Inês Bernardo: “Como se olha para um filho mais velho: com orgulho e ternura”

1-“Agarrar a faca pelo gume” é o seu romance de estreia: como espera poder olhar para ele daqui a 20 anos?
R-Como se olha para um filho mais velho: com orgulho e ternura. Foi um romance trabalhado ao longo de muitos anos, fruto de muita reflexão. Espero ainda que seja o primeiro de vários.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste romance?
R-Como as histórias reais, que contamos à mesa, uns aos outros, um novelo puxa o outro e as narrativas encadeiam-se. Também à minha volta se tecia essa constelação de cenas que precisavam de ser tecidas umas nas outras para que fizessem sentido. Queria resgatar histórias femininas comuns, escritas com letra minúscula e no plural, histórias que não se inscrevem nos livros de História, nem se ensinam nas escolas, mas que constroem o tecido social do dia-a-dia. Ao mesmo tempo, interessava-me cruzá-las com a questão do corpo: o corpo social, o corpo privado e a nossa própria percepção do que é um corpo desejável. Um questionamento sobre o que é o desejo, como se manifesta e como o exercemos. Com o outro e connosco próprias.

3-Pensando no futuro:o que está a escrever neste momento?
R-Neste momento começo a ensaiar um novo romance, que está entre a fase da investigação e a da escrita. Uma vez mais, interessa-me explorar as histórias que não são contadas, mas que sustêm o nosso quotidiano. As vozes apagadas, ignoradas, e alguns episódios da nossa História comum a que não se dá valor, ou que são esquecidos.
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Inês Bernardo
Agarrar a faca pelo gume
Tinta-da-China  17,90€

Inês Bernardo na “Novos Livros” | Entrevistas

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