David Erlich: “A atitude filosófica hoje em dia passa também por moderar o pessimismo e o catastrofismo”

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu novo livro «21 Lições de Filosofia para uma Vida Quase Boa»?
R- O tempo contemporâneo é, felizmente, um tempo em que a elevada liberdade individual quanto ao que fazemos das nossas vidas e nas nossas vidas pede uma certa responsabilidade reflexiva. Por isso é que hoje tantos livros se publicam sobre o modo como podemos viver de forma mais plena. O indivíduo pode escolher e muito há para escolher. O ponto de partida do meu livro é o de que a filosofia pode e deve entrar neste debate. Este amor pela sabedoria, este estar à procura, não se foca apenas no tema da vida boa mas não pode deixar de fora a vida boa.

2-Vivemos tempos difíceis, incertos e perigosos, tanto a nível global como nas nossas vidas diárias: de que forma a filosofia nos pode ajudar a interpretar e compreender tudo isto?
R- Uma das mais antigas obsessões da filosofia ocidental, quiçá mesmo a mais antiga, é a da distinção entre realidade e aparência. A atitude filosófica hoje em dia passa também por moderar o pessimismo e o catastrofismo; isto é, passa por perguntar como é a realidade para além do nosso atual vício por más notícias. Não se trata de um otimismo cego, igualmente pernicioso, mas sim de combater, pela via da pesquisa atenta e da reflexão perspicaz, o viés de negatividade que tanto nos assola. A filosofia pode ser o terreno fértil onde se cultiva a esperança.

3-Lendo o título do seu livro (“para viver uma vida quase boa”), há uma palavra que surpreende: “quase”. É um exercício de modéstia de filósofo ou, de facto, devemos ser realista e comedidos no que podemos esperar da filosofia?
R- A perfeição é do domínio do enganador, do momentâneo ou do místico. “Quase” significa pacificação com a distância inexorável entre real e ideal.
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David Erlich
21 Lições de Filosofia para uma Vida Quase Boa
Planeta  16,50€

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