DULCE GARCIA


Dulce Garcia nasceu em 1971. Jornalista de profissão desde 1991 foi fundadora da revista Sábado. Depois uma consolidada carreira na comunicação social, lançou o seu primeiro romance: "Quando Perdes Tudo Não Tens Pressa de ir a Lado Nenhum". Em 2018, esteve em Budapeste no Festival do Primeiro Romance.
Em entrevista, disse-nos há tempos, que prepara já uma segunda obra. O seu primeiro romance foi "o primeiro passo nesta arriscada aventura com que sonhei a vida inteira".
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1.O que é para si a felicidade absoluta?
R- Não sei…
2.Qual considera ser o seu maior feito? 
R- Impaciência, definitivamente.
3.Qual a sua maior extravagância? 
R- Comprar livros de forma compulsiva, apesar de as estantes estarem lotadas – uma delas creio que entrará brevemente em derrocada - e o tempo não esticar.
4.Que palavra ou frase mais utiliza? 
R- «Se fosse fácil era para os outros» (frase roubada ao Rui Cardoso Martins; é o título de um dos seus livros) e que serve para expressar a ideia de que nada na minha vida é simples ou linear.
5.Qual o traço principal do seu carácter? 
R- Resistência.
6.O seu pior defeito? 
R- Precipitação?
7.Qual a sua maior mágoa?
R- Gostava de ter tido uma infância diferente.
8.Qual o seu maior sonho? 
R- Viver da escrita – ou quase (porque adoro editar).
9.Qual o dia mais feliz da sua vida? 
R- Muitos. Sem contar com os que ainda estão para vir.
10.Qual a sua máxima preferida? 
R- «Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe».
11.Onde (e como) gostaria de viver? 
R- Um ano (pelo menos) a viajar e a escrever. Em quartos de hotel.
12.Qual a sua cor preferida? 
R-  Acho que é o verde.
13.Qual a sua flor preferida? 
R-  Tulipas anãs e jarros.
14.O animal que mais simpatia lhe merece?
R- Golfinho. Comove-me.
15.Que compositores prefere? 
R- Muitos, de vários géneros. Por exemplo: Schubert, Cole Porter, Tom Jobim, Chico Buarque, David Bowie, Neil Hannon (Divine Comedy), Carlos Paredes, Rodrigo Leão, e tantos, mas tantos outros.
16.Pintores de eleição? 
R- Caravaggio, Edward Hopper, Almada Negreiro, Amadeo de Souza Cardoso, Francis Bacon, Francis Picabia, Paula Rego, Sarah Afonso, Helena Almeida, etc.
17.Quais são os seus escritores favoritos? 
R- Ui. Eça, Mishima, Bulgakov, Nelson Rodrigues, Ruy Castro, Clarice Lispector, Ruben Fonseca, Philip Roth, Ian McEwan, Lydia Davis, Stig Dagerman, Sylvia Plath, Javier Marias, Orhan Pamuk, José Cardoso Pires, Isabela Figueiredo, Elizabeth Strout, etc, etc, etc (vou-me esquecer de tantos).
18.Quais os poetas da sua eleição? 
R- Rilke, Adília Lopes e Golgona Anghel.
19.O que mais aprecia nos seus amigos? 
R- A cumplicidade.
20.Quais são os seus heróis? 
R- O mais parecido que conheci ultimamente nessa categoria estratosférica: Barack Obama, Papa Francisco e Marielle Franco.
21.Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- os que sofrem e os que transgridem (e na vida real também). Adoro a Bovary, a Anna Karenina.
22.Qual a sua personagem histórica favorita?
R- Carlota Joaquina - porque esteve sempre do lado errado da História.
23.E qual é a sua personagem favorita na vida real? 
R- A que tento ser, nem sempre com grandes resultados (mas como dizia o Pedro Paixão: «viver todos os dias cansa»).
24.Que qualidade(s) mais aprecia num homem? 
R- Sentido de humor, curiosidade e inteligência. Ah, e capacidade de surpreender, adoro surpresas.
25.E numa mulher? 
R- Igual.
26.Que dom da natureza gostaria de possuir? 
R- O dom da multiplicação dos pães (espera… isso é o milagre).
27.Qual é para si a maior virtude? 
R-  Justiça. Ou talvez a compaixão.
28.Como gostaria de morrer? 
R- Em paz.
29.Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?
R- Uma duna do deserto. Uma mulher sem medo.
30.Qual é o seu lema de vida? 
R- Claramente: vive e deixa viver.


Dulce Garcia na "Novos Livros" | ENTREVISTAS


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Todas as famílias têm uma história.

Todas as histórias contam. 


Descubra as suas em RAÍZES PORTUGUESAS

CARLOS ALBERTO MACHADO


Carlos Alberto Machado nasceu em 1954. Tem um rico e diversificado percurso na área cultural desde 1969: poeta, romancista, contista, programador e gestor cultural, dramaturgo, cronista e homem de jornais. Mais recentemente, dedica-se à edição de livros com a chancela Companhia das Ilhas.
Dos seus livros, destacam-se: Registo Civil-Poesia ReunidaTeatro Reunido (2000-2010). Na ficção, entre outros: dois livros de contos (Estórias Açorianas e Novas Estórias Açorianas) e vários romances (Hipopótamos em Delagoa Bay, O Mar de Ludovico e, mais recentemente, Puta de Filosofia)
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1.O que é para si a felicidade absoluta?
R- A perfeição de um minuto na perspectiva de outro igual.
2.Qual considera ser o seu maior feito? 
R- A cobardia.
3.Qual a sua maior extravagância? 
R- Livros.
4.Que palavra ou frase mais utiliza? 
R- Um, uma.
5.Qual o traço principal do seu carácter? 
R- O ligeiramente inclinado para a esquerda.
6.O seu pior defeito? 
R- A ignorância.
7.Qual a sua maior mágoa?
R- A morte da minha avó materna.
8.Qual o seu maior sonho? 
R- Húmido.
9.Qual o dia mais feliz da sua vida? 
R- O do nascimento da minha filha.
10.Qual a sua máxima preferida? 
R- Não tenho.
11.Onde (e como) gostaria de viver? 
R- Onde não pensasse mudar-me para um sítio melhor.
12.Qual a sua cor preferida? 
R-  Não tenho.
13.Qual a sua flor preferida? 
R-  Não tenho.
14.O animal que mais simpatia lhe merece?
R- Não tenho.
15.Que compositores prefere? 
R- Marc-Antoine Charpentier, Arvo Pärt, Mozart...
16.Pintores de eleição? 
R- Turner, Rembrandt, Goya...
17.Quais são os seus escritores favoritos? 
R- Ésquilo, Nietszche, Baudelaire, Thomas Mann, Thomas Bernardt, V. Woolf,  Rabelais, WG Sebald, Caneti, TS Eliot, Dostoievski, Manoel Barros, R Nassar, Borges, Cervantes, R Brandão, Ruy Belo, Jorge de Sena, Maria Velho da Costa, Céline, J-K Huysmans, J. Conrad, C. Magris, PP Pasolini...
18.Quais os poetas da sua eleição? 
R- Ver acima.
19.O que mais aprecia nos seus amigos? 
R- A amizade.
20.Quais são os seus heróis? 
R- Não tenho.
21.Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- Schweik (O valente Soldado Schweik), Oscar (O Tambor de Lata), Woyzeck (Woyzeck), Pierre Riviere (Eu, Pierre Rivière que matei...)...
22.Qual a sua personagem histórica favorita?
R- Não tenho.
23.E qual é a sua personagem favorita na vida real? 
R- Não tenho.
24.Que qualidade(s) mais aprecia num homem? 
R- A amizade.
25.E numa mulher? 
R- A amizade.
26.Que dom da natureza gostaria de possuir? 
R- A serenidade.
27.Qual é para si a maior virtude? 
R-  O aceitação do medo.
28.Como gostaria de morrer? 
R- Lúcido.
29.Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?
R- Um ser que por aqui não ficasse muito tempo.
30.Qual é o seu lema de vida? 
R- Que felicidade ter um lema de vida!


Carlos Alberto Machado na "Novos Livros" | ENTREVISTAS
(Fotografia: Fernando Resendes/Teatro Micaelense)

Fernando Correia | O que Eu Sei de Mim

1. Qual a ideia que esteve na origem desta autobiografia?
R- Comemorar os meus 60 anos de comunicação, na rádio, imprensa e televisão, deixando ao mesmo tempo uma visão histórica daqueles anos, sobretudo 60 e 70, com toda a envolvência da censura, do estado novo, da ditadura, da ânsia de liberdade. Ao mesmo tempo contar alguns episódios verídicos da minha carreira que me ajudaram a crescer profissionalmente e a ter uma outra visão do Mundo. Também percebo que este seja, ao mesmo tempo, um livro de vida. 

2. Dos 60 anos de carreira profissional, consegue escolher o episódio mais marcante, que que mais o impressionou?
R- Sem dúvida as reportagens de guerra e morte (sem sentido) vividas em Angola durante 4 meses no início do ano de 1961 e também a partida dos barcos para as Colónias repletos de soldados que não sabiam muito bem ao que iam e o regresso dos contingentes militares que tinham outra missão: a de entregar às famílias os corpos dos companheiros mortos.

3. E agora, Fernando: o que espera do futuro?
R- Enquanto tiver voz quero continuar a fazer rádio e televisão. Vou escrever mais e mais, enquanto a mente me ajudar. Por enquanto sinto-me um homem sem idade que quer ser útil à vida.
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Fernando Correia
O que Eu Sei de Mim (Autobiografia)
Guerra e Paz   13,90€
Fernando Correia na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

Rosa de Porcelana | Márcia Souto/Filinto Elísio: "Uma editora que contribua para aumentar níveis e qualidade de leitura continua a ser nossa ambição."

1-Como descreve o projecto editorial que está na génese da Rosa de Porcelana?
R- O projeto que funda a Rosa de Porcelana Editora é de um centro cultural, com várias componentes e fases. Começámos pela componente editorial, escrita e leitura, ainda em vias de se consolidar, considerando ter sido o nosso primeiro propósito publicar e circular livros nos países e nas comunidades emigradas de língua portuguesa. Uma editora que contribua para aumentar níveis e qualidade de leitura continua a ser nossa ambição. Quatro anos passados, estamos ativos no mercado cabo-verdiano e português, com expetativas de nichos de mercado angolano e brasileiro. Nesse meio tempo, criámos e organizamos o Festival de Literatura-Mundo do Sal, com forte pendor de encontros internacionais de autores e de livros. Temos participado também em vários certames internacionais. No limiar da primeira fase ainda.

2-Em termos de géneros ou áreas temáticas, quais vão ser as principais apostas da editora?
R- Temos privilegiado muito a poesia, mas também casos de romance, crónica e ensaio. Entretanto, estamos sempre abertos a obras de referência e de miscelânea. A editora não descura entrar de forma mais sistemática em todos os campos literários e não só, porquanto temos não perder de vista, a médio trecho, o livro escolar e académico.

3-Para os próximos meses, que títulos ou autores têm em carteira para surpreender e conquistar os leitores portugueses?
R- Publicámos agora Manuel Halpern (com crónicas) e, no ano passado, José Luis Peixoto (com teatro), Jorge Carlos Fonseca (com romance), Olinda Beja (com poesia) e José Luiz Tavares (com poesia), para citar alguns. Nos próximos meses, entre vários projetos, temos os romances de Evel Rocha e de Dina Salústio, a antologia poética pessoal de Vera Duarte, a miscelânea poética de Filinto Elísio, o ensaio sobre o crioulo de Cabo Verde com Manuel Veiga, a organização de um livro de inéditos de Amílcar Cabral e mais um de Arménio Vieira. Há mais produção, muitas surpresas, mas ainda em negociação com os autores.
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Editora Rosa de Porcelana | WEBSITE



Nuno Camarneiro | O Fogo Será a Tua Casa

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «O Fogo Será a Tua Casa»?
R- Há em todos os meus livros algum tipo de continuidade – o trabalho sobre a linguagem, alguns temas (o medo, a religião, a definição do “eu”, etc) e um fundo melancólico misturado com o humor. Por outro lado procuro que cada livro seja um desafio e uma proposta diferente, que me obrigue a aprender e a testar novos instrumentos, que me ponha à prova e me leve a arriscar. Neste livro escrevo na primeira pessoa (como não tinha feito), exploro culturas diferentes e ficciono a minha própria vida. Talvez a minha formação científica me leve a rejeitar fórmulas, a encarar a literatura como um laboratório e cada livro como uma nova experiência.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Este livro surgiu de uma vontade de conhecer o mundo islâmico, uma realidade geográfica tão próxima e, ao mesmo tempo, tão distante do ponto de vista filosófico e cultural. A meu ver os conflitos civilizacionais das últimas décadas têm sido mal compreendidos, levando a extremismos, a simplificações ou a relativismos fáceis que pouco têm feito pelo conhecimento e uma eventual compreensão mútua. Nem somos a mesma coisa nem coisas contrárias, mas só o poderemos entender se nos estudarmos mutuamente. Este livro foi um esforço meu nesse sentido e espero que os meus leitores continuem e aprofundem esta curiosidade.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Este momento é para mim o mais feliz enquanto escritor. Tenho muitas ideias em potência, temas que me interessam, realidades diferentes e até formatos literários (conto, romance, reportagem?). Enquanto o próximo livro não começar a ser escrito será um pouco de todas essas coisas e planeio prolongar por mais algum tempo este prazer.
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Nuno Camarneiro
O Fogo Será a Tua Casa
Publicações D. Quixote   15,90€
Nuno Camarneiro na "Novos Livros" | ENTREVISTA

VALTER HUGO MÃE


Valter Hugo Mãe nasceu em 1971, em Angola. Vive há muitos anos em Portugal. É autor de mais de 30 livros repartidos por ficção, poesia e livros infantis. 
A sua obra já recebeu várias distinções, com destaque para Prémio Almeida Garrett (1999), Prémio Literário José Saramago (2007) e Grande Prémio Portugal Telecom de Literatura Melhor Romance do Ano (São Paulo, 2012).
Tem uma licenciatura em Direito e fez uma pós-graduação em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Depois de vários anos de ausência na escrita poética, o seu último livro é uma antologia pessoal da sua própria poesia.
Para além da literatura, participou activamente na fundação das editoras Quasi Edições e a Objecto Cardíaco. Dirigiu a revista Apeadeiro. Dedica-se ao desenho (primeira exposição individual em Maio de 2007) e, na música, participou no grupo Governo.
Apresenta um programa de entrevistas no Porto Canal.
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1.O que é para si a felicidade absoluta?
R- Breves instantes em que não nos trocaríamos por nada de ninguém. 
2.Qual considera ser o seu maior feito? 
R- A capacidade de amar alguém.
3.Qual a sua maior extravagância? 
R- A generosidade por vezes demasiada.
4.Que palavra ou frase mais utiliza? 
R- Obrigado.
5.Qual o traço principal do seu carácter? 
R- Saber esperar.
6.O seu pior defeito? 
R- A ingenuidade.
7.Qual a sua maior mágoa?
R- Ter perdido a esperança em algumas pessoas de quem gostei mais do que devia.
8.Qual o seu maior sonho? 
R- Escrever sempre um livro melhor.
9.Qual o dia mais feliz da sua vida? 
R- O dia de nascimento do meu primeiro sobrinho.
10.Qual a sua máxima preferida? 
R- Fia-te na Virgem e não corras.
11.Onde (e como) gostaria de viver? 
R- Poderia passar por muitas casas, muitas terras em muitos países. Mas a minha casa é entre família e amigos. Estar em Vila do Conde é contingência da felicidade possível.
12.Qual a sua cor preferida? 
R- Amarelo forte.
13.Qual a sua flor preferida?
R- Buganvília.
14.O animal que mais simpatia lhe merece?
R- O cão. O meu cão chama-se Crisóstomo. É um rafeiro muito adormecido e fiel.
15.Que compositores prefere? 
R- Bach, Vivaldi, Brahms, Mahler. Não posso esquecer também Wagner e Rachmaninoff. 
16.Pintores de eleição? 
R- Bosch, Rembrandt, Bacon.
17.Quais são os seus escritores favoritos? 
R- Lautréamont, Kafka, Camus, Lispector.
18.Quais os poetas da sua eleição? 
R- Rimbaud, Girondo, Herberto, Gamoneda, Luís Miguel Nava, Sharon Olds.
19.O que mais aprecia nos seus amigos? 
R- A fidelidade.
20.Quais são os seus heróis? 
R- Os capazes da generosidade.
21.Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- Adoro o Gregor Samsa. Adoraria tê-lo inventado.
22.Qual a sua personagem histórica favorita?
R- Cristo.
23.E qual é a sua personagem favorita na vida real? 
R- Luther King e Mandela. Impressionam-me muito.
24.Que qualidade(s) mais aprecia num homem? 
R- A estabilidade.
25.E numa mulher? 
R- A estabilidade.
26.Que dom da natureza gostaria de possuir? 
R- O de curar.
27.Qual é para si a maior virtude? 
R- A generosidade.
28.Como gostaria de morrer? 
R- Sem o saber.
29.Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?
R - Pai, avô. 
30.Qual é o seu lema de vida? 
R- Um dia vai ser melhor.


Valter Hugo Mãe na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

AUTORES PORTUGUESES EM DESTAQUE

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Eduardo Ramadas Silva | A Boleia

1- «A Boleia» é o seu primeiro romance: como espera olhar para ele daqui a 20 anos?
R- Daqui a 20 anos quando olhar para o meu primeiro romance que escrevi vou olhar com muito amor e carinho. Irei também sentir um grande orgulho saudável por ter tido a coragem e a determinação de ter apanhado Boleia na Ficção.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- A ideia que deu origem a esta obra de ficção foi: da minha vertente profissional as centenas de adolescentes com que trabalhei admitiram me sempre que fizeram “más escolhas” na vida ; e da minha vertente pessoal foi o ter acompanhado o meu filho mais velho, Guilherme, a viver um período “perdido”.

3- Pensando nas suas escolhas no futuro: que livro escrever a seguir?
R- O próximo livro será de auto ajuda, uma obra de não ficção, na verdade é a minha zona de conforto. Já iniciei a escrita da próxima obra e estou amar cada texto de meditação diária que escrevo porque consegue multiplicar a paz e a tranquilidade da nossa mente.
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Eduardo Ramadas da Silva
A Boleia
Guerra e Paz   14€

BRUNO VIEIRA AMARAL


Bruno Vieira Amaral nasceu em 1978. Já com várias obras publicadas, é uma das novas vozes de referência no panorama da literatura portuguesa. O seu romance de estreia, As Primeiras Coisas, foi um sucesso: Prémio de Livro do Ano da revista TimeOut, Prémio Fernando Namora, Prémio PEN Narrativa e Prémio Literário José Saramago. Seguiram-se: Guia Para 50 Personagens da Ficção Portuguesa (2013) e Aleluia! (2015). Em 2017, regressou ao romance com Hoje Estarás Comigo no Paraíso. Mais recentemente editou Manobras de Guerrilha
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1.O que é para si a felicidade absoluta?
R- Um domingo de sol.
2.Qual considera ser o seu maior feito? 
R- Ter lido o Dom Quixote.
3.Qual a sua maior extravagância? 
R- Dar-me ao luxo de não ler. 
4.Que palavra ou frase mais utiliza? 
R- Pois.
5.Qual o traço principal do seu carácter? 
R- Insubmergibilidade.
6.O seu pior defeito? 
R- O destempero.
7.Qual a sua maior mágoa?
R- Não saber desenhar.
8.Qual o seu maior sonho? 
R- O de uma noite de Verão.
9.Qual o dia mais feliz da sua vida? 
R- O de uma excursão à Figueira da Foz, quando tinha cinco anos, com a minha avó e a minha mãe.
10.Qual a sua máxima preferida? 
R- Carpent tua poma nepotes. (Os teus descendentes colherão os teus frutos.)
11.Onde (e como) gostaria de viver? 
R- Onde os meus me possam encontrar e onde os outros não saibam como chegar.
12.Qual a sua cor preferida? 
R-  Azul.
13.Qual a sua flor preferida? 
R-  Orquídea.
14.O animal que mais simpatia lhe merece?
R- Cavalo.
15.Que compositores prefere? 
R- Debussy.
16.Pintores de eleição? 
R- Cézanne.
17.Quais são os seus escritores favoritos? 
R- Nelson Rodrigues.
18.Quais os poetas da sua eleição? 
R- Manoel de Barros.
19.O que mais aprecia nos seus amigos? 
R- A distância.
20.Quais são os seus heróis? 
R- Os desconhecidos.
21.Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- Raskolnikoff, Dom Rigoberto, Dr. Bernard Rieux.
22.Qual a sua personagem histórica favorita?
R- Silva Porto.
23.E qual é a sua personagem favorita na vida real? 
R- “Manberras”, poeta, autor do poema O Bico de Lacre.
24.Que qualidade(s) mais aprecia num homem? 
R- A coragem e a prudência.
25.E numa mulher? 
R- A prudência e a coragem.
26.Que dom da natureza gostaria de possuir? 
R- Ser tempestade.
27.Qual é para si a maior virtude? 
R- O amor.
28.Como gostaria de morrer? 
R- A olhar o assassino nos olhos.
29.Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?
R- Gostaria de ser fogo.
30.Qual é o seu lema de vida? 
R- Ama e faz o que quiseres.

Bruno Vieira Amaral na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

Luís Pedro Cabral | A Cidade dos Aflitos

1- "A Cidade dos Aflitos" é o seu primeiro romance: como espera poder olhar para ele daqui a 20 anos?
R- Na verdade, não é o primeiro que escrevo, mas, para todos os efeitos, assim é. Confesso que nunca tinha pensado nesses termos. Com a velocidade que têm os dias e as horas do nosso tempo, é quase como uma trilobite a imaginar o século XXI. Chuva no molhado: não sei onde estarei ou se serei daqui a 20 anos. Se não puder ser o meu olhar sobre o livro, gostava que este fosse olhado como se olha para um tomo da História de um flagelo que a Humanidade ultrapassou. Nessa perspectiva (mais um desejo), tenho uma esperança secreta que não o livro, enquanto entidade viva e mutante, mas a sua temática se tenha então tornado obsoleta. Seria uma das maiores conquistas do Homem, não tenhamos dúvida.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Pelo menos no meu caso, a escrita sempre foi uma necessidade. O que me conduziu ao Instituto Português de Oncologia, foi exactamente o que conduz milhares e milhares de pessoas ali, estejam a enfrentar directamente o cancro ou a acompanhar os seus familiares nessa luta. Entre a última vez que tinha acompanhado a “minha mulher” no IPO e esta última, devido a uma recidiva grave de cancro de mama, houve um hiato de quase uma década. E o retorno foi verdadeiramente assustador. Notei que o número de pessoas havia crescido exponencialmente, o que era e é notório, com consequências óbvias (se calhar, naturais, se calhar, políticas) no funcionamento dos serviços, que passou de assoberbado a caótico. Apesar da minha mulher ter mudado de campo de batalha, pois encontra-se desde há quase três anos num ensaio clínico da Fundação Champalimaud, senti necessidade de voltar ao IPO, sem tempo, sem pressas, esperando que as pessoas me procurassem em vez de ser eu a abordá-las, contrariando técnicas e tiques de jornalismo, que ali não faziam para mim o menor sentido. Ninguém consegue lidar de forma fácil com esta doença. Se o disser, está a mentir. Talvez tenha sido a minha forma de terapia, esta de estar com as pessoas. E talvez tenha percebido melhor, mais claramente, uma espécie de isolamento a que cada uma dessas pessoas está submetida. É como uma doença a reboque de outra. Talvez o medo seja o mais Humano dos sentimentos. Acho que é o medo que nos faz encarar os doentes como seres que nos são alheios. É o medo da morte que está na sua génese. É essa a razão do tabu que prolifera ainda na sociedade portuguesa sobre o cancro. A ideia deste livro surgiu quando esta verdade se tornou cristalina. Pensei que tinha de retirar os “doentes” dessa opacidade que os oprime, às vezes quase sem que eles próprios notem, de tão enraizado. Dar corpo e alma às pessoas.  Retira-los desse anátema de doentes, para os reposicionar como pessoas. E enfrentar o nosso próprio tabu. Entendi esta cidade como um organismo multicelular, que se comporta exactamente como a doença. O seu quotidiano é de guerra. Uma guerra pela nossa sobrevivência.

3- Viver tão de perto a luta para vencer o cancro que ensinamentos lhe trouxe como pessoa e como escritor?
R- Enriqueceu-me muito como pessoa. E, de certa maneira, também me salvou. Não encaro a luta contra o cancro como uma derrota iminente. Encaro-a como guerra e, por estranho, como paz. Há uma estranha forma de paz, por entre a luta. E talvez seja essa a substância da esperança.
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Luís Pedro Cabral
A Cidade dos Aflitos
Bertrand   15,90€

João Reis | A Devastação do Silêncio



1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «A Devastação do Silêncio»?
R- «A Devastação do Silêncio» é de extrema relevância na minha obra, pois trata-se do meu terceiro romance e, portanto, conjuga um pouco dos mundos (muito diferentes entre si) dos dois livros que o antecederam, sobretudo a nível estilístico. Embora se aproxime mais do meu primeiro romance, «A Noiva do Tradutor», apresenta um estilo característico e mais contido, de forma a cumprir o meu objetivo de criar uma voz diferente para cada um dos meus narradores-protagonistas. Pretendo recriar-me em cada livro e não escrever sempre «o mesmo romance» sem, contudo, perder as minhas particularidades de escrita, algo que penso ter alcançado com este livro. Por outro lado, a Primeira Guerra Mundial é um dos meus fetiches literários e históricos e este romance é, em certa medida, uma obra que muito maturou na minha mente, sendo crucial para o meu desenvolvimento literário.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- A ideia para escrever este livro resultou invariavelmente pelo interesse que nutro pelo tema e pela época (fim da Belle Époque, etc.). Conquanto seja ficcional, procedi a muitas pesquisas com o intuito de criar o ambiente sórdido e ao mesmo tempo surreal dos campos de prisioneiros da Primeira Guerra. Um dos elementos que promove o avanço narrativo - o da gravação de voz dos soldados aprisionados - tem por base, curiosamente, um facto verídico, pois existiu de facto uma comissão de cientistas alemães que estudou as centenas de línguas faladas pelos prisioneiros dos alemães na Grande Guerra, e a primeira gravação de voz de um português não profissional (de um não cantor) parece ser a de um soldado do CEP.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- De momento, estou a tentar terminar um romance cuja ação decorre no século XVI. É um romance pícaro narrado pelo assistente de uma figura histórica muito conhecida dos portugueses. Pretendo também terminar um romance iniciado quando de uma residência literária em Seul e cuja trama se desenvolve em redor de um escritor na Coreia.
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João Reis
A Devastação do Silêncio
Elsinore 16,59€
COMPRAR O LIVRO

Miguel Mealha Estrada/António Coimbra de Matos | A Vida é um Sopro

 
1. Qual a ideia que esteve na origem deste livro "A Vida é um Sopro"?
Miguel Mealha Estrada-A ideia foi da Bárbara Simões, então pertencente à Oficina do Livro. A ideia era escrever algo acerca de casos reais. Achei a tarefa um pouco difícil pois relatar com a profundeza merecedora de cada caso- pois estamos a falar de vidas de pessoas que não se podem resumir a ideias- acabaria por ser um trabalho extensivo. Pensei então falar sobre um caso só, onde uma multitude de experiências e dinâmicas pudessem ser contempladas. Não só entre elas mas como em conjunto e, o mais importante, como essas dinâmicas esculpem as pessoas através das relações.

2.O que podemos nós, leitores, aprender com este caso?
R-É uma óptima pergunta à qual que não tenho uma resposta formal. Penso que em tudo o que lemos existe uma identificação e um recalcamento ao que se lê. Por exemplo, aquilo que conto irá ser, inevitavelmente, interpretado dependendo da experiência de vida do leitor, o contexto de onde cresceu, as suas expectativas futuras, os seus desejos, suas fantasias, tal como com as suas perversões. O significado que teve para mim, é a minha experiência intrínseca. A do leitor, à de ser a dele. Penso que será mais fácil desvendar o que eu aprendi com esta experiência: o mais importante é o amor por aqueles que gostamos. Não só gostar, mas também demonstrar. Tudo é passageiro na vida, e ao fim do dia são os laços afectivos em que investimos que permanecem como solo fértil que nos sustém em relação ao abismo.

3. Que recordações mais marcantes ficaram da relação com Lisa e Peter, os protagonistas?
R-Pequenos momentos. Abraços. Gargalhadas. Olhares. Partilha de sentimentos de esperança e de alegria. Motivação para com o mundo. E grato por ter tido a companhia deles também.
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Miguel Mealha Estrada/António Coimbra de Matos
A Vida é um Sopro
Oficina do Livro

Carlos Alberto Machado | Puta de Filosofia


1 – O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Puta de Filosofia»?

R – Não tem qualquer significado especial: está depois do meu segundo romance (O Mar de Ludovico) e precede o próximo. 


2 – Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R – Não existiu propriamente uma ideia. Continua uma linha niilista (que está presente no primeiro romance, Hipopótamos em Delagoa Bay e no segundo, citado). Tem circunstâncias de tempo e lugar (o estado generalizado de corrupção da nossa sociedade europeia contemporânea), o gosto por ambientes policiais clássicos, as minhas brincadeiras (e fantasmas) pessoais: a infância, o prazer (sexo e alimento), a morte… A literatura, a filosofia, a política…  

3 – Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R – O futuro é uma ambição que não tenho. Escrevo (pouco, agora). Alambico o próximo romance, escavo as caves escuras de outro, sofro com os compromissos de poemas pedidos… E talvez saia novo livro de contos este ano (se o editor não mudar repentinamente de ideias). 
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Carlos Alberto Machado
Puta de Filosofia
Companhia das Ilhas   15€

Carlos Alberto Machado na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

TOP LIVRO: Economia e Finanças na WOOK.PT

Jorge Rodrigues | Regulação, Ética, e Governance

1. Qual a origem deste seu livro «Regulação, Ética e Governance»?
R- O livro “Regulação, Ética e Governance: O mercado da informação financeira” surge na sequência da prática e reflexão de matérias comportamentais em contexto profissional e na lecionação das mesmas em contexto académico, em cursos de segundo ciclo. O objetivo supremo foi sempre a ideia de que as organizações que funcionem bem e sejam respeitadas pelos cidadãos, contribuem para a obtenção de resultados melhores e mais sustentáveis, para a Sociedade. 

2. Ética e responsabilidade social das empresas: em muito casos parecem apenas adornos e não tanto práticas. Será assim?
R- As práticas de gestão dos recursos das organizações, de qualquer dimensão, têm vindo a sofrer modificações desde o início deste século, colocando maior ênfase em matérias do foro comportamental. Seja qual for o rótulo colado a estas estratégias, todas as organizações procuram disfrutar de legitimidade junto da sociedade onde se inserem, contribuindo para o seu desenvolvimento, procurando ser boas cidadãs. Nestes termos, a ética e a responsabilidade social das empresas estão implícitas…

3. De que forma é possível ultrapassar a profunda descrença dos portugueses nas suas instituições?
R- Esta profunda descrença da sociedade portuguesa nas suas instituições irá sendo progressivamente ultrapassada à medida que os jovens gestores forem disseminando valores, atitudes e comportamentos justos, para dignificar as organizações em que desenvolvem o seu trabalho, colocando-as a funcionar corretamente, envolvendo e motivando os seus recursos humanos, condição necessária para melhorar o desempenho da economia portuguesa. 
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Jorge Rodrigues
Regulação, Ética e Governance: O Mercado da Informação Financeira
RH Editora  21,50€

Catarina Beato | Ser Feliz Todos os Dias


1-As pessoas imperfeitas também podem ser felizes só com a simples decisão de o quererem ser?
R- Não existem pessoas perfeitas. Falo em pessoas "imperfeitas" no livro por isso mesmo. O livro é para toda a gente, com todas as diferenças, características ou contradições que possam ter. Todos temos o direito a sermos felizes, a tentar ser felizes todos os dias. Mas neste processo é importante perceber que a felicidade não é um estado permanente. Ou seja, é impossível estarmos sempre muito alegres e bem dispostos. Há dias maus e isso é normal. Nunca devemos ter problemas em admiti-lo. A felicidade está em pequenos momentos, às vezes os que, aparentemente, são mais insignificantes. A felicidade também está na forma como encaramos a vida. A felicidade é uma decisão, que dá trabalho, porque nos obriga a várias coisas, que implicam força e coragem: a resolvermo-nos com o passado, a mudar aquilo que nos põe para baixo, a procurar pelo melhor de cada dia (mesmo que tenha sido péssimo), a celebrar cada vitória e, muito importante, a agradecer.  Tive de me esforçar muito para ser quem sou hoje e é essa a história que conto no livro. Como explico, a vida fez-me mudar no dia mais triste da minha vida. A morte do meu pai fez-me perceber que o dia seguinte pode não existir e que cada um é uma dádiva que merece ser celebrada. É um desperdício não tentarmos estar bem. Dá trabalho, mas compensa muito.

2-O seu livro é mais um livro de auto-ajuda ou pretende ser algo de diferente?
R- Não gosto muito da expressão auto-ajuda. O meu livro reflete a minha história e, na verdade, é o resumo de tudo o que me ajudou. Eu não era uma miúda muito alegre. Era muito existencialista. Questionava tudo. Mas tomei a decisão de mudar e agora quis partilhar o meu processo com outras pessoas. "Ser Feliz Todos os Dias" nasce da minha experiência e é resultado daquilo que me ajudou, daquilo que funcionou comigo. Mostra as etapas por que passei e é um convite para que as outras pessoas possam fazer os mesmos exercícios escritos que eu fiz, que, no final, vão resultar numa espécie de diário em que se tocam em assuntos chave, relacionados com a aceitação, mudança e com a capacidade para ver com clareza as coisas boas que nos rodeiam e agradecer. A ideia é que depois possam reler aquilo que escreveram e se conheçam cada vez melhor.

3-As vendas de ansiolíticos e anti-depressivos estão em alta: andamos distraídos com as «pastilhas" quando podíamos ser felizes com outras abordagens como as que propõe no seu livro
R-Acho que há casos e casos. Há pessoas que precisam de ajuda médica para se sentirem melhor (são casos clínicos que ultrapassam a ideia de estar infeliz). Outras que talvez não precisem. Acho que essa deverá ser sempre a última alternativa e para acontecer é porque é mesmo necessário. Acho que a abordagem do livro é importante no sentido em que a escrita (tal como o exercício) é uma ótima terapia. Para mim sempre foi. Faz-nos refletir na nossa história. Leva-nos aos nossos problemas e, com as perguntas certas, pode desperta a atenção para as coisas boas que nos rodeiam, para o valor que temos e para a importância de tratarmos de nós mesmos. Mas é como disse: cada caso é um caso.
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Catarina Beato
Ser Feliz Todos os Dias
Matéria-Prima Edições,  15,50€

MANUEL S. FONSECA


Manuel S. Fonseca nasceu em 1953. Fundou e é o editor principal da Guerra e Paz. Publicou vários livros: uns enquanto autor (Revolução de Outubro: Cronologia, Utopia e Crime) ou como editor-crítico (Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, o Mein Kampf, de Adolf Hitler e o Pequeno Livro Vermelho, de Mao Tsé-Tung). Além da sua actividade editorial, escreve semanalmente no jornal ExpressoAnteriormente, esteve ligado à Cinemateca Portuguesa, à RTP 2, à SIC e foi produtor cinematográfico na Valentim de Carvalho Filmes. 
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1.O que é para si a felicidade absoluta?
R- Estar sentado num fim de tarde de Verão, na mesa um fino estarrecedoramente gelado e um prato de jinguba. E Deus sentado, ali ao lado, sendo certo e sabido que Deus é Amor e só Amor.
2.Qual considera ser o seu maior feito? 
R- É só meio: a minha filha; a outra metade do feito é da minha mulher.
3.Qual a sua maior extravagância? 
R- Ter conseguido atrasar um voo na placa do aeroporto de Nice jurando ao telemóvel que estava mesmo a chegar vindo de Saint Tropez. 
4.Que palavra ou frase mais utiliza? 
R- Komé que é, meu kamba?
5.Qual o traço principal do seu carácter? 
R- Uma certa bonomia.
6.O seu pior defeito? 
R- Levar muito a mal quando levo a mal.
7.Qual a sua maior mágoa?
R- Ter desaparecido o bairro colonial de Luanda da minha adolescência. Seria injusto, prenhe de conflitos e descriminação, mas era tão exaltante nas suas misturas de cheiros, de culturas e de ideais.
8.Qual o seu maior sonho? 
R- Conversar um dia com um ressuscitado Joseph Conrad. Ele pode vir com o fato imaculado de Lord Jim.
9.Qual o dia mais feliz da sua vida? 
R- O 10 de Junho de 1977, estava Jorge de Sena a discursar, no Dia de Portugal. Nem era bem o que eu ouvia, era mais a mão que estava na minha mão.
10.Qual a sua máxima preferida? 
R- A da Ordem da Jarreteira: Honni soit qui mal y pense.
11.Onde (e como) gostaria de viver? 
R- Vizinho de Paul Gauguin nas ilhas dos Mares do Sul.
12.Qual a sua cor preferida? 
R-  Vermelho, rojo, red, rouge, rosso.
13.Qual a sua flor preferida? 
R- Rosas. 
14.O animal que mais simpatia lhe merece?
R- Águia. Que liberdade! (faço notar que é o único ponto de exclamação das minhas 30 respostas).
15.Que compositores prefere? 
R- Quase todos, mas agora apetecia-me ouvir Pachelbel. O Canon.
16.Pintores de eleição? 
R- Picasso. É tão simples.
17.Quais são os seus escritores favoritos? 
R- Pelo amor deles a outros mil escritores que também amo, Jorge Luis Borges.
18.Quais os poetas da sua eleição? 
R- Larkin e Herberto. Ou talvez Herberto e Larkin. Olhe. Não sei bem.
19.O que mais aprecia nos seus amigos? 
R- A torrencial generosidade de serem meus amigos.
20.Quais são os seus heróis? 
R- O meu pai, pela bondade; a minha mãe, pela inteligência discreta.
21.Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- O odioso Ethan, que John Wayne incarna em The Searchers. Por ser uma figura de redenção.
22.Qual a sua personagem histórica favorita?
R- Churchill: não fez revoluções, louvado seja Deus.
23.E qual é a sua personagem favorita na vida real? 
R- Já morreram: o senhor Alberto e o senhor Gil, funcionários da Cinemateca no tempo de João Bénard. Incarnavam a vida como ela era. A pensar neles há um véu de nostalgia que me tapa com pudor os olhos.
24.Que qualidade(s) mais aprecia num homem? 
R- A sensibilidade.
25.E numa mulher? 
R- Um grão de virilidade.
26.Que dom da natureza gostaria de possuir? 
R- O da cíclica reincarnação.
27.Qual é para si a maior virtude? 
R- Uma indolência inteligente e produtiva. 
28.Como gostaria de morrer? 
R- Ainda vivo.
29.Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?
R- Alguém que gostasse de estar sentado num fim de tarde de Verão a beber um fino gelado e a comer um prato de jinguba. 
30.Qual é o seu lema de vida? 
R- Ama e faz o que quiseres.
Manuel S. Fonseca na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

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