Inês Couto Soares: “Imagino-me a olhar para este livrinho com muita ternura”

1-«Amores e Quimeras de tantos Eus» é o seu primeiro livro: como espera poder olhar para ele daqui a 20 anos? 
R-“O meu primeiro livro de poesia”, era mesmo assim que se chamava, foi editado em 1993, numa produção caseira que fiz no alto dos meus 13 anos, com poemas de 1989 a 1993. Ofereci várias cópias: aos meus pais, avós, tios e alguns amigos dos meus pais. Ao longo dos anos continuei a escrever, apenas para mim. Só de vez em quando, em dias importantes, Natais, dias da mãe, fins de namoro… oferecia um poema a alguém! Guardei sempre a sensação de que os meus pais tinham gostado muito daquele livrinho de poesias e sempre que lhes oferecia um poema sentia um regozijo, uma alegria de estar a fazer a coisa acertada. Assim, daqui a 20 anos imagino-me a olhar para este livrinho com muita ternura.

2-Qual a ideia que esteve na origem desta obra?
R-Respondendo à sua segunda pergunta, a ideia que esteve na origem deste livro foi a vontade de reviver aquele sentimento. Surgiu há muitos anos, mas acabei por deixá-la no cantinho das ideias e das vontades, quando se tem muitas e o tempo não chega para todas ao mesmo tempo. Foi assim que em 2025 decidi resgatar essa vontade para a realidade e de uma forma bastante impulsiva e determinada pus mãos à obra; peguei nos meus muitos caderninhos e, com alguma ajuda, selecionei aquilo que podem encontrar em Amor e Quimeras… Depois tentei encontrar um fio condutor ou uma ordem, e acabei por encontrar uma separação que me pareceu óbvia entre eles. Estava em São Tomé numa missão humanitária, já tinha dedicado a esta vontade mais tempo do que aquele de que dispunha e por isso dei-me por contente e enviei-o assim para as editoras! Avançando todo o processo da escolha da editora, da publicação e dos medos e vergonhas recalcados pela minha impulsividade e determinação, fiz a surpresa aos meus Pais, que com o brilho dos seus olhos me devolveram o regozijo especial da infância!

3-Pensando no futuro, o que está a escrever neste momento?
R-Em relação à sua terceira pergunta, não tenho resposta possível, porque ela implica que eu escrevesse pensando no futuro, o que não acontece. Posso responder-lhe que neste momento continuo a escrever o mesmo de sempre: o que me vai na alma. Sobretudo quando ela transborda.
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Inês couto Soares
Amores e Quimeras de Tantos Eus
Europa Editora  12€

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