Pedro Esteves: “Nada substitui o sentarmo-nos ao teclado e treinar o uso da IA”

1-Qual a ideia que esteve na origem deste novo livro “IA como Copiloto”?
R-Este livro surge da premissa “Como é que o teu colega do lado usa a IA?”, porque para quem faz uso das ferramentas de inteligência artificial generativa, já deve, por esta altura, ter reparado que nem todos usamos as ferramentas de IA da mesma maneira. O professor usa de uma maneira, o criador de conteúdos de outra, o diretor de marketing de outra ainda. Por isso mesmo procurei, ao coordenar esta peça, concentrar o máximo de perspetivas sobre como utilizar a IA como Copiloto, ou seja, como é que diferentes pessoas usam ferramentas como o ChatGPT no seu trabalho.
2-O principal objectivo do livro é ser, sobretudo, um guia prático para utilizadores não especialistas?
R-Todo o livro é pensado para ser simples e, na verdade, accionável. Naturalmente que o livro tem capítulos introdutórios sobre como construir e, acima de tudo, pensar as instruções. É a tal engenharia de Prompts, que é, no fundo, o ponto mais importante do uso e da nossa relação com os modelos de linguagem de IA. O próprio livro está repleto de exemplos e de demonstrações sobre como é que cada um dos autores convidados usa estes chats de IA. E isso é interessante, porque não só o leitor aumenta a sua cultura sobre a aplicações desta tecnologia, como, sem se aperceber, se torna mais proficiente no uso dos chats. Contudo, a prática faz a perfeição. Por isso, nada substitui o sentarmo-nos ao teclado e treinar o uso da IA.
3-De que formas a IA vai transformar a forma como trabalhamos?
R-A IA vai transformar o nosso trabalho da mesma forma que várias ferramentas introduzidas ao longo do tempo o fizeram. Ao nível da utilização pessoal, o pressuposto mais desejado é o da produtividade. Repare-se que a ideia de despachar as mesmas tarefas num menor espaço de tempo liberta, lá está, tempo e energia para outras coisas que sejam mais importantes. No entanto, creio que não nos devemos deixar levar por todas as novidades que aparecem só porque sim. O importante, no que toca ao uso da IA, é escolhermos um conjunto de ferramentas que, após testadas, concluímos que são as importantes para o nosso trabalho. Mas há uma coisa que a IA generativa traz e que abordo inclusive num capítulo meu do livro, que tem a ver com o facto de os chats servirem como tutores da nossa auto-aprendizagem. Por outras palavras, temos agora à mão um “bibliotecário” com uma biblioteca gigante que sabe onde está toda a informação e nos traz aquilo que lhe pedimos, já trabalhado e preparado para a nossa interpretação. Um pouco como um Google 2.0. E isto sim é algo que acho que vai mudar a forma de resolvermos os nossos problemas, se soubermos filtrar e fazer uso da informação que nós é dada. Como já se diz há muito tempo, informação é poder. E neste caso o poder é a autonomia.
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Pedro Esteves/Vasco Ribeiro (coord.)
IA como Copiloto
Edit’AI 21,90€

