Pedro Rapoula: “Tenho alguma dificuldade em olhar para os livros como pontos de chegada”

1-O que representa no contexto da sua obra literária o livro “Coisas que me Ensinaram a Calar”?
R-Acho que representa um momento de maior consciência. O livro anterior reunia textos escritos ao longo de muitos anos e acabava por ser uma espécie de mapa de diferentes fases da minha vida. Este foi pensado e escrito como um livro desde o início. É um livro que aprofunda temas que já me interessavam e que já estavam presentes no meu primeiro livro: a memória, a infância, a identidade, a família, mas fá-lo agora de uma forma mais unitária, procurando construir um universo próprio e uma voz mais consistente. Dito isto, espero que seja apenas uma etapa. Tenho alguma dificuldade em olhar para os livros como pontos de chegada.
2 – Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R-Não trabalho muito a partir de ideias. Os poemas vão surgindo e só mais tarde começo a perceber que existem temas que regressam e conversam entre si. Neste caso, interessava-me continuar a trabalhar sobre memória. É muito curioso como as memórias de pessoas que viveram os mesmos acontecimentos podem ser completamente diferentes umas das outras, por vezes até contraditórias. Neste livro eu sabia que queria continuar a reflexão sobre a infância, a família, a memória e tudo aquilo que fica por dizer. Mas isso foi algo que descobri enquanto escrevia, não antes.
3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Continuo a escrever poesia, mas tenho também trabalhado noutros géneros literários. Interessa-me particularmente a relação entre memória e ficção, bem como a forma como as histórias pessoais se cruzam com os grandes acontecimentos históricos, mas ainda está tudo numa fase demasiado embrionária para falar com propriedade. Acho que sou um bocado supersticioso com os livros, prefiro falar deles quando já existem.
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Pedro Rapoula
Coisas que me Ensinaram a Calar
Guerra & Paz 14€

