudo isto que nasce o «Ecologia».

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Esperam-me alguns meses consagrados ao teatro. Vou começar agora os ensaios da minha primeira peça longa, o «Quarto Minguante», que estará em cena no Teatro Nacional D. Maria II em Novembro e Dezembro deste ano, com encenação de Álvaro Correia. Logo a seguir, já tenho uns quantos convites para escrever outras peças, e vou estar dedicada a isso. Não imagino que haverá outro romance em breve, por muitos motivos, sendo que o principal é eu ser uma escritora "lenta". Levo muito tempo em leituras e investigações. É o que já ando a fazer. Mas, como disse antes, alguma coisa se fecha com o «Ecologia», e eu não sei bem o quê. Agora é tempo de esperar e escutar, até perceber o que me compete fazer neste depois. 
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Joana Bértholo
Ecologia
Editorial Caminho  23,90€

Joana Bértholo na "Novos Livros" | Entrevistas

Eduardo Cintra Torres | Televisão do Século XXI

1-Durante anos, dissemos que a televisão era a caixa que tinha mudado o mundo. E hoje?
R-Foi a caixa que mudou o mundo, em quase tudo para melhor. Mas a Revolução Digital pôs em causa essa primazia. A diversificação de meios e de fontes é positiva.

2-Do seu ponto de vista, o que é a televisão do século XXI?
R-É um dos mais importantes media, o mais importante em muitas partes do mundo, embora menos nos países mais desenvolvidos. Tem uma linguagem própria e conteúdos próprios, que se libertaram dos constrangimentos técnicos (o televisor) e em parte dominam nos outros media. Muito do que se vê na Internet (que não é um media, é um meio técnico de produção e disseminação) foi pensado e produzido como conteúdos em linguagem televisiva e de acordo com os padrões anteriores dos conteúdos televisivos. Por isso costumo dizer que as pessoas que dizem que não vêem televisão, sim, vêem televisão por outros meios. Não vêem no televisor. E não só conteúdos feitos como televisão, também conteúdos de televisão mostrados em parte ou no todo noutros meios de informação e comunicação disponíveis na Internet. A luz intensa das novidades tende a obscurecer as permanências. No caso, verifica-se que a importância da televisão ainda é transversal. Diminuiu a importância das instâncias institucionais da televisão, as empresas e canais. Por exemplo, a RTP perdeu nove décimos da sua audiência em 25 anos; os beneficiários, TVI e SIC, estão a perdê-la agora, não só para o cabo, que também é TV, mas para outros e diversificados meios.

3-De certa forma, poderemos dizer que somos nós (os nossos novos hábitos e novos comportamentos) que estamos a mudar a televisão e a criar , como refere no livro, "as televisões”?
R-Sim. Os espectadores e consumidores, sendo-lhes dada a diversificação, tomam opções que alteram o panorama audiovisual. Dentro de pouco tempo (um, dois, três anos?), o poder político será confrontado com o que fazer com a RTP, por exemplo. Se o tivesse feito há doze anos ou há sete anos, como eu e outros propusemos, teria o problema resolvido. Mas o afã de controlar e de impor modelos à RTP (que esta tem apreciado) levaram à sua menorização por escolha dos espectadores.Nos operadores generalistas sabem qual é o seu destino: a irrelevância ou quase. Mas, dado que a actividade ainda é lucrativa, vão-na continuando, da mesma forma que os comboios a vapor continuaram enquanto não se alargasse a rede ferroviária eléctrica. Vão tendo de adaptar os conteúdos ao público disponível, e isso significa quase sempre afastar ainda mais os que se iam afastando dela. Procuram alargar o seu alcance através do cabo e da Internet, o que é um paliativo no que toca ao carácter dos conteúdos. A “televisão”, enquanto sinónimo de TV generalista, foi substituída, ainda sem a matar, pelas “televisões”, incluindo os conteúdos, alguns excelentes, feitos fora do enquadramento das generalistas e mesmo das de cabo. Não é que eu deseje a morte da generalista ou até das televisões, como não se deseja a morte de um parente. É apenas aceitar a realidade. O comboio a vapor é uma curiosa e nostálgica maravilha, mas só às vezes.
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Eduardo Cintra Torres
Televisão do Século XXI
Universidade Católica Portuguesa. 5€

Jorge Remondes | Marketing Highlights. O Presente e o Futuro

1 - Qual a ideia que esteve na origem deste livro “Marketing Highlights”?
R - A ideia deste novo livro de marketing em Portugal foi abordar não todas, mas 10 das áreas de aplicação do marketing mais relevantes no presente e com uma tendência crescente de importância no futuro. Tal ideia só poderia ser concretizada se desenvolvida com a colaboração de vários especialistas em cada uma das áreas, a saber, Ana Canavarro (Marketing de Retalho), António Paraíso (Marketing de Luxo), Carolina Afonso (Marketing Verde), Danuta Kondek (Marketing de Exportação), Isabel Marques (Marketing Turístico), Jorge Lopes (Marketing Cultural), Jorge Remondes (Marketing Interno), Leonor Reis (Marketing Pessoal), Paulo Madeira (Marketing Ético) e Sandra Alvarez (Marketing Digital).

2 - Como este livro comprova, o Marketing está mesmo a chegar a todas as áreas da actividade humana e das organizações. Mas, será que consegue manter um perfil ético de actuação?
R - O facto do marketing chegar a todas as áreas e organizações é uma evidência da sua importância para a gestão e profissionais. Por isso, só poderá e deverá ser ético.

3 - Que pistas lança este livro para o marketing do futuro?
R - Em cada uma das 10 áreas analisadas foram identificadas implicações para o futuro. Aqui seria demasiado extenso e moroso explanar todas as pistas, mas destaco o facto de o digital ser uma variável comum a todas as áreas de aplicação do marketing assim como a necessidade de olharmos para mercados cada vez mais vastos, sempre com uma estratégia de segmentação, branding e posicionamento adequada.
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Jorge Remondes (org.)
Marketing Highlights. O Presente e o Futuro
Chiado  17€

Teolinda Gersão: "Histórias de Ver e Andar" (2002)


É um impressionante fresco da actual sociedade portuguesa, este Histórias de Ver e Andar, o primeiro livro de contos que Teolinda Gersão escreve em duas décadas de vida literária. São catorze pequenas histórias, muito diferentes entre si, mas que se conjugam como retalhos impressionantes de um país em mudança.
Com uma fina ironia – e, sobretudo, com uma enorme acutilância –, a autora traça retratos fiéis dos portugueses: o executivo egoísta preocupado com a sua segurança; a velha senhora que engana a solidão a passear de eléctrico, ou as jovens colegiais arquitectando um plano para matar uma colega só para aparecerem na televisão e ficarem famosas são exemplos marcantes.
Depois de belos romances como Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo (1982), Os Guarda-Chuvas Cintilantes (1984), O Cavalo de Sol (1989), A Casa da Cabeça de Cavalo (1995), A Árvore das Palavras (1997) ou Os Teclados (1999) – alguns deles distinguidos com vários prémios literários – Teolinda Gersão estreia-se no conto. De forma excelente.
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Novos Livros - Quando, em Março de 2000, publicou «Os Anjos», já estava a escrever um livro de contos. É este?
Teolinda Gersão - Sim, este é o livro de contos que eu já estava a escrever em Março de 2000.
P – Em mais de duas décadas de vida literária, porquê só agora o primeiro livro de contos?
R – Só agora surgiu este livro porque me sinto muito vocacionada para escrever romances, que foi o que tive vontade de fazer até agora. No romance há tempo e espaço para desenvolver personagens e conflitos, criar ambientes, fazer a acção passar de uma situação a outra. Tudo isso me fascina, porque penso que tenho o sentido do espaço e da dinâmica das coisas. O romance é ‘musical’, como uma sinfonia (a minha ligação com a música é funda e antiga e surge tematizada na ficção por exemplo em «Os Teclados»). O conto é um mundo diferente, que requer outro modo de contar.
P – Referiu várias vezes que escrever contos é difícil. Em que reside essa dificuldade, para uma escritora habituada ao grande fôlego do romance?
R – A dificuldade do conto é antes de tudo a condensação. Não é fácil conseguir dizer muito em poucas páginas. Não pode haver divagações, deslizes ou erros. O conto tem uma dinâmica própria, que se aproxima muito de um instrumento de precisão.
P – «Histórias de Ver e Andar», título escolhido para o seu livro de contos, foi o nome dado pelos árabes às narrativas de viagem. Porquê este título num livro tão marcadamente português e actual?
R – É verdade que os temas são absolutamente actuais neste livro. O título fui buscá-lo a outra época, mas isso não invalida a actualidade do livro. Usei o título porque ele me agradou. Na verdade são histórias que me surgiram ao ver (a vida de todos os dias) e ao andar (deambulando por aí).
P – Qualquer dos 14 contos de «Histórias de Ver e Andar» é um quadro exemplar da sociedade portuguesa actual. Foi essa a intenção? O livro é assumido, também, como uma crónica de costumes?
R – Penso que sim, o livro é também uma crónica de costumes, um retrato da nossa sociedade, hoje.
P – «Big Brother Isn’t Watching You» reflecte uma sociedade totalmente alienada pela televisão, pelo desejo de aparecer na imagem. É uma situação que a preocupa?
R – Preocupa-me que tudo se transforme em espectáculo, que predomine o ‘vale tudo’, e que haja uma total ausência de valores.
P – «O Leitor» é a história de um homem apaixonado pela leitura. Acha que ainda há pessoas com esse intenso prazer?
R – Acho que ainda existem, e regozijo-me com isso.
P – Qual é o seu conto preferido? Porquê?
R – Não tenho um conto preferido. Mas interessou-me bastante por exemplo o conto «Noctário», porque é contado através de sonhos. Quando eu era muito jovem, e antes de ter alguma vez lido Freud, já os sonhos me fascinavam. Sempre me pareceram literatura em estado puro.
P – A sua produção literária aumentou consideravelmente desde que se reformou do ensino. A disponibilidade adquirida foi importante para esse salto?
R – Claro! Enquanto dei aulas na Universidade por vezes só escrevia no Verão e demorava cinco ou seis anos a terminar um livro.
P – Não sente a falta do contacto com as gerações mais novas proporcionado pela docência?
R – Sinto, e por isso hesitei muito em deixar o ensino. Até porque sempre tive uma óptima relação com os alunos e gostei de dar aulas. Tive, aliás, um número enorme de alunos excelentes, que hoje estão a fazer coisas extremamente interessantes e são figuras conhecidas. Conviver com eles foi para mim muito estimulante.
P – O que está a escrever agora? Vai voltar aos contos ou regressa ao romance?
R -Tenho um romance esboçado, e mais uma série de contos na cabeça.
P – E teatro, vai voltar a escrever?
R – Depois da adaptação de «Os Teclados» para teatro, tive a óptima surpresa de o grupo de teatro O Bando decidir encenar «Os Anjos», em 2003.
P – Que género gostaria de explorar e ainda não teve oportunidade? Já referiu a escrita para televisão: para quando a incursão nesse domínio?
R – Para televisão há um projecto de ser feito um vídeo com o espectáculo de «Os Teclados» que o Jorge Listopad encenou no Centro Cultural de Belém.
P – Tem algum projecto nessa área? O que gostaria de fazer?
R – Gostaria, além disso, de escrever para cinema.
P – Para quando o próximo livro?
R – Não faço planos nem marco datas. Os livros decidem quando estão prontos, não mando neles nem sou eu que decido quando o processo termina.
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Teolinda Gersão
Histórias de Ver e Andar
(Entrevista de Elsa Andrade publicada na "Novos Livros" em Dezembro de 2002)

Desde 2001, uma revista de leitores para leitores

Em Julho de 2001, é colocado online o nosso número 1.

A partir de agora, vamos começar a publicar entrevistas que não estão disponíveis mas que nos parecem merecer ser recordadas.

Férias? Sim, mais tempo para ler


As férias são um momento óptimo para recarregar baterias tanto do ponto de vista físico como intelectual. Normalmente, escolhemos livros mais ligeiros para estes dias de calor e sossego. Mas essa pode não ser a melhor opção. Se temos mais tempo e mais disponibilidade, podemos provavelmente ler livros que nos façam pensar um pouco mais e aprofundar temas que, muitas vezes, no azáfama diária do resto do ano não conseguimos.
Aqui fica uma lista de 20 livros editados este ano e que podem ser uma companhia ideal para os dias de férias. Boas férias e boas leituras!
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ENSAIOS

Rutger Bregman é o autor de um dos mais comentados livros de 2017: Utopia para Realistas. Podemos pensar que o tempo das utopias já passou. Bregman pensa exactamente o contrário: ainda há utopias pelas quais vale a pena lutar mesmo sendo realistas. O autor parte de uma base desafiante: um mundo sem fronteiras e sem pobreza. Será possível? A realidade que vivemos e conhecemos parece indicar-nos que é (mais) uma utopia. Mas Bregman mostra que é possível e cita Keynes para (nos) dar alento e vontade de também sermos realisticamente utópicos: "A dificuldade não reside nas novas ideias, mas em escapar às velhas".

John Mack escreveu um livro que para nós, portugueses, devia ser de leitura obrigatória nas escolas: Mar: Uma História Cultural. O mar faz parte da nossa história, da nossa vida e do nosso destino como povo. Mas, normalmente, não pensamos muito sobre ele ou não o estudamos para melhor o compreender. Esta obra é o livro que nos ajuda a ver o mar em múltiplas dimensões.

Marcus Du Sautoy defende que a ciência domina o mundo: "a ciência proporcionou-nos a melhor arma na luta contra o destino" e ajuda "não apenas no que toca à nossa luta pela sobrevivência, mas também à melhoria da nossa qualidade de vida". Mas terá limites? Até onde poderemos ir na busca permanente de mais e de melhor? Percorrendo várias áreas do conhecimento humano e da ciência, o autor  de O Que Não Podemos Saber coloca a hipótese de existirem matérias que não estarão ao nosso alcance. Mas o livro é uma fascinante viagem a inúmeros domínios em que a ciência faz, já hoje, a diferença.

Steven Pinker é um autor com uma vasta obra científica publicada e chega a Portugal através do seu mais recente livro: Os Anjos Bons da Nossa Natureza. Pinker é um investigador que tem pesquisado os mecanismos da mente, a linguagem, o papel da educação ou a essência da natureza humana. Neste livro agora editado, Pinker interroga-se sobre as razões porque tem diminuído a violência apesar de nós, enquanto observadores quotidianos, termos a sensação de que se passa exactamente o contrário: crime, violência, terrorismo são notícia (quase) constante. Estimulante a leitura porque interroga de forma consistente um conjunto de ideias feitas.

David Wootton e o seu livro A Invenção da Ciência contribui para uma clara e bem estruturada história da ciência: 800 páginas em que são abordados inúmeras temas que explicam não só a evolução como a realidade actual da ciência. Apresenta-se como uma "nova história da revolução científica" e, de facto, é isso mesmo.

Jean-Gabriel Ganascia faz uma introdução a um dos temas mais debatidos da actualidade: a Inteligência Artificial. O Mito da Singularidade não é um manual mas sim uma fonte de inspiração para esse mesmo debate nas inúmeras dimensões que o tema tem e para a avaliação das suas futuras consequências para as nossas vidas.

Emmanuel Todd aposta numa nova interpretação da história. O seu ponto de partida é pensar tudo numa perspectiva da longa duração dos sistemas familiares. Em Onde Estamos?, o autor procura novas explicações que não se baseiam no modelo mais tradicional da interpretação da história. Do seu ponto de vista, é nas estruturas familiares que devemos procurar novas e mais sólidas bases que nos permitam compreender o passado, interpretar o presente e pensar o futuro. 
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MEMÓRIAS

Raymond Aron é um dos intelectuais mais prestigiados que acompanhou com os seus escritos grande parte do século XX. As suas Memórias mostram-nos o seu olhar crítico e envolvido na história, na cultura e no debate político da Europa e da França. Com lucidez e com rigor, sem abdicar dos seus princípios e com um ponto de vista de quem foi, também, actor e não mero espectador.

Nelson Mandela, figura maior do século XX, escreveu vários livros de inegável importância. Acabam de ser editadas as suas Cartas da Prisão. São, ao mesmo tempo, um documento político e um testemunho pessoal (íntimo até) de alguém que ficará sempre na História e aqui se revela em múltiplas facetas. Indispensável para o conhecer.

Jaime Nogueira Pinto reeditou um ensaio (A Direita e as Direitas) e passa em revista 250 anos da história das direitas no mundo e em Portugal. Podemos dizer que já não faz sentido o debate esquerda/direita. Mas, o avanço dos populistas autoritários na Europa e a ascensão de Trump são bons motivos para pensar e compreender o contexto. Falta um livro destes que fale da(s) esquerda(s).
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GESTÃO E NEGÓCIOS

Nassim Nicholas Taleb reflecte sobre a importância do factor Sorte no mundo empresarial e no funcionamento dos mercados. O livro Iludidos pelo Acaso é um ponto de partida de alguma forma irreverente e ousado sobre algo que nem sempre estamos dispostos a aceitar como factor importante em decisões e na vida em geral.

Ryan Avent escreveu A Riqueza dos Humanos para reflectir sobre este nosso século XXI em que a evolução tecnológica está a mexer em muitas das facetas da nossa sociedade: no consumo, no trabalho, nos relacionamentos e na qualidade de vida. A incerteza é hoje uma dominante. Preocupa-nos o desconforto que sentimos quando pensamos no futuro das profissões e no emprego, no nosso nível de vida e na sua provável degradação. Este é um livro que pode gerar mais preocupação. Mas, se não pensamos nestes temas, um dia seremos surpreendidos e talvez, nessa altura, já pouco haja a fazer.

Daniel H. Pink é um nome destacado no panorama mundial e, desta vez, centra a sua atenção numa questão importante: qual o timing perfeito para tomar certas decisões ou para fazer muitas coisas. A definição do "quando" é importante e não surge do acaso. Quando resulta de uma investigação detalhada em que os contributos científicos da psicologia, da biologia e da economia tiveram uma papel essencial.

Kate Raworth parte de uma visão de economista para por em causa as bases tradicionais da economia como a conhecemos. A autora de Economia Donut constata, preocupada, que os decisores mundiais do século XXI estão a estudar hoje com base em pressupostos do século passado (ou mesmo do século XIX). A sua primeira intenção é repensar os termos em que a reflexão é feita e as matrizes que estruturam a educação e a distribuição do conhecimento. Nesse sentido, é um livro revolucionário porque aponta novos caminhos, novas ideias e procura novas respostas porque parte de perguntas diferentes. 
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TESTEMUNHOS

Michel Serres, um filósofo a escrever (e a questionar) sobre o nosso tempo e os (supostos) bons velhos tempos. Antes é que Era Bom é um ensaio e uma provocação que nos faz pensar nas diferenças efectivas que nem sempre recordamos quando dizemos com alguma nostalgia que "dantes é que era..." A nossa história mais recente nem sempre é brilhante e, por vezes, foi muito cruel, difícil e nada justa. Recordar e usar a memória com clareza ajuda muito a compreender e a valorizar os nossos dias.

Albino Forjaz de Sampaio escreveu este livro em 1926, mesmo antes da instauração do Estado Novo. Mas não pode ser considerado uma obra de propaganda embora tenha sido promovido pelo Secretariado da Propaganda Nacional. Agora, com uma distância de quase 100 anos o que podemos  ler em Porque Me Orgulho de Ser Português é um testemunho de alguém que apontava com clareza algumas das grandezas de um país e de um povo. Pode ser um texto datado mas é também um texto que podemos ler hoje com muito interesse, quando Portugal é um grande país reconhecido internacionalmente por muitos (e bons) motivos. Ter orgulho não faz mal à saúde.

Osseily Hanna viajou por diversos países em busca de projectos que, tendo a música como base, contribuem para combater a pobreza, a discriminação, a intolerância e outras formas de injustiça. Com o seu livro O Poder da Música revela um conjunto muito significativo de casos em que a música tem, de facto, um poder enorme para transformar as vidas das pessoas. 

Hermann Hesse escreveu os textos que compõem Uma Biblioteca da Literatura Universal no início do século XX e neles aborda um conjunto de ideias sobre livros, leituras, literatura e escritores. Em 1930, Hesse escreveu: "Dos muitos universos que o homem não recebeu em dom da natureza mas forjou par si próprio, extraindo-os do seu espírito, o universo dos livros é o mais vasto". Este livro é uma aproximação muito rica, profunda e diversificada desse universo.

Albert Einstein tem neste livro (Citações de Albert Einstein) uma das mais cuidadas recolhas das suas citações (da autoria de Alice Calaprice). A obra permite percorrer muitos tópicos das suas reflexões não tanto como cientista mas sim como homem do século XX, como observador muito atento do mundo e como pensador sempre estimulante sobre temas como a morte, o envelhecimento, os amigos, a música, a religião, política, ciência ou filosofia.

Yu Hua, escritor chinês, responde ao desafio de poder mostrar a China em apenas dez palavras: Povo, Líder, Leitura, Escrita, Lu Xun, Disparidade, Revolução, Raízes-de-Erva, Pirataria e Aldrabar. Como é óbvio, seria (quase) impossível retratar o imenso, diversificado e complexo país neste contexto. No entanto, com este livro ficamos com uma imagem e uma ideia da China muito forte. Yu Hua descreve de forma muito profunda a realidade, a história, a cultura e a sociedade. China em Dez Palavras é, sem dúvida, uma excelente porta que se abre e nos permite entrar num mistério que há muito intriga.
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1-Rutger Bregman, Utopia para Realistas (Bertrand: 17,70€)
2-John Mack, Mar: Uma História Cultural (BookBuilders: 18,90€)
3-Marcus du Sautoy, O Que Não Podemos Saber (Bizâncio: 22,01€)
4-Steven Pinker, Os Anjos Bons da Nossa Natureza (Relógio d'Água: 27,00€)
5-David Wootton, A Invenção da Ciência (Temas e Debates: 29,90€)
6-Jean-Gabriel Ganascia, O Mito da Singularidade (Temas e Debates: 15,50€)
7-Emmanuel Todd, Onde Estamos? (Temas e Debates: 22,20€)
8-Raymond Aron, Memórias (Guerra e Paz: 30,00€)
9-Nelson Mandela, As Cartas da Prisão (Porto Editora: 24,00€)
10-Jaime Nogueira Pinto, A Direita e as Direitas (Livraria Bertrand: 18,80€) 
11-Nassim Nicholas Taleb, Iludidos pelo Acaso (Temas e Debates: 18,80€)
12-Ryan Avent, A Riqueza dos Humanos (Bizâncio: 18,00€)
13-Daniel H. Pink, Quando (Gestão Plus: 16,60€)
14-Kate Raworth, Economia Donut (Temas e Debates: 19,90€)
15-Michel Serres, Antes é que Era Bom (Guerra e Paz: 13,00€)
16-Albino Forjaz de Sampaio, Porque Me Orgulho de Ser Português (Guerra e Paz: 12,20€)
17-Osseily Hanna, O Poder da Música (Bizâncio: 16,00€)
18-Herman Hesse, Uma Biblioteca da Literatura Universal (Cavalo de Ferro: 14,39€)
19-Albert Einstein, Citações de Albert Einstein (Relógio d'Água: 18,00€)
20-Yu Hua, China em Dez Palavras (Relógio d'Água: 17,00€)

António Eça de Queiroz | Porto vs Lisboa

1-Quando leu os textos sobre Lisboa, o que mais o surpreendeu?
R- O texto que mais me espantou realmente - porque de facto pouco ou nada sabia sobre o personagem - foi a respeito do absolutamente desnaturado Diogo Alves (e que o António Costa Santos bem cuidou de dizer que não era português, mas sim um espanhol de Lugo - a grande besta!).

2-Dez anos depois da primeira edição, teve razões e vontade de modificar o seu texto?
R- Não, apenas pequenos acrescentos - que foram feitos (só tenho pena de não ter tido a recordação de há dez anos que me apontou então um erro de "paralaxe histórica" relativamente imperdoável: no texto final da 1ª edição deste livro, "Lisboa para sempre no coração", atribuo erradamente as culpas duma certa "intervenção" centralista no Porto ao rei D. Manuel - quando de facto tal dislate foi da responsabilidade única de D. João III e seus conselheiros próximos).

3-Depois deste «combate» em forma de livro, o que recomendaria a um «tripeiro» para não perder numa próxima ida a Lisboa?
R- Lisboa tem montanhas de coisas interessantes, e não foi necessário o "combate" para eu o reconhecer... Como gosto muito de museus e jardins, aconselharia a Gulbenkian (toda), o Museu de Arte Antiga e o do Oriente, bem como o velho Jardim Botânico (embora não saiba agora em que estado é que se encontra).
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António Eça de Queiroz/António Costa Santos
Porto vs Lisboa
Guerra e Paz  15,90€

António Covas | A Grande Transformação dos Territórios


1- Qual a ideia que esteve na origem deste «A Grande Transformação dos Territórios»?
R- A ideia original do livro é mesmo a ideia de " grande transformação dos territórios" à semelhança da "Grande Transformação" um livro de Karl Polanyi de 1944, isto é, uma alteração paradigmática do modo como ocupamos e nos relacionamos com o território, ao ponto de nos referirmos à extra-territorialidade como uma das características mais importantes do nosso tempo.

2- No seu livro reúne um conjunto de artigos publicados na imprensa: qual o fio condutor que o estrutura?
R- O fio condutor é a policontextualização dessa transformação do território e que no meu livro passa por três blocos: a transformação por via da integração europeia (a contingência europeia), a transformação por via da revolução digital e a transformação por via da smartificação dos territórios, ou seja, a passagem dos territórios-zona para os territórios-rede ou como se forma a inteligência coletiva dos territórios.

3- Sendo um livro com «olhares cruzados sobre as mutações do nosso tempo», quais serão os três principais factores que mais influenciam a vida aqui no território Portugal?
R-Os três factores que mais influenciam a nossa vida são as alterações demográficas (o abandono de certas zonas do país), as alterações climáticas (alteração nos mosaicos paisagísticos), a transformação digital (alterações nos mercados de trabalho) e acrescento as vagas migratórias que irão afectar a liberdade de circulação das pessoas e o seu comportamento.
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António Covas
A Grande Transformação dos Territórios
Edições Sílabo. 14,30€