Carla Coelho: “Encontrar interlocutores num mundo de surdos é um prazer”

1-“Branco” é o seu primeiro romance: como espera poder olhar para ele daqui a 20 anos?
R-Gostava de olhar para Branco como o primeiro de um conjunto de livros que tenho em mente e, idealmente, conseguirei escrever. Acho que esse desafio, descobrir as histórias que surgem em nós é a parte mais saborosa da escrita. Não só desenvolver o enredo e conhecer as personagens, mas também procurar a linguagem que é exigida em cada momento dessa construção. Também gostava de continuar a sentir a felicidade que sinto neste momento por as minhas palavras serem lidas e ressoarem próximas a mais alguém. Encontrar interlocutores num mundo de surdos é um prazer.

2-Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R-A ideia surgiu-me no intervalo entre dois exames médicos que fiz. Comecei a imaginar uma personagem que ia passear pelos corredores de um hospital. Ao princípio, era apenas isso. Escrevi um pequeno texto para mim desenvolvendo a ideia. Percebi que não era suficiente, queria descobrir quem era a protagonista e como é que a história se desenvolvia. Por isso tive de a escrever.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Tenho algumas ideias, vamos ver se resultam…Como disse acima, o que gosto na escrita é, não só de construir a história, mas também de encontrar a linguagem certa. E isso é um espinhoso e delicioso problema.
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Carla Coelho
Branco
Urutau  14€

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