Catarina Fonseca: “Como é que o amor e a dedicação a um animal podem ser tão transversais”

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro “O Amor tem Quatro Patas”?
R-Na verdade, a ideia não foi minha. Resultou de uma conversa entre a Marta Mesquita e a Marta Martins Silva, da Contraponto, que depois tiveram a feliz ideia de me convidarem para a pôr em prática. O ponto de partida era pedir a várias figuras conhecidas que me falassem dos cães que mais as tinham marcado. Algumas eram minhas amigas, com outras nunca tinha falado, e o resultado foi que todas estas pessoas me mostraram um outro lado que eu não conhecia e que me comoveu muito, o lado que está aberto a uma relação muito estreita com um ou com vários animais que mudaram as suas vidas para sempre. Não foi fácil para os meus entrevistados falar de temas como os lutos profundos que fizeram pelos seus animais, mas a maior parte de nós adora falar dos seus bichos. As conversas foram várias vezes muito intensas, outras vezes fizeram-me rir, mas foram sempre carregadas de emoção, e foi essa emoção que eu quis trazer para este livro, mostrando como um cão nos une a todos, conhecidos e anónimos, nas mesmas dúvidas, nas mesmas preocupações, nas mesmas alegrias.
2-No livro conta boas histórias com cães de 30 pessoas de perfil muito diversificado (De António Vitorino d’Almeida a Rita Ferro passando por Júlio Machado Vaz, Chakall ou Manuel Luís Goucha). Uma coisa é certa: todos adoram os seus animais: conseguiu identificar a raiz comum dessa paixão?
R- É uma boa pergunta. Quando comecei a pensar neste livro, quis precisamente que os meus entrevistados fossem completamente diferentes – de profissão, de temperamento, de idade, de vida – para que depois houvesse um único ponto em comum: os cães. E o livro mostra precisamente isso: como é que o amor e a dedicação a um animal podem ser tão transversais. Acho que a raiz comum é precisamente essa humanidade e essa capacidade de se dedicarem a outro ser: porque ter um cão não é fácil, nem todos os cães são bichos doces e pacatos, nem todas as vidas são fáceis, e também percebi que é de facto preciso muita capacidade de entrega. Essa é talvez a qualidade que mais une todos os meus entrevistados. Claro que depois a forma como a põem em prática é sempre diferente, e é isso que torna o livro divertido e diverso.
3-Pensando no futuro: este livro é uma etapa do seu regresso à escrita de livros de ficção ou de livros infanto-juvenis?
R- Não sei, os livros vão acontecendo na minha vida um bocado ao sabor das circunstâncias. Há dois anos, quando ganhei o Prémio Pingo Doce de Literatura Infantil, curiosamente com um livro que também é sobre um cão, deu-me muito prazer voltar a escrever para crianças. Gosto de fazer rir os miúdos, acho que estamos num mundo que se preocupa muito em dar-lhes lições de moral e pouco em fazê-los rir. Este livro, O Amor Tem Quatro Patas, deu-me um prazer imenso, porque juntei duas coisas que eu adoro: fazer entrevistas e contar histórias. Tentei que cada um dos meus entrevistados mantivesse a sua voz e a sua forma única de falar, mas também contei como cheguei àquela pessoa, como foi a conversa, porque a escolhi, para haver alguma unidade e o leitor perceber que aquelas pessoas não caíram ali de paraquedas. Quanto aos livros futuros, depois logo se vê…
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Catarina Fonseca
O Amor Tem Quatro Patas
Contraponto 17,70€

