Raquel Fontão: “O terror como o melhor género para mostrar esta realidade tão disruptiva”

1 – O que representa no contexto da sua obra literária o romance «Nada há a Temer»?
R-Nada há a Temer representa, em contexto escrito, uma obsessão minha com o modo de vida tradicionalista, visto de uma forma extremista e conservadora, nesta era digital como a nossa. Este livro é o resultado de um exercício constante de observação, em diversas plataformas digitais, onde o que é transmitido como idílico e perfeito, esconde, muitas vezes, o absurdo, todo um cenário inquietante, de desassossego e sufoco. É um livro grotesco, mas muito necessário, pela actualidade do tema. Como tal, considero o terror como o melhor género para mostrar esta realidade tão disruptiva.

2 – Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R-Há muitos anos que vejo, em diversas plataformas digitais, um crescendo muito intimidante de criadoras de conteúdo a idealizarem e a romantizarem valores tradicionalistas, com uma conotação religiosa muito forte e de uma forma extremista inigualável. Esse foi o ponto de partida. Esta romantização que se disseminava transversalmente, quase como uma lavagem cerebral, numa era digital e tão influenciável como a nossa. É realmente assustador de assistir. Quis então mostrar o vazio que fica depois disso. E o título surgiu logo no início, como um mapa, ligando todos os pontos. Porque Nada há a Temer pode partir de um lugar de amor, bondade, fé e comunhão, mas, se partir, de um lugar de extremismos, é uma ideia muito perigosa.

3 – Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Neste momento, estou a brincar com a ideia para um livro de terror, mas de um ponto de vista mais distópico, muito focado no tema da maternidade. Mas é uma ideia que ainda está bastante no início e, por agora, prefiro concentrar-me no lançamento de Nada Há a Temer.
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Raquel Fontão
Nada a Temer
Guerra & Paz  16,50€

Raquel Fontão na “Novos Livros” | Entrevistas

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